quinta-feira, 31 de julho de 2008

Os Cavaleiros dos Montes Celestes

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Nossa caravana seguindo a Rota da Seda chega às vastas extensões da Ásia Central, cercadas por brancos picos cobertos de neve, e pontuado por lagos cristalinos, onde vivem os povos nômades. E como « um nômade sem cavalo é como um pássaro sem asas » eles são exímios cavaleiros, e no passado foram guerreiros destemidos, que aperfeiçoando a arte equestre, se lançaram sobre os povos sedentários, conquistando impérios e espalhando o terror, como no caso de Genghis Khan, ou dos hunos de Átila. Diz a lenda que as amazonas também teriam pertencido a estas tribos nômades, o que teria sido confirmado por descobertas de túmulos de mulheres com pernas arqueadas e contendo espadas e flechas (elas queimariam o seio esquerdo desde crianças para facilitar o manuseio de armas e matariam todas as crianças de sexo masculino ao nascer...).

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Mas hoje os povos nômades são pacíficos pastores, que criam seus cavalos, cabras, camelos, carneiros, yacks, e seguem os ciclos da natureza deslocando suas moradias e rebanhos em função das estações do ano. Eles se espalham pelas estepes do Cazaquistão e pelos campos aos pés dos Montes Celestes no Quirguizistão, sobre os quais vamos nos concentrar, embora eles se encontrem também na Mongólia e em outros países da Ásia Central.

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Suas habitações são os yourtes, que são tendas que apresentam uma estrutura de madeira circular dobrável (como um guarda-chuva) , que pode ser facilmente montada e desmontada. Esta estrutura é recoberta de feltro e fixada ao solo sem pinos. Ela pode ter até 20 m2 de superfície e apresenta uma "tampa" chamada a abertura da fumaça, para permitir uma melhor aeração. A porta em geral é colocada voltada para o sul, "para deixar entrar o calor e os bons amigos". As paredes interiores e o solo do yourte são revestidos de tapetes variados de feltro, de veludo ou trançados com os juncos da estepe, tudo muito colorido, assim como também são coloridos seus trajes cerimoniais e cotidianos. Dentro de um yourte, "o fogo deve estar sempre aceso para aquecer o ambiente e espantar os maus espíritos"...

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A hospitalidade destes povos é legendária, as portas estão sempre abertas para receber os visitantes que tem um lugar de honra e partilhar com eles as refeições. Estas, são à base de carne e de derivados do leite, pois eles são pastores, acompanhados de batatas (que cresce nas montanhas) e de cereais, que eles compram junto aos sedentários. Um exemplo de prato é o "kouyrdak", assado de fígado, pulmões e carne de carneiro com batatas, e como entrada pedacinhos de fígado cozidos com a gordura da cauda do deste animal (!!!).

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Atualmente a vida nômade no Cazaquistão e no Quirguizistão tende a se reduzir cada vez mais, a maioria mora em seus yourtes no verão e para o inverno possui uma casa na cidade. Durante os anos de dominação soviética, grandes esforços foram feitos para sedentarizar a população, criando cidades nas terras antes dedicadas ao pastoreio. Nesta transição a população cazaque, por exemplo, sofreu grandes perdas, se reduzindo à metade. Muitos dos testes nucleares soviéticos foram realizados neste país, e é nele que se encontra a base de lançamentos de naves espaciais soviéticas, Baikonur. Tanto o Cazaquistão quanto o Quirguizistão são independentes desde o começo dos anos 90, e tentam se modernizar conservando suas culturas. Por exemplo, o novo e moderníssimo aeroporto de Almaty (abaixo), no Cazaquistão, terá a forma de um triplo yourte...

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E com esta música do filme cazaque "Nômade" que lembra suas cavalgadas, nossa caravana retoma a Rota da Seda e chega às fronteiras da China, onde nossa próxima escala e destinação final será a cidade de Xian' para visitar "Os Guerreiros da Eternidade". E pé na estrada!




Alto da Página

18 comentários:

Lunna Montez'zinny disse...

Bom dia Maria Augusta, nada como um pouco de história e cultura numa manhã de nuvens espalhadas pelo céu e raios de sol brincando de reluzir. Seus posts estão cada vez mais convidativos.
Fiquei aqui a imaginar como surgiram as diferentes culturas de todos esses povos. Tão próximos e ao mesmo tempo tão distante. A riqueza que existe mundo afora é realmente incalculável.

Ps. Aproveito para parabenizá-la por mais um prêmio dedicado ao seu blog, com certeza merece.

Abraços a você caríssima...

sonia a.m. disse...

Maria Augusta,
Fiquei encantada com a beleza desta reportagem! Parece que estou lendo a National Geographic e vendo documentários. Achei ótimo o recurso que você usou para a mudança das fotos. Ficou muito dinâmico!
Obrigada por partilhar e ter todo esse trabalho para apresentar mais um capítulo da série Rota da Seda.
Beijos.

Eduardo P.L. disse...

Uma VERDADEIRA epopéia essas suas postagens! Com elas vc inscreve seu blog DEFINITIVAMENTE como um dos mais importantes da língua portuguesa!

Parabéns.

Maria Augusta disse...

Lunna, teus comentários sempre poéticos...
As culturas destes povos são realmente muito distantes da nossa, será que um dia a mundialização vai alcançá-los?
Um grande beijo.

Sonia, obrigada, coloquei um pouco de movimento porque queria dar uma sensação de "cavalgada", pois os cavaleiros são o tema do post.
Não é trabalho prepará-los, mas um prazer, pena que nem sempre tenho tempo, esta série foi praticamente limitada ao mês de julho.
Um beijo.

Eduardo, é muita gentileza sua, também considero o Varal um dos blogs mais importantes na lingua portuguesa e nas artes. Um abraço.

Isabel-F. disse...

uma maravilha o teu post.

adorei o passeio que me proporcionaste.

obrigada.


beijinhos e bom fim de semana

disse...

maria Augusta com estas postagens ,vc passa para um outro patamar...mais do que nunca merecedora deste prêmio de melhor blog...Adorei saber dos detalhes sobre as Amazonas...sempre fui fascinada por esta histórias e lendas
beijo e bom fim de semana

camille disse...

Que coisa mais linda. É bom saber que a humanidade é tao vasta e tao diferente em sua cultura, vida, enfim, que o mundinho é maior do que parece. Lindo post.
Beijos,
Cam

Ruvasa disse...

Viva, Maria Augusta!

Um prazer enorme o post.

Não conheço o Cazaquistão nem o Kirguistão, nem o Uzbequistão nem nenhum outro "...quistão". O mais perto que estive de qualquer deles, foi na Turquia, na Índia, no Nepal, no Tibete e na China, pelo que tenhpo andado a rodear.

Mas confesso que sinto uma enorme atracção por eles. Como, aliás, por todo o Médio Oriente e pelo Extremo Oriente. Também pelo Próximo Oriente, enfim!

Fico a aguardar o próximo. Não o "oriente"; o post!

Abraço

Ruben

Osc@r Luiz disse...

Nossa!
Vou ter que mudar o meu estilo de vida.
Vou precisar viver uns 200 anos para conhecer tantas coisas belas e interessantes...
Que maravilha... Quanta diferença para o nosso stress do dia-a-dia, de trânsito, impostos, correrias...
Aliás, uma hora ou outra, me ensine a fazer essas imagens que se alternam.
Seu post ficou belíssimo.
Ainda mais com o laranja que eu adoro, no fundo.
Parabéns!
Um beijo.

Maria Augusta disse...

Isabel, que bom que você gostou, lembrei de você quando fiz os gifs animados, pensei como gostaria de saber dar os efeitos que você faz.
Um beijo.

Vi, obrigada, na verdade não é um prêmio, é uma indicação, para ganhar teria que fazer uma "campanha eleitoral" e não tenho jeito para isto. Mas fiquei muito contente com a lembrança da Luma.
Beijo.

Camille, realmente existem culturas tão diferentes da nossa, desta dos nômades acho interessante pois eles seguem os ciclos da natureza.
Um beijo.

Maria Augusta disse...

Ruben, vejo que você é um grande viajante e que conhece bem a Asia. Eu nunca estive neste continente, mas pesquisando para esta série Rota da Seda me deu vontade de ir conhecer. Conforme sua "orientação" vou procurar não "orientar" o post (rs).
Um abraço e obrigada pela visita.

Oscar, deve ser realmente "zen" o estilo de vida deles, ir buscar a comida lá onde a natureza dá...Quanto às imagens são gifs animados, fiz com o Paint Shop Pro, mas há vários outros softwares que são freeware e que as fazem também. Obrigada pela visita e um abraço.

disse...

Maria Augusta ...Aqui estamos quase todos sem saber o que está acontecendo ...`VÁRIOS BLOGS inclusive Varal, Boa leitura noVÍ tá e tentos outros estão CENSURADOS ...aparece um quadro dizendo que a internet explorer não temmp ermissão para abrir o blog...loucura estamos todos na espera....Que bom vc é um dos que está em ordem ...Não temos idéia do porque alguns abrem e outros não o VÍ abre normal e o Vision também( ????? 0Tente daí e se puder deixe uma notícia no VÍ...deixei um aviso lá...beijos da blogueira desconsolada....!!!!

disse...

Obrigada Maria Augusta ,parece que o problema foi solucionado...foram tantas as reclamações no Forum do Blogger que deve ter dado resultado..beijo e bom fim de semana.

Dora disse...

Maria Augusta. Visitar seu espaço, ou seu blog, é como assistir a um belo documentário. São imagens tão expressivas, vídeos interessantes, textos explicativos sempre claros e didáticos...
Fico emocionada não só com o conteúdo e a forma dele...mas com o seu zelo, organização, capricho e, eu digo também...seu carinho para com seus leitores.
A gente aprende, se diverte, reflete, viaja, enfim, se deleita com você e seus posts.
Você merece nosso apreço e nossa gratidão.
Amei esses nômades! E seus hábitos, sobretudo, sua hospitalidade aberta!! E queria que não se tornassem sedentários.
Eu deixo a você meu abraço e minha admiração!
Dora

Francine Esqueda disse...

E que viagem... Imagens maravilhosas!!!
Eu estou atolada de trabalho e compromissos, por isso passo rapidinho, para dar aquela fuçada básica e agradecer sua super visita. É sempre uma honra, viu???
Beijos e...
Aproveite o domingão

Maria Augusta disse...

Ví, ainda bem que o problema foi solucionado, né? Que susto!
Beijos.

Dora, obrigada por suas palavras, os posts desta série tem ficado longos, mas tento colocar belas imagens e isto a ajuda a "viajar". É um tipo de vida difícil de imaginar para nós, mas muitos morreram quando foram obrigados a se sedentarizar, concordo quando diz que o melhor é deixá-los viver como nômades.
Um beijo.

Francine, obrigada pela visita, gostei muito do teu texto sobre "mudanças".
Um beijo.

Georgia disse...

Maria Augusta, em casa finalmente depois de um longo fim de semana na Suica na casa dos meus sogros.

Mas esses seus slides aqui me fez sentir uma Amazonas. Cavalguei pelas montanhas. Que mun-do fas-ci-nan-te, eu nao me canso de te dizer. Estas suas postagens estao maravilhosas. Quanto capricho e quanta precisao em cada passo. E fora disso o tempo para elaborar e colocar tudo isso aqui para nós seus leitores. Eu só tenho a dizer: Muito obrigada por este presente. Parabéns!!!

Imagina você, cortar o próprio seio esquerdo para se tornar uma Amazonas no futuro. Será que nenhuma delas sofreu de depressao como às mulheres do nosso século? Fiquei imaginando isso. Como a diferenca cultural nos leva a tomar certas atitudes...

O Daniel desde o Jardim de Infância e agora na sala de aula dele tem uma amiguinha que veio do Casaquistao e a mae sempre nos contava algumas histórias da montanha da regiao de onde ela vem. Agora é a vez da Vivi que está na mesma escolinha, mas com a prima dessa menina. Você precisa ver quando fazemos festa internacional como essas criancas vêm. Uma beleza com essas roupas especiais.

Grande beijo e boa semana

Maria Augusta disse...

Georgia, que riqueza que teus filhos convivem com pessoas de culturas tão diferentes, acho que é uma grande vantagem para eles no futuro.
Quanto às amazonas, acho que esta parte que elas cortavam os seios deve ser lenda, mas parece que as mulheres da região são excelentes cavaleiras e sabem lutar como os homens.
Que bom que você gostou desta série, para mim foi muito gratificante fazê-la, pena que tenho que concluí-la pois como você disse ela necessita de tempo para preparar e montar os posts.
Um grande beijo e obrigada a você por me acompanhar nesta aventura virtual.