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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Efêmero e... Japonês


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Dos eventos que acontecem aqui em Nancy todos os anos, tenho um carinho especial pelo "Jardin Ephémère" que acontece na magnífica Praça Stanislas no começo do outono (afinal, foi o que me inspirou o título deste blog). Neste são instalados canteiros de flores e plantas segundo um tema que muda anualmente, no ano passado foi "O Labirinto" e neste ano foi a comemoração dos 150 anos da amizade entre a França e o Japão.


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Foto : cortesia de Monique Colin

Então cada canteiro do jardim era uma "ilha" japonesa : a "Ilha da Amizade" com sua ponte, a "Ilha Positivo-Negativo", a "Ilha dos Arrozais", a "Ilha dos Crisântemos" (que é uma flor sagrada no Japão), a Ilha das Cores de Outono (homenagem à floresta de Hokkaido), a "Ilha das Árvores Anãs" cheia de bonsais, a "Ilha dos Bambus", a "Ilha Vitrificada" (evocando a natureza vulcânica do Japão), a Ilha dos Cristais, para a qual a Cristaleria Daum de Nancy criou vasos com a forma de flores de cerejeira...Havia também canteiros formando um relógio solar cuja haste central era a estátua do rei Stanislas que existe na praça.

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As fotos noturnas são minhas e as fotos diurnas são da autoria de Monique Colin. Vamos passear no jardim?







Para ver as fotos noturnas em tamanho grande no Picasa, clique aqui
Para ver todas as fotos de Monique Colin, clique aqui.
Para saber mais sobre o "Jardin Ephémère 2008" clique
aqui.



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terça-feira, 1 de julho de 2008

Colecionando ou Reciclando...

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Sempre achei que comprar em brocantes ou vide-greniers (esvazia-celeiros) era coisa de pão duro ou então para quando precisávamos fazer economias, pois no Brasil não temos o hábito de utilizar objetos de segunda mão, contrariamente à Europa, onde em um site como E-bay se vende de tudo, de sapatos usados a automóveis. Mas nestes tempos bicudos, onde o consumo e a produção desenfreados são apontados como os vilões do problema climático, a reciclagem de objetos adquire uma dimensão suplementar, a de contribuir para a defesa do meio ambiente.


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Esta brocante anual onde estive ontem (falei dela no ano passado aqui) no Parque Sainte-Marie em Nancy, tem um caráter duplo, a da venda de objetos usados banais que os proprietários não querem mais e também o de venda de antigüidades, cujo público são principalmente os colecionadores. Vejam alguns objetos expostos e me digam o que acham. Seriam para colecionar ou reciclar?



E você, compraria livros, discos, roupas, louça, móveis, de segunda mão? Será que no Brasil esta moda pegaria?


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segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Rua...

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A Rua...foi o tema escolhido para a Bienal da Imagem 2008 que aconteceu aqui em Nancy. Esta bienal é sempre interessante, há anos atrás foi lá que eu vi pela primeira ver um daguerreótipo...é o ancestral da maquina fotográfica. Mas apesar de que ela cultiva esta parte histórica, a grande estrela é sem dúvida a fotografia. A exposição principal que vou mostrar aqui aconteceu em uma antiga fábrica desafetada, que foi completamente reformada para abrigar eventos culturais. O tema, que permitia declinações bastante variadas me encantou, adoro paisagens urbanas. E teve de todas as latitudes : Nancy, Paris, Amsterdam, Quebec, Roma, Veneza. As idéias que deram origem ao trabalho de cada artista foram muito originais e interessantes :

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Viviane Ribeiraigua fotografou a cidade refletida nas vitrinas das lojas com seus manequins. Um trabalho de paciência para esperar o bom momento e a boa iluminação para registrar estes instantes fugazes.

Victor Ruiz-Huidobro fez um painel de quase 10 m desenhando em nanquim com vistas panorâmicas mostrando cenas cômicas de uma cidade fictícia. Levou vários anos para ser realizado.

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Valérie Donsbeck resolveu colocar as cidades em bocais, com lindas cores. Olha aí do lado o bocal de Veneza...

Philippe Domingos trouxe "fantasmas coloridos" para as ruas de Nancy. Parece que a técnica se chama tricromia...o efeito é maravilhoso

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A fotografia também pode servir como crítica social. Foi o que mostrou Christophe Frot, com sua série de lojas e comércios de bairros com portas fechadas, simbolizando o comércio de proximidade que está desaparecendo para dar lugar à grande distribuição.


O que gostei nesta exposição foi que ela permitiu de nos dar idéias. Claro que precisa ter o olho, criatividade e talento para apresentar trabalhos fotográficos desta qualidade, mas para brincar um pouco, uma máquina fotográfica e um programa de tratamento de imagens bastam. Dá vontade de tentar, né?


Update 01/10/2009

O artista Philippe Domingos nos deu a honra de vir nos visitar e deixou nos comentários o link para seu site Web aqui.




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sexta-feira, 11 de abril de 2008

A Aldeia da Esperança

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Orquídeas que inspiraram Emile Gallé, grande artista e botanista da região, cujas obras eram baseadas na natureza

A Semana do Desenvolvimento Sustentável foi comemorada de 1 a 7 de abril aqui na França, tendo como tema "a produção e o consumo sustentáveis". Devo reconhecer que a movimentação foi grande, tanto aqui na região onde moro (Lorena) quanto no país inteiro, com grande destaque na imprensa escrita e também na televisão.

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Experiência mostrando as eólicas sensíveis à luz

Realmente o grande impulso foi dado no ano passado, com o "Grenelle do Meio Ambiente", esta consulta realizada pelo governo envolvendo todos os segmentos da sociedade visando criar propostas para atingir as metas de redução de emissão de CO2. Como elas foram elaboradas em conjunto, cada um encontra seu interesse ao proteger o meio ambiente.

Por exemplo, no caso das empresas, a necessidade da criação e comercialização de novos produtos mais "limpos" abre a perspectiva de um novo mercado. Assim, na televisão pululam slogans como "Você gostará da ecologia" (Volkswagen) ou "Vamos agir de forma sustentável para o futuro" (Carrefour). Para os particulares a isca é sem dúvida a economia a ser feita, e também a possibilidade da manutenção do nível de conforto, substituindo o equipamento atual por outro mais correto ecologicamente. Se bem que, segundo o jornal Le Monde, 67% dos franceses declara ter mudado seu modo de consumir nos últimos 12 meses em função do comércio sustentável.

Mas a chave de tudo é a mudança de hábitos e de mentalidade. E aí é que entra a educação, a começar pelas crianças. Então com este objetivo, durante esta semana elas foram visitar a usina de incineração de lixo, recolheram tampinhas de plástico, participaram a um concurso de cartazes, aprenderam a fazer a coleta seletiva do lixo...


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E um dos eventos mais interessantes foi sem dúvida a instalação de uma pequena cidade (detalhe na foto acima), para mostrar tudo o que seria necessário à vida de seus habitantes na versão "desenvolvimento sustentável" no lugar ideal para esta demonstração, no interior do Jardim Botânico.

Tudo começava pela construção da casa : lá se podia encontrar conselhos para a elaboração de uma casa ecológica, utilizando as energias renováveis, materiais naturais e regionais (foto à esquerda), e também para equipá-la, principalmente nos ítens isolação e calefação, pois esta última é a maior responsável pelo consumo de energia durante o inverno.


Em seguida, as pessoas eram orientadas no sentido de como usar de forma correta os eletrodomésticos, para evitar consumo desnecessário de eletricidade.

Quanto ao lixo gerado pelos habitantes, as instituições responsáveis pelo tratamento deste estavam presentes, e aproveitaram para comunicar que graças ao trabalho de informação que elas tem feito, o lixo a ser incinerado diminuíu consideravelmente...E que também, devido a um imposto que eles implementaram em função do volume de lixo (válido para as prefeituras), a coleta seletiva de vidro e papelão melhorou bastante. A nova meta a alcançar é a melhoria na reciclagem de papéis nos escritórios. E falou-se também da criação de uma subvenção para financiar a instalação de coletores da água da chuva pelos particulares.


Saindo do interior da casa para o jardim havia os conselhos para os jardineiros, no sentido de substituir os herbicidas químicos pelos naturais. Por exemplo, você sabia que a água de cozimento das massas, do arroz ou das batatas é um excelente herbicida, devido à presença de amido? (a não utilizar nas plantas verdes de interior).

A biodiversidade também foi lembrada por meio de uma visita com guias à estufa do Jardim Botânico (foto à direita).

Quanto ao comércio, abriu-se um largo espaço para a apresentação dos agricultores bio e as informações sobre seus pontos de venda. Os representantes do comércio eqüitativo também estavam presentes, enfim toda a informação necessária para consumir de forma compatível com o desenvolvimento sustentável foi colocada à disposição do público.

Enfim, esta "aldeia" dava uma volta completa sobre como resolver os problemas cotidianos com soluções que preservam o meio ambiente. Saí de lá com uma esperança (porém ainda verde-pálida) de que estamos caminhando no sentido de respeitar mais nosso planetinha azul.


Veja também:


Salão da ecologia divertida em Paris (vídeo)

Ações práticas fazem a diferença : pratique
Economize energia
Casas que economizam energia



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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Bon Appétit na Lorena

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Praça Stanislas de chocolate (realizada por Musquar)


Quando fiz o post sobre a gastronomia francesa prometi voltar a falar dela, mas desta vez para cada região. Então vou começar esta série pela região onde moro, a Lorena. Ela fica situada no leste da França, faz fronteira com a Bélgica, o Luxemburgo e a Alemanha. Nancy e Metz disputam o titulo de "Capital da Lorena". Sua cozinha não se encontra entre as mais reputadas da França, no entanto alguns de seus pratos familiares e de seus doces são famosos, e diga-se de passagem muito gostosos.


Entre os pratos com carne, temos o paté lorrain (à direita), que é feito com carne de porco que foi mergulhada em uma marinada contendo vinho e temperos, envolvida por massa folhada e levada ao forno. Pode ser servido como uma entrada ou pode ser encontrado também no comércio, em formato pequeno, para uma refeição rápida.


A quiche lorraine, (à esquerda), é também um tipo de torta, mas com pedacinhos de bacon, ovos, creme de leite e que pode ser comida tanto em entrada como em substituição a uma pizza, por exemplo, neste caso acompanhada por uma salada. Este prato, eu faço sempre, minha receita está aqui.

Já a potée lorraine é um prato familiar (à direita) que mistura vários tipos de carne de porco defumadas e legumes, como o repolho, salsão, cenouras, nabos, alho porró, cebolas, batatas, etc.

Entre os doces podemos destacar os "macarons de Nancy", "as bergamotes de Nancy", as "madeleines" de Commercy, e a "babá ao rum".

Os macarons (à esquerda) tem este nome porque as freiras que o introduziram na região se chamavam as irmãs Macarons, não quer dizer que tem algo a ver com o macarrão que conhecemos. É um biscoito que tem como base amêndoas em pó e açúcar com baunilha. É vendido em saquinhos em todos as lojas que vendem produtos típicos da região.

As bergamotes (à direita) são balas douradas, quadradas e transparentes, feitas com a essência de bergamota (fruta cítrica da família da laranja). São vendidas acondicionadas em uma lata retangular, com estampas de Nancy.

Quanto às madeleines (à esquerda) são como umas pequenas broas, muito macias e ótimas para acompanhar um café ou um chá.

O babá ao rum (à direita) foi inventado pelo rei Stanislas em pessoa, que adicionou vinho de Málaga a um bolo alsaciano por achá-lo muito seco. Gostou tanto, que a receita foi adotada e se espalhou pela França e pelo mundo, é aquele mesmo que é conhecido aí no Brasil.

Outra coisa que temos excelentes aqui na regiao são os chocolateiros. Os mais famosos são Lalonde e Musquar, os chocolates deles são delicados, finos, uma verdadeira delícia. Musquar realiza também esculturas de chocolate maravilhosas, como esta réplica da Praça Stanislas que eles fizeram para a comemoração dos 250 anos de sua inauguração (foto acima que ilustra o post).



Se falamos de comida, logicamente temos que falar de vinhos e dos álcoois também. Não é uma grande região vinícola, mas um vinho muito gostoso que temos aqui é o "gris" de Toul, um vinho cor de salmão cobreado com preço razoável. Quanto aos digestivos, temos o álcool de mirabelles (um tipo de ameixa típica desta região da França, foto abaixo).



Os produtos frescos compramos principalmente no Mercado Central de Nancy, onde a "Maison Marchand" vende aves e queijos, em um ambiente super simpático (foto abaixo). A carne também, preferimos não comprar no supermercado, temos um açougueiro português (é bom porque posso explicar os cortes que quero, apesar de que em Portugal ele disse que estes também são diferentes). No verão preferimos ir às feiras livres, que são cheias de cores, odores e sabores...

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Deu água na boca, gostaram deste passeio pelas cozinhas da Lorraine? Em breve vamos continuar nosso passeio gastronômico, mas passando em outra região francesa. Aguardem!


Update (04/04/2008)


Como bem lembrou a Laura, nos comentários, a "madeleine de Commercy" foi citada por Proust no seu livro "Em busca do tempo perdido", no qual ele se recorda dos chás de sua infância na casa de sua tia Léonie. A "madeleine de Proust" tornou-se então uma metáfora para descrever a sensação de "reviver" um momento de sua infância.


Update (06/04/2008)

Se as madeleines inspiraram Proust, este post inspirou nossa talentosa poetisa e amiga blogueira Lunna a escrever um conto :

"Caríssima, perdi meus sentidos agora envoltos em sensações diversas - imaginei uma mesa ao ar livre, um chá e muitos petiscos. Uma taça do melhor vinho, eu prefiro um bordô enquanto diálogos se perdem de todas nós...
Cada qual com suas histórias, muitos motivos para rir ou chorar, para festejar ou lamentar.As palavras ficam mais densas após cada gole e há quem se apresse em observar o jovem garçon a partir de sua solidão. O que não se faz para não estar sozinha por alguns momentos.
A felicidade de uma gera inveja momentânea na outra que deseja a vida daquela que narra suas vitórias. Ela ofusca seu fracasso a cada mordida em seu Macarons. As vezes o prazer de se degustar inibe pensamentos inadequados...
E seguem as narrativas. O cansaço fica distante, assim como o mundo, que vez ou outra é espiado lentamente por uma delas.São quatro, se conheceram em diferentes épocas, cada qual com uma singularidade diferente. Cada qual vivia o seu momento e quase não tinham tempo para encontrar-se umas com as outras.Naquela tarde, contudo, veio um convite para um passeio - e tudo começou com um simples post narrando uma deliciosa aventura culinária..."

Não é incrível a interatividade e a criatividade na blogosfera?



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sábado, 8 de março de 2008

Revalorizando o Talento

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Fonte das fotos*

Entre os muitos aspectos nos quais a mulher brasileira precisa ser considerada pelo seu justo valor está sem dúvida sua imagem no Exterior, que aliás foi a origem desta blogagem coletiva. Como isto faz parte da minha vivência aqui na França, vou falar um pouco da minha experiência e talvez dar algumas pistas para lidar com este problema, pois para resolvê-lo é necessário mudar a própria imagem do Brasil.

França, há muitos anos, a rentrée (início anual das atividades) em um laboratório onde uma pesquisadora havia sido enviada pelo seu empregador brasileiro para fazer um curso de especialização. Ela é convocada ao escritório do diretor das pesquisas.

- Bom dia, Professor. O senhor me chamou?

- Bom dia, Mademoiselle. Chamei sim, para falar do congresso em Toulouse onde a senhorita foi em setembro. Como foi até lá? De carro ou de trem? Ficou hospedada na Cidade Universitária? Quantos dias permaneceu fora de Nancy?

- Professor, fui a Toulouse de trem.

Ele toma notas, e pergunta :

- Segunda classe, suponho.

- Não, fui de primeira classe e com couchette (leito), afinal é uma longa viagem. Em Toulouse, não havia lugares na Cidade Universitária, me hospedei no Hotel Victoria.

- Aquele belo hotel na frente da estação? perguntou ele com os olhos arregalados.

- Sim, senhor. E permaneci lá também durante o fim de semana depois do congresso para conhecer a região, e depois fui até Barcelona.

Ele se levantou e muito sério disse :

- Mademoiselle, este laboratório costuma cobrir as despesas de viagem de seus membros, mas a senhorita exagerou. Não podemos pagar viagens de primeira classe ou de turismo!

Calmamente, no seu francês ainda claudicante que tinha na época, ela respondeu:

- Está havendo um mal entendido, Professor. Não tenho a intenção de pedir ao laboratório para cobrir estas despesas. Fui a este congresso por sua recomendação, mas como ainda não havia começado meus trabalhos com sua equipe, meu interesse nele era em relação ao trabalho que faço no Brasil. Além disto, aproveitei para passear.

- Então temos aqui uma rica herdeira, disse ele aliviado, com uma certa ironia.

- Não, Professor, trabalho e vivo de meu salário, mas o que é justo é justo.

Pois isso aconteceu comigo. Acho que ganhei alguns pontos neste episódio, pois alguns meses depois quando ele enviou um relatório ao laboratório onde eu trabalhava no Brasil, ele acrescentou a frase :

..."Ela é junto a nós uma excelente embaixadora do seu país".

Moral da história : cada um de nós é um embaixador do Brasil fora dele, certamente nossos atos afetarão os(as) brasileiros(as) que virão depois de nós. E às vezes, não querer "levar vantagem em tudo", é uma vantagem.

Tive sorte, pois este professor era um gentleman. Pois minha colega que foi para outro laboratório recebeu junto com as chaves da sua sala a seguinte recomendação :

- A senhora está proibida de ter relações "privilegiadas" com seus colegas da minha equipe, não quero confusões aqui. Diante de seu espanto, ele acrescentou : "Conheço a fama das mulheres sul-americanas".

Pessoalmente todas estas insinuações e piadinhas sobre as brasileiras que fazem parte dos nosso cotidiano quando moramos no Exterior não me atingem pessoalmente, mas reajo sempre em nome das brasileiras que conheço e conheci, pois estas às quais estas piadas fazem alusão, eu só ouvi falar, mas me parecem tão diferentes das pessoas que conheço. Nem penso nas brasileiras célebres e conhecidas, pois estas estão consagradas, mas em todas aquelas que em nosso país lutam muitas vezes pela própria sobrevivência, com a cabeça erguida, buscando uma vida melhor para elas e suas famílias.

Tem o caso da Lucilene, vinda de um bairro modesto, que trabalhava de dia e estudava à noite, ajudava seus pais nas despesas da casa e pagava faculdade. Se formou, fez estágio, batalhou emprego e conseguiu. Hoje é uma química de primeira. Esta brasileira eu conheci!

Tem a caso da d. Zefa. Viúva, mão de um rapazinho, morava na favela ali atrás da USP onde trabalhava. Na hora do almoço, corria em casa para ver o que seu filho estava fazendo, para evitar que andasse em más companhias. O rapaz começou a trabalhar, e ela, com mais tempo, começou a se alfabetizar, com quase 50 anos, pois considerava que era sua vez de melhorar de vida. Esta brasileira eu conheci!

Tem o caso da Creuza, faxineira la de casa, mãe de quatro filhos, que foi abandonada pelo marido alcoólatra. Morava na periferia e levava pelo menos 2 horas para chegar até o trabalho. Comprou um "terreninho", como ela dizia, e com as próprias mãos e ajudada por suas crianças, levantou uma casa, pois como o marido era pedreiro, ela havia aprendido a profissão. Esta brasileira eu conheci!

E quantas brasileiras como as Lucilenes, d. Zefas e Creuzas cada um de nós conhece? E todas as outras, mães de família que se batem para educar os filhos? Ou as que fazem carreira nas artes, nas ciências, na economia brasileira, com tanto brilho? Estas precisam ser mais respeitadas dentro do Brasil e fora dele. E é por todas elas que eu reajo quando alguém faz insinuações maldosas sobre as brasileiras.

Moral da história : o lado da mulher brasileira que sempre foi valorizado contrariamente à sua inteligência e sua fibra, foi o seu físico e sua sensualidade (vocês já entraram nas Imagens do Google e digitaram "mulher brasileira"?). A própria mulher brasileira precisa se valorizar mais e mostrar que seus méritos vão muito além destes. Os homens também, precisam enxergar além da imagem exterior e valorizar as outras qualidades da mulher que está a seu lado, seja na vida pessoal ou profissional. E principalmente o governo brasileiro deve mudar de postura, e destacar outros aspectos do Brasil para atrair os turistas estrangeiros, pois tratar suas habitantes como iscas sexuais não é valorizante para país nenhum.


*Fonte das fotos : todas as fotos foram encontradas na Internet usando as palavras-chave "Família" e "Mulheres Profissionais". Não conheço pessoalmente nenhuma das retratadas e elas não estão relacionadas com os fatos relatados no texto. Se você considerar que sua foto foi usada indevidamente me avise nos comentários, que ela será removida imediatamente.




Este post faz parte da blogagem coletiva "Pela Valorização da Mulher Brasileira", organizada pela Meire e pela Lys.




Veja também neste blog :

Irradiando a Liberdade (sobre a vida da grande cientista Marie Curie)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Transparências



Acima vocês vêem a foto do Musée Lorrain. Ele se encontra na parte antiga da cidade de Nancy, um cantinho muito agradável com ruas estreitas e ambiente de vila. E é nele que os convido a entrar comigo para ver a exposição "Transparências", que faz parte do ciclo "História do Vidro". Pois aqui estamos dentro da região onde estão as cristalerias de Baccarat, Daum, Saint-Louis...então tem muita coisa interessante a mostrar e coisas bonitas para ver. Venham comigo...


Soube que a arte do vidro como é conhecida na Europa da do terceiro milênio A.C., e veio da Mesopotâmia!

A propagação desta arte na Europa foi feita pelos romanos, que com suas viagens negociando com outros povos iam difundindo o uso de objetos de vidro.


Pérolas e pulseiras de vidro dos séculos V a II A.C.




Muitos destes objetos de vidro da Antigüidade foram encontrados em sepulturas, pois era costume enterrar os mortos com seus pertences. Este costume foi abolido com a chegada do catolicismo.



Frasco semi-cônico com filetes de vidro do século IV (encontrado em Metz)










A fabricação do vidro é uma arte do fogo...acontece em altas temperaturas. Para se conseguir atingi-las, é necessário argila para construir as fornalhas e muita madeira para alimentá-las. Porisso as grandes regiões vidreiras foram as cobertas de florestas e com depósitos de argila. E que possuíam também minas de areia e de potássio para a fabricação do vidro. A Lorena tinha tudo isto, então a indústria do vidro prosperou na região até a Renascença.



Vaso com trombas e espirais de vidro do século V



A Igreja Católica foi uma grande cliente dos vidreiros a partir da Idade Média, com os vitrais para as catedrais, o que incrementou o desenvolvimento dos vidros coloridos.


Vitral da antiga igreja de Saint Martin em Maxéville do século XVI












Naquela época já havia conchavos : os vidreiros da Lorena aprenderam dos o segredo da confecção dos espelhos que os vidreiros de Veneza detinham em troca do segredo da fabricação do cristal que eles conheciam.



Sabe a diferença entre o vidro e o cristal, além da transparência e do som quendo são tocados? E somente a quantidade de chumbo, quanto mais chumbo, melhor a qualidade do cristal.


Copo à moda de Veneza (começo do século XVII)




No século XVII, os impostos, a guerra, a peste, provocaram uma decadência do vidro na Lorena. Ele voltou a florescer no século XVIII e atingiu seu apogeu no século XIX, quando os objetos de vidro deixaram de ser apenas funcionais e passaram a ser também objetos artísticos, mostrados nas exposições universais, surgindo assim as artes decorativas.


Objetos em vidro e cristal dos séculos XVIII e XIX



E a maior manifestação artística regional foi sem dúvida o movimento "art-nouveau", teve no vidro e o cristal um de seus materiais favoritos, declinando sobre eles as flores, a mulher, a flora e a fauna marinhas...e é com as abras deste movimento que os deixo agradecendo pela companhia, depois deste passeio pela história do vidro da Lorena:









terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Vovô Noel



Aqui no leste da França, as tradições natalinas são meio diferentes das tradições brasileiras e mesmo das outras regiões francesas. Principalmente na Alsácia, elas são inspiradas principalmente nas tradições da vizinha Alemanha. Na Lorena, onde moro, uma das tradições mais importantes é a chegada de seu padroeiro São Nicolau, dia 6 de dezembro.

São Nicolau foi um bispo que viveu no século IV na Ásia Menor, e que perseguido pelo imperador romano Diocleciano. Conhecido por sua generosidade, ele ajudava os fracos e oprimidos, as viúvas, as crianças, e as vítimas de injustiças. Assim ele se tornou o santo padroeiro dos marujos, dos comerciantes, dos viajantes, dos padeiros, dos juristas, dos escolares, da Rússia e também da Lorena.



Sua história é cercada de varias lendas. Numa delas ele ressuscita três meninos que haviam sido mortos e salgados por um açougueiro. Em outra outra, ele salva da ruína uma família, jogando moedas de ouro pela chaminé...o que deu origem à tradição de deixar as meias perto da lareira na véspera do seu dia.

Desfile de São Nicolau pelas ruas de Nancy em 2007


Nesta data, nas escolas são distribuídos biscoitos e chocolates com a forma do santo, mandarinas e laranjas, que são frutas da época. Normalmente, ele chega nas cidades onde é festejado de helicóptero ou em uma carruagem, e percorre as ruas distribuindo doces para a garotada. Mas tem um detalhe importante : ele só oferece os doces às crianças comportadas! Ele é sempre acompanhado pelo Père Fouettard, um velhinho com um chicote que castiga as crianças malvadas...Ele recebe as chaves da cidade das mãos do prefeito e a festa em geral termina com uma grande queima de fogos.


Transformação de São Nicolau em Papai Noel

Quando houve a Reforma Protestante muitos países da Europa abandonaram a tradição da festa de São Nicolau. No entanto, ela foi levada para a América por colonos holandeses e deu origem...ao Papai Noel. Pois tudo é parecido entre eles : a barba branca, a roupa (a de papai Noel é menos "católica", os americanos são na maioria protestantes), as meias na lareira e até o bastão. Mudaram também o meio de transporte, São Nicolau tinha uma mula, e Papai Noel suas renas. Mas São Nicolau é certamente o ancestral de Papai Noel!




quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O Labirinto Vegetal



Segundo a mitologia grega, o labirinto do minotauro projetado por Dédalo estaria situado em Creta, a ilha do rei Minos. Ele teria sido construído para encerrar o minotauro, fruto do amor da rainha Parsifae com um touro. Para evitar que desgraças acontecessem a seu povo o rei deveria sacrifiar jovens anualmente para oferecer à criatura. Até que um dia, Teseu, filho do rei de Atenas se ofereceu para o sacrifício, com a intenção de matar o minotauro. Chegando a Creta, ele se apaixonou por Ariadne, filha do rei Minos, que lhe deu de presente um novelo de lã que permitiria a ele de se orientar no interior do labirinto. Ele matou o minotauro, saíu do labirinto com seus companheiros e partiu pelo mar levando Ariadne, que depois deixou numa ilha, temendo as represálias de seu pai. E voltou a Atenas, onde foi recebido como herói.

Os jardineiros daqui da cidade tiveram a incumbência de traduzir este mito em linguagem floral e mineral. Sim, mineral também, porque como este ano o vidro está em destaque na região, este material deveria fazer parte da composição. Inspirando-se no labirinto da catedral de Reims com sua forma octogonal, eles o realizaram num espaço de 1400 m2 no meio da Praça Stanislas usando grama, plantas diversas, palmeiras, gaiolas, vidro, vasos com jatos d’água, corações rosa e topiarias com bases rotativas. A seguinte organização foi adotada para declinar o tema do labirinto :


A Senda das Topiarias – na entrada, onde ciprestes “montam guarda”

A Alameda das Folhagens – milhares de flores coloridas nas cores do outono

O Passeio dos Vidreiros – canteiros de vidro verde se alternando com canteiros de pequenas folhagens

O Caminho dos Sinos, cujo som deveria desorientar os viajantes – compostos com “pensées” (flores amarelas da família do amor perfeito)

O Beco das Fontes – grandes vasos azuis com jatos d’água

O resultado geral foi muito bonito e se constituíu no “Jardin Ephémère 2007” aqui de Nancy.

E com este jardim efêmero, eu os deixo por algum tempo, pois este blog homônimo estará fechado durante algumas semanas. Pois é, amigos, conseguimos equacionar os problemas que nos retinham em Nancy (tínhamos que fazer ida e volta no mesmo dia) e estamos saindo de férias. "Deixo a chave" para a blogagem coletiva do dia 15, mas não poderei responder aos comentários nem visitar os blogs amigos neste período. Obrigada pela compreensão e espero que não percam o caminho deste jardim devido à esta ausência. Abraços para todos e até a volta!!!


CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E VEJA AS FOTOS DO LABIRINTO




terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Livro sobre a Praça 2007


Fotomontagem : escritora do salão dando autógrafos
Este fim de semana de setembro teve muito movimento aqui em Nancy, tendo como tema o livro. Pois é, livro é coisa séria aqui na França, a "entrada literária" é um acontecimento e dentro de algumas semanas teremos a entrega dos prêmios importantes como o Goncourt, Femina e outros. E aqui em Nancy, acontece o primeiro grande salão do ano, "O Livro sobre a Praça", onde os escritores da França inteira querem ser vistos e entrar em contato com o público para apresentar seus lançamentos. O presidente desta edição era Yves Coppens, o arqueólogo que encontrou Lucy, um hominídeo de 3,5 milhões de anos. Além dele, estavam presentes também várias outras personalidades da política, do cinema, da ciência e da televisão.

Mas aqui em casa, o acontecimento era outro, para nós bem mais importante : o 12° aniversário de casamento no domingo dia 23. Para comemorá-lo, fomos almoçar no restaurante mais simpático da maravilhosa Praça Stanislas. E valeu a pena, apesar de ter pedido um prato frugal pois estive adoentada na semana passada e não estava com muito apetite , a sobremesa foi deliciosa : “Chaud-froid aux mirabelles avec son sorbet aux pain d’épices” (quente-frio de mirabelles com sorvete de pão de especiarias”). Hum, delicioso! E o inesperado de nossa comemoração ficou por conta dos vizinhos no restaurante...devido ao “O Livro sobre a Praça” , nas outras mesas se viam todos aqueles medalhões que a gente vê na televisão, parecia que estávamos num palco, me segurei para não sair pedindo autógrafos (rs).

Depois do almoço fomos dar uma volta no local do evento, quer dizer eu entrei e meu marido ficou me esperando lá fora, ele não gosta de empurra-empurra. Até que não tinha tanto, dava para se aproximar das mesas onde os autores falavam sobre seus livros, o que às vezes é impossível, quando está lotado demais. Mas o pior mesmo é quando não tem ninguém, o que já me aconteceu uma vez que cheguei muito cedo... a gente começa a folhear um livro por pura curiosidade, como só tem você ali, o autor se aproxima para te explicar entusiasticamente a história e como ele a escreveu, e depois... se você não gostou ou não pretende comprar o livro, vai saindo com o maior sorriso amarelo. Tem gente que não liga, mas eu acho chato!

O que comprei desta vez? Alguns livros artísticos, no Museu de Belas Artes, que aproveitando o evento estava “queimando” livros, catálogos e affiches. Quanto ao salão em geral, foi um sucesso retumbante, pois este ano bateu o recorde de vendas de livros de toda a sua existência. Pois é, felizmente parece que os livros ainda tem muito futuro pela frente...


CLIQUE NO PAINEL ABAIXO PARA VER O DIAPORAMA


terça-feira, 18 de setembro de 2007

A Noite do Patrimônio 2007



Na França inteira, no mês de setembro acontecem as Jornadas do Patrimônio durante um fim de semana. Neste dia, monumentos, parques, empresas, públicos e particulares, abrem suas portas gratuitamente ao público. Imaginem que em Paris o presidente Sarkozy em pessoa recebeu os primeiros visitantes do dia que foram conhecer o Palácio do Eliseu, sede da presidência da república. Aqui no interior, numa proporção mais modesta acontece a mesma coisa, todo mundo sai para conhecer lugares que abrem especialmente para este dia e os transportes públicos são gratuitos para facilitar o trânsito.

A parte mais interessante a meu ver é a "Noite do Patrimônio" no sábado. Trata-se de circuitos nas ruas de um bairro, nos quais há paradas e nestas conferencistas ou artistas explicam ou mostram algo relacionado com o lugar, pode ter uma relação com a história da família que mora ali, ou com a arquitetura, ou são artesãos mostrando como eles trabalham. Ao mesmo tempo artistas se apresentam, cantanto, ou contando piadas, ou fazendo números de circo. Cada ano um bairro diferente é selecionado, em geral a prefeitura dá velinhas para que os habitantes coloquem nas janelas, uma iluminação especial nos imóveis que vão ser destacados e guias para informar as pessoas sobre os eventos.

Muito xereta, sábado passado, lá fui eu, com minha amiga Aline, para mais uma "Noite do Patrimônio"...armada com minha máquina fotográfica e seu tripé, que é mais alto do que eu. O resultado foi surpreendente : diante da "imponência" do tripé todos pensavam que eu era uma repórter muito importante e quando eu me aproximava todos abriam espaço para me deixar passar. Me diverti muito neste aspecto, pois em relação ao acontecimento por ele mesmo achei esta noite menos interessante que a dos anos anteriores. O bairro selecionado foi o Centro, mais precisamente a principal artéria comercial da cidade. Logo, não havia habitantes para colocar as velinhas nas janelas, e isto quebrou um pouco o clima.

Começamos nosso périplo pelo mercado, que segundo o programa apresentava uma mesa redonda seguida de degustação sobre a cozinha na época da Renascença. O problema é que os "conferencistas" se instalaram no meio das bancas do mercado, não se escutava o que eles diziam e não vi nada de degustação...consegui assim mesmo algumas receitas da Renascença que eles estavam distribuindo. Havia também grupos de músicos e alguns comerciantes estavam fantasiados para a ocasião, o que me valeu algumas fotos.

Numa outra parada do circuito, eles explicavam como aconteceu o desenvolvimento da cidade que começou há dez séculos. Quais os bairros que se desenvolveram primeiro, quando e porquê. Também explicaram o plano de urbanismo atual da cidade, que deixou construir um prédio de escritórios horrível ao lado da estação de trens. E por falar em trens, eles disseram que devido à chegada do TGV, prevê-se que a população de Nancy vai passar de 150000 a 300000 habitantes nos próximos anos...acabou o sossego!

Em frente à loja de sapatos Bata, eles falaram do modelo social paternalista desta empresa, onde o patrão oferecia residência, escola e lazer para os empregados e suas famílias em cidades construídas em torno das fábricas para este fim. Por outro lado, o empregado gastava o que ganhava no comércio instalado ali pelo próprio patrão e tinha sua vida cotidiana misturada à vida na fábrica o tempo todo. Não sei se no Brasil houve exemplos deste modelo de indústria.

Num outro ponto do circuito, o assunto era um arquiteto quase desconhecido, que fez a transição da art nouveau para a art deco em Nancy. Isto se passava na frente de um banco, cujo prédio foi projetado por ele para ser na época hotel e cervejaria...Fomos andando e diante da Catedral, havia os artesões que trabalhavam com marionetes, a lutherie e a madeira. Nos atrasamos, mas mais adiante conseguimos ver o encerramento do desfile de modas proposto pelo programa. Voltando ainda conseguimos saber quem foi o personagem que dava nome a uma praça é ver a troupe do circo fazendo malabarismos, muito bonito e poético.

E assim depois de quase 4 h andando, pegamos o caminho de volta, com o bendito tripé (e as belas fotos que fiz graças a ele), cansadas, mas acho que valeu a pena.