sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Poder da Palavra


PhotobucketTimidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

Cecília Meireles


PhotobucketRespondendo ao convite da Leonor Cordeiro, participo do "Hoje é dia de Cecília", com este poema no qual esta grande poetisa fala de forma tão acurada do poder da palavra...ou de sua ausência, tão característica da timidez. Pessoalmente já enfrentei (e venci, acho, para provar até declamei este poema para vocês, é a minha voz em off...) este problema da timidez. E você, já sentiu aquele friozinho no estômago, ou as mãos trêmulas diante de certas situações? Alguns dizem que é bom ser tímido, pois se tem um freio natural diante do perigo. O que você acha?


Teste para verificar o quanto você é tímido




Update (09/11/2008)

A Helô, a quem agradeço, nos presenteou com mais um poema de Cecília Meireles nos comentários :


O Amor

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor
são os fortes.
Os que sabem o que querem
e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!!

© Cecília Meireles



E a querida Leonor, que organizou esta blogagem coletiva sobre Cecília Meirelles nos trouxe esta ilustração sobre ela nos comentários :

Sobre o poder da palavra, me lembrei de um poema de Murilo Mendes que Cecília poderia dizer melhor do que ninguém:


A palavra nasce-me
fere-me
mata-me
coisa-me
ressuscita-me

Assim vejo a presença da palavra na vida e na obra de Cecília.Desde criança as palavras ajudavam a organizar a sua vida interior. Chegavam pelas mãos de Pedrina através das suas histórias ou em meio aos abraços de sua avó, pelas lendas e cantigas de terras distantes. Depois brotavam dos livros, quebrando o silêncio e a solidão :“.

(...)
Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.

"Com o passar dos anos, Cecília agora mulher, professora, jornalista, escritora, poeta, mãe, continuava recebendo a presença da palavra para dar cor e forma a sua vida . Algumas se tornaram célebres através dos seus versos:“LIBERDADE é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

”Entre esse poema TIMIDEZ que faz parte do seu primeiro livro e os últimos de SOLOMBRA, a palavra foi costurando todos os seus momentos . E Cecília começa SOLOMBRA dizendo:

“Levantei os olhos para ver quem falava. Mas apenas ouvi as vozes combaterem. E vi que era no Céu e na Terra. E disseram-me: Solombra!”







25 comentários:

Jacinta Dantas disse...

Maria Augusta,
Amo seu jeito bonito e elegante de homenagear a grande poeta Cecília Meireles. Escolha perfeita do poema.
Um abraço

Meire disse...

Lindo!
Grande Cecilia!
Guta, voce como sempre fez uma bela escolha!

Tb participei.

Beijos

Meire

Aninha Pontes disse...

Escolhido com bom gosto.
Um belo poema.
Um beijo

Aninha Pontes disse...

Adorei ouvir sua voz.
Beijos

acqua disse...

A gentileza de Cecília em sua poesia é singular, ela nos remete a um universo que não é o dela exatamente, por mais que a poesia seja segunda pele, a gente se encontra e se perde do outro, no outro que somos nós mesmos. Quanto a timidez, creio eu ser uma questão muito íntima, afinal, é uma forma de silêncio. Já fui assim quando mais nova e ao invés de dizer o que precisava, aprendi a escrever. Então não tenho do que reclamar, foi uma saída necessária de alguma forma ou hoje eu seria uma outra que não essa.
Abraços meus e grata por mais esta excelente postagem... Eu confesso que viajei no meu post...

EternaApaixonada disse...

*****

Uma linda homenagem, num post perfeito! Parabéns!
Grande abraço cá do outro lado do mar.
Helô Spitali

*****

Eduardo P.L disse...

Maria Augusta,

bela participação! Som, ótimo!

acqua disse...

Voltei...
Adorei o poema interpretado por ti. Não tinha consigo ouvir na outra vez devido a algum problema no navegador, agora sim: ouvi.
Gosto da interpretação pessoal que a gente se permite ao ler, dá para perceber os sons que nos tocam e tudo que fica na pele. Sensacional. Beijos meus

Ps. Tenho uma colega dos tempos colegiais que chama-se Augusta (Guta como é chamada pelos amigos) que está indo morar na França e falou-me dos jardins de Nancy, não pude não lembrar-me de ti... Ela parecia encantada com toda aquela beleza. Brinquei em meus pensamentos "deve ser coisa do nome". rs... Beijos

Georgia disse...

Maria Augusta, ouvir sua doce voz neste poema de Cecília me pareceu que Cecília tinha essa mesma voz, quem sabe.

Uma ótima escolha.

Parabéns!!!

Um grande beijo e bom fim de semana

luzdeluma disse...

A sua voz é doce - e não haveria de ser??

Boa blogagem!!

Beijus

Vanderson Freizer disse...

Muito bom texto... tenha um bom fim de semana.

Denise BC disse...

Bom Dia Maria Augusta.
Uma escolha impecável.
A timidez está presente na vida de muita gente, e nem sempre é benéfica, eu pessoalmente já sofri muito com ela.
Bjs

disse...

Maria Augusta ...que delícia poder ouvir tua voz novamente...lindo poema de Cecília eu que sou sua fã absoluta...Timidez ..acho que todos em algum momento já teve lidar com ela....sempre uma vitória....Mil beijos e um ótimo fim de semana.

HelianaBastos disse...

Aewww estamos unidos para Homenagear nossa querida e INESQUECÍVEL Cecília Meireles!

hum,algo me chamou atenção no seu blog:CULTURA FRancesa!!!Adooooro!

bom final de semana recheado de C.Meireles :)

Esther disse...

Parabéns pela belíssima postagem!!!

e seu espaço é especialmente inspirador,

a bientôt,

Só- Poesias e outros itens disse...

Maria Augusta, quantas surpresas hoje. Ouvir esse lindo poema e conhecer sua voz. Um presente para mim. Adorei. Parabéns pela escolha.
Timidez... sempre há os dois lados, esta que você fala que dá a medida certa do envolvimento, e a timidez que impede de se relacionar, e pode ser doentia por manter isolamento, falta de contato.
Tudo que é demais possui seus lados negativos de evidência.

bjs.

JU Gioli

Ana Carolina Braga disse...

Olá! Obrigada pela visita e pelo comentário!

Que linda homenagem que tu fizeste para Cecília Meireles! Sua interpretação com o audio ficou linda também! ;) Parabéns!

Confesso-te que eu não conhecia esta poesia, este lado tímido de Meireles...

Ah, adorei o teste também! =) Sou uma tímida convicta! rs

Amei o seu blog!

Beijos!

EternaApaixonada disse...

*****

Um mimo para esta noite:

O AMOR

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor
são os fortes.
Os que sabem o que querem
e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!!

© Cecília Meireles

Tenha uma linda noite! Doces sonhos!
Beijos

Helô

*****

Maria Augusta disse...

Jacinta, obrigada, também gostei muito de tua escolha e de teus poemas que li lá no teu cantinho.
Beijos.

Meire, também gostei de tua participação com o poema declamado pelo Paulo Autran.
Um grande beijo.

Aninha, você é um doce, obrigada por ter voltado para comentar sobre a voz!
Um grande beijo.

Lunna, os poetas sempre podem driblar a timidez dizendo as coisas por meio de versos...e os blogueiros através dos posts (rs).
Gostei muito da forma poética como você introduziu os poemas de Cecîlia Meireles.
Quanto à tua amiga, também tive uma xará aqui há alguns anos, parece que a França atrai as Augustas...
Beijos.

Helô, obrigada, também gostei do teu cantinho, achei muito poético. E obrigado por ter voltado para nos brindar com mais este lindo poema.
Abraços.

Eduardo, muito obrigada, quanto ao som...é muita gentileza sua dizer que ele é ótimo (rs).
Abraços.

Georgia, às vezes fico imaginando se o poeta que escreveu os versos o leria como nós, realmente.
Um grande beijo.

Luma, obrigada, mas acho minha voz é meio infantil, preferia ter uma vos mais "séria" (rs).
Beijos.

Vanderson, realmente os textos de Cecília Meireles são ótimos.
Um bom fim de semana para você também.

Denise, é verdade, quando ela é exagerada, a timidez bloqueia uma pessoa, precisa ser tratada.
Obrigada pela visita e um grande beijo.

Vi, achei divertido declamar o poema, quando estava na escola adorava fazê-lo.
É verdade que quando vencemos a timidez temos uma sensação de vitória.
Um grande beijo.

Heliana, esta homenagem à Cecília nos fez descobrir novos blogs, é genial!
Abraços.

Maria Augusta disse...

Esther, muito obrigada, volte sempre.
Abraços.

Ju, é mesmo, tudo tem dois lados e o que é exagerado sempre causa problemas.
Um grande beijo.

Ana, escolhi este poema porque não é um dos mais conhecidos da Cecília Meireles e porque fala sobre um problema presente em muita gente.
Obrigada pela visita e pelo comentário.
Abraços.

Helô, que lindos versos sobre o amor, obrigada para trazê-los aqui para o Jardin.
Abraços.

Cadinho RoCo disse...

O tal do friozinho na barriga é sinal de muitos significados. Na timidez somos induzidos a reagir. Não sei o que acontece com os mais tímidos, não me incluo nesta condição, mas creio haver momentos de timidez em qualquer um de nós.
Cadinho RoCo

Sonia Regly disse...

Adorei seu Blog,adorei ler mais sobre Cecília.Eu também participei da Blogagem Coletiva.Passe por lá, conheça o Compartilhando as Letras.Vai ser uma honra!!!!

http://evelyns-place.com/compartilhandoasletras/

expressodalinha disse...

Fiz o teste. Sou ligeiramente tímido de vez em quando e, pior, aprendi a controlar-me!!! E eu a que digo a toda a gente que sou tímido?!

Leonor Cordeiro disse...

Querida Maria Augusta,

É sempre um presente passar por aqui. Como foi agradável além de ler a sua postagem, ouvir a sua voz interpretando o poema .

Sobre o poder da palavra, me lembrei de um poema de Murilo Mendes que Cecília poderia dizer melhor do que ninguém:

A palavra nasce-me
fere-me
mata-me
coisa-me
ressuscita-me

Assim vejo a presença da palavra na vida e na obra de Cecília.

Desde criança as palavras ajudavam a organizar a sua vida interior. Chegavam pelas mãos de Pedrina através das suas histórias ou em meio aos abraços de sua avó, pelas lendas e cantigas de terras distantes.
Depois brotavam dos livros, quebrando o silêncio e a solidão :

“. (...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

Com o passar dos anos, Cecília agora mulher, professora, jornalista, escritora, poeta, mãe, continuava recebendo a presença da palavra para dar cor e forma a sua vida .
Algumas se tornaram célebres através dos seus versos:
“LIBERDADE é uma palavra que o sonho humano alimenta,
não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”

Entre esse poema TIMIDEZ que faz parte do seu primeiro livro e os últimos de SOLOMBRA, a palavra foi costurando todos os seus momentos .
E Cecília começa SOLOMBRA dizendo:

“Levantei os olhos para ver quem falava. Mas apenas ouvi as vozes combaterem. E vi que era no Céu e na Terra. E disseram-me: Solombra!”

Um grande abraço !
Com carinho,

Leonor Cordeiro

Maria Augusta disse...

Cadinho, é verdade que todos em certos momentos nos sentimos pequeninos, mas é sempre uma vitória quando suplantamos esta sensação, né?
Abraços.

Sonia, passei lá no teu blog, ele é realmente muito interessante e dinâmico.
Abraços.

Jorge, não vamos contar para ninguém que você é tímido, tá (rs)?
Abraços.

Ana Carolina, poucos tímidos admitem que o são, mas é verdade que isto pode ajudar em certas ocasiões, uma pontinha de fragilidade tem o seu charme, não é mesmo?
Beijos.

Leonor, parabéns pelo sucesso desta blogagem coletiva, aprendi muito sobre Cecília Meireles nela. E obrigado pelo comentário com todas estas informações suplementares, ele já foi incorporado ao post.
Beijos.