terça-feira, 17 de julho de 2007

Caminhando



Finalmente o sol de verão apareceu na França...foi como um presente para o dia da festa nacional, o 14 de julho. Fora os fogos de artifício, não vi muito das comemorações, embora saiba que elas foram animadas, talvez por causa da volta do tempo bom, talvez devido à esperança que reina no início de cada novo governo.

Aproveitei as manhãs para caminhar, gosto de andar nas encostas que rodeiam a cidade. É unir o útil ao agradável, pois já cheguei a perder 5 kg em um mês, só subindo estas ladeiras...E um dos meus passeios a pé favoritos é aqui pertinho de casa, num cantinho que se chama "Vandoeuvre Village". Ele fica meio isolado da agitação da cidade, protegido pela sua própria geografia, pois com sua subida íngreme parece desencorajar muitos de ir até lá, mesmo o progresso e a "civilização".

Chegando ao pé da ladeira já começamos a nos encantar. O casario baixo com flores nas janelas, os lampadários que ladeiam a rua. Começamos a subir e as surpresas vão aparecendo...primeiro um "lavoir" (foto à esquerda), que é uma espécie de tanque coletivo onde as mulheres iam lavar roupa no passado. Ele está lá, em perfeito estado, mas com os dizeres "Agua não potável". Claro que atualmente ele é puramente decorativo, com vasos de flores pendurados ao redor.

Subimos mais um pouco (ai, ai, a subida é dura!) nos deparamos com um "abreuvoir" (foto à direita). É um ponto d'água onde os cavalos vinham matar a sede antigamente. Agora ele foi reciclado em fonte e também enfeitado com vasos de flores. Muito charmoso!

Mais acima na ladeira, encontramos uma igrejinha (foto à esquerda). Imaginem que ela foi construída em 930! A estátua de um dos santos padroeiros, Saint Melaine, data do século XV. Ela contem várias outras imagens e belos vitrais que são patrimônios históricos, de tão antigos.

A esta altura da subida, as pernas já pedem socorro, o fôlego já desapareceu. Se a coragem ainda permite, subimos até o topo, onde se encontra um parque de pinheiros. Mas se não dá mais, o jeito é "sair pela tangente" por uma das transversais, que também são pitorescas, em uma delas está indicada uma antiga mina que enviou ferro para a construção da torre Eiffel. E depois, "rolar" ladeira abaixo, de volta à agitação da cidade.

O que mais me agrada neste passeio é o ambiente de vila que reina neste canto da cidade. As pessoas que cruzamos, embora desconhecidas, sempre nos sorriem, cumprimentam e às vezes até puxam um dedinho de prosa : "Que dia bonito, não, madame"? "Vou comprar pão, será que a padaria está cheia?" E isto não tem preço, é raríssimo tanto nos outros bairros de Nancy, como em outras cidades que conheço.


Este village apaixonou muitos artistas. As fotos destes post são reproduções obtidas no livro "Vandoeuvre Coup de Coeur" (de Danièle Verdenal-Joux) dos seguintes quadros inspirados nele :

Aquarela "Le village en 1920" - Léon Husson
Nanquim "A descida vertiginosa da rua Pasteur" - René Haguenauer
Aquarela "Le Lavoir au Tonneau" - Christiane Colin
Pintura "A casa, rue Pasteur, onde viveu Eugénie Bergé - Eliane Ragot
Aquarela "Uma esquina da rua Pasteur - Jean-Louis Zimmermann



19 comentários:

Flavia Sereia disse...

Nossa imagino que bela paisagem e vista.

bjs

Meire disse...

Fazer um passeio destes nao tem preço..
bjs

Contra-pontos disse...

Que belo jardin,
adorei conhecer este espaço.
Agradeço o seu comentário no varal.

Bjs,

Jugioli

Eduardo P.L. disse...

Lugar mágico. Inspira qualquer mortal.

Abçs e viva o SOL.

Samantha Shiraishi disse...

Cara amiga, que passeio deliciosamente aquariano, hein? Gui e eu sempre gostamos destes passeios a pé para fora da cidade também para descobrir lugares inusitados e belos. Fizemos muito isto nas cidades em que moramos no Japão e às vezes até em Sampa passeamos. O bairro onde moro ainda tem esta gentileza humana que nos permite cumprimentar conhecidos com cordialidade e aos poucos fazer amizade com o que está à nossa volta.
Aqui vivemos o contrário: o sol se foi, mas a chuva nos trouxe um ar mais respirável!

Sonia disse...

Que passeio bucólico. Fiquei só imaginando. Se bem que de passeios estou bem servida, embora rodeada pelo asfalto. Subir a Pedra do Arpoador para ver o pôr-do-sol, por exemplo.

Meire disse...

Bom dia flor do dia!

Meire disse...

Bom dia flor do dia!

Lina disse...

Olá Maria Augusta,

Aqui estou eu de volta! nÃO 100%, mas com tanta coisa para fazer, nem dá para ficar muito tempo afastada.

Que passeio delicioso! Eu adoro caminhar por lugares assim, principalmente charmosos e singelos.

Onde vivo, as pessoas também mantém esse hábito de cumprimentar estranhos e puxar uma conversinha...

Beijos e um bom dia!

Maria Augusta disse...

Sereia, realmente o panorama vale o esforço da subida. Um beijo.

Meire, aí na Itália também deve ter muitos cantinhos como este, né?
Um beijo.

Jugioli, seja benvinda, uma honra para mim receber a visita de uma grande artista como você aqui no Jardin, espero que volte sempre. Beijos.

É, Eduardo, tem lugares mágicos que inspiram os artistas como Ibiraquera, por exemplo...Um abraço.

Sam, verdade que aí em São Paulo sempre se encontra cantinhos charmosos onde menos se espera. E que bom que no teu bairro existe esta convivialidade entre os moradores. Saudações aquarianas (rs)!

Maria Augusta disse...

Sonia, realmente no Rio vocês estão bem servidos para fazer passeios interessantes. Um beijão.

Meire, bongiorno!

Lina, que bom que você está melhor, mas vai com calma até se recuperar bem, né? Que legal que você mora em um lugar onde os moradores são simpáticos. Beijos e um bom dia para você também.

Mário disse...

Deve ser uma caminhada encantadora mesmo. E, aliás, andar só faz bem. Agora andar por este visual que você tão bem descreveu, deve ser uma delícia e permitir reflexões profundas sobre a vida como um todo.
Abraços,

luma disse...

Deve ser mágico! As reproduções parecem de cidades em miniatura. Cenários de filmes antigos. Lindas! Vale a "pernada"! Beijus

Osc@r Luiz disse...

Gente!
Que espetáculo!
Você já se deu conta do quanto é privilegiada?
Nossa!
Quem sabe um dia ainda terei o privilégio de caminhar por um lugar assim. Quando caminho, aqui em Várzea Grande-MT, às vezes preciso descer das estreitas calçadas por estarem tomadas por lixo, cães errantes... As ruas estão cheias de buracos e é arriscado torcer-nos o pé.
Agradeça a Deus todos os dias esse privilégio, querida amiga. É o mínimo que pode fazer diante de tamanho paraíso no "quintal da sua casa".
Um beijo!

Maria Augusta disse...

Mario, você tem razão, enquanto caminhamos temos a oportunidade de refletir sobre o sentido das coisas, principalmente quando temos diante dos olhos estes lugares testemunhos de outras épocas e de tantas lutas. Um abraço.

Luma, vale a pena o esforço sim, é mais agradável que fazer ginastica numa academia. Um beijo.

Oscar, depende do ponto de vista. Se pensarmos no lado "contato com a natureza" o privilegiado é você aí em Varzea Grande-MT. Um abraço.

Lunna disse...

Hoje, enquanto fazia sol, caminhei por Gênova, mesmo não gostando do verão... Prefiro o outono e suas folhas.
Bem, enquanto caminhava ficava a observar os prédios antigos e ruas estreitas. O porto trouxe mudanças para a cidade, mas algumas coisas ainda são as mesmas e o sol deu uma tonalidade diferente aos eternos tons pastéis que há por aqui. Foi então que avistei uma casa azul. A única que há por toda a cidade. Fiquei com medo. (risos) Aquelas pessoas devem ser incríveis. Já imaginou? Bem, a casa azul é de um artista plástico que já foi multado porque ousou mudar a eterna cor pastel de suas paredes.
O que isso tem haver com seu post? Não sei, mas ao ler veio essa lembrança gostosa da tarde de ontem.
Beijos

Maria Augusta disse...

Lunna, o outono também é minha estação favorita aqui. Todas aquelas cores das árvores, mesmo a luz do dia é diferente. Que bom que este post te trouxe uma lembrança gostosa. Um beijo.

Laura disse...

Delícia andar por ai, adorei a 1ª aquarela. bjs laura

Maria Augusta disse...

Laura, a primeira também é a minha preferida. Obrigada pela visita e um beijão.