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sábado, 30 de agosto de 2008

Da Selva às Telas

Ela foi liberada há apenas poucas semanas, mas já existem vários projetos para a realização de filmes e documentários sobre sua vida e seus anos de cativeiro e ela mesma deseja escrever uma peça de teatro a este respeito. Uma pesquisa foi realizada aqui na França para escolher a artista que poderia desempenhar o papel de Ingrid Betancourt e os nomes abaixo foram citados. Você, qual delas escolheria para este papel?




Esta é nossa pequena pesquisa para o fim de semana. Como as férias de verão terminaram por aqui na semana que vem falaremos de coisas sérias, com duas blogagens coletivas sobre o meio ambiente (veja na sidebar). Bom fim de semana para todos!



Update 01/09/2008

Obrigada pela participação na nossa pequena pesquisa do fim de semana. A Georgia me perguntou em quem eu votaria. Pois meu voto vai para a Cristiana Reali, um pouco por chauvinismo (ela é brasileira, filha do jornalista Reali Jr.), mas principalmente porque é uma grande atriz e tem aquele jeitinho afetuoso das sul-americanas, que se percebeu também nas declarações da Ingrid Betancourt.

Então os resultados foram :


Juliette Binoche - 6
Isabelle Adjani - 3
Sylvie Testud - 1
Clotilde Courau - 1
Carole Bouquet - 1
Kristin Scott Thomas - 1
Cristiana Reali - 1
Ingrid Betancourt - 1


Logo, para os amigos do Jardin, Ingrid Betancourt seria representada na tela pela excelente Juliette Binoche.


terça-feira, 20 de maio de 2008

Cannes 2008



Update 25/05/2008

Palmarès do Festival de Cannes 2008 :

Palma de ouro : Entre as paredes, de Laurent Cantet.

Grande prêmio : Matteo Garrone, por Gomorra.

Prêmio especial : Catherine Deneuve (atriz francesa) Clint Eastwood (ator - realizador americano), pelo conjunto de suas carreiras.

Prêmio de direção : Os Três Macacos, de Nuri Bilge Ceylan

Prêmio do juri : Il Divo, de Paolo Sorrentino.

Prêmio do roteiro : O Silêncio de Lorna, dos irmãos Dardenne.

Prêmio de interpretação féminina : Sandra Corveloni (atriz brasileira), por seu papel em Linha de Passe.

Prêmio de interpretação masculina : Benicio Del Toro (ator americano), pelo seu papel de Ernesto Guevara em Che.

Câmera de ouro : Hunger, de Steve McQueen.

O grande evento daqui no momento é o Festival de Cannes, que festejou seu 60° aniversário no ano passado. Como todos os anos, os olhares do público, da mídia e da crítica estão voltados para a "Croisette", onde todos querem ver e serem vistos, afinal Brigitte Bardot, por exemplo, despontou para o mundo devido a este festival. Entre as estrelas presentes estão Clint Westwood, Angelina Jolie, Cate Blanchett, Harrison Ford, Penelope Cruz, Scarlett Jannson, Natalie Portman, Catherine Deneuve, Steven Spielberg, George Lucas..

Mas apesar da "glamourização" do festival, com a mítica subida da escada e do desfile sobre o tapete vermelho, se trata mesmo é de um festival de cinema. E neste ano há 22 filmes concorrendo (lista completa aqui), sendo que ele foi aberto com um filme brasileiro chamado "Blindness". O júri que terá a difícil tarefa de escolher os melhores é presidido por Sean Penn e conta entre outros com Natalie Portman (Leon, Star Wars), Alfonso Cuaron (realizador de Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban) e Sergio Castellito (Le Grand Bleu).

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Mas participar e/ou vencer o festival de Cannes é uma garantia de sucesso para um filme? Nem sempre. Vejamos alguns casos. Sem dúvida, o maior sucesso de bilheteria entre os que receberam a "Palma de Ouro" foi o filme "Apocalipse Now" de Francis Ford Coppola, uma violenta crítica à guerra do Vietnam. Também nesta linha de crítica às guerras, MASH também foi bem recebido pelo público. Um outro grande sucesso foi "Um Homem, uma Mulher" com Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant, afinal quem não se lembra da famosa trilha sonora "chabadabada"? Ou a "Lição de Piano". No entanto, alguns fracassos retumbantes de bilheteria aconteceram entre os vencedores, como nos casos de Underground (1995), "A Eternidade e um Dia" e "O Homem de Ferro"(1981).

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Os escândalos de Cannes também são célebres. "La Dolce Vita" de Federico Fellini foi execrado pela Igreja Católica e vaiado pelo público em Cannes, no entanto a cena na qual Anita Ekberg se banha nua na "Fontana de Trevi" se tornou uma das cenas míticas do cinema. Um outro aconteceu em pleno maio de 1968 quando François Truffaut e Jean-Luc Godard se manifestam contra o poder vigente e o festival acabou por ser anulado. E o caso de Isabelle Adjani, que foi boicotada pelos jornalistas devido a seus ares de estrela (1983)? Quando ela pisou no tapete vermelho eles simplesmente pousaram suas câmeras no chão e viraram as costas. E a passagem de Madonna, vestida com um modelo "leve" de Jean-Paul Gaultier que causou o maior auê em 1991? Merece também ser citado o caso do polêmico "Farenheit 9/11" em 2004, que criticava a política de George Bush em relação à guerra do Iraque.

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E o Brasil em Cannes? Não podemos deixar de citar o grande clássico "Orfeu Negro", obra-prima de Marcel Camus que venceu em 1959, baseado na peça "Orfeu da Conceição" de Vinicius de Morais, tendo como trilha sonora a inesquecível "Manhã de Carnaval", interpretada por Agostinho dos Santos. Apesar da música e do elenco brasileiros, o prêmio foi para a França, pois o realizador era francês. O único filme brasileiro a ter recebido a "Palma de Ouro" foi "O Pagador de Promessas" de Anselmo Duarte em 1962. Depois disto, Glauber Rocha foi premiado como melhor diretor em 1969 por "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, assim como Fernanda Torres, melhor atriz em 1986 por “Eu Sei que Vou Te Amar”, de Arnaldo Jabor.

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Este ano além de "Blindness" de Fernando Meirelles, baseado no livro de José Saramago "Ensaio sobre a Cegueira", que abriu o festival temos também Walter Salles, que concorre com “Linha de Passe”, dirigido por Daniela Thomas. Vamos torcer, não é mesmo?




Update (20/05/2008)

A Sonia, a quem agradecemos, citou nos comentários uma outra participação brasileira : "vi ontem no programa Manhattan Connection (GNT) que o brasileiro radicado em Nova York, Antônio Campos, que é filho do jornalista brasileiro Lucas Mendes, está concorrendo com o filme Afterschool, exibido neste domingo na mostra Un Certain Regard. O filme descreve o universo inquietante de uma escola preparatória americana. Maiores informações, Aqui".

Vejam outros filmes brasileiros que serão apresentados nas várias mostras paralelas ao concurso principal de Cannes (fonte aqui):

"A torcida pelo Brasil neste ano continua na mostra paralela “Um Certo Olhar” (“A Certain Regard”), dedicada a filmes de diretores estreantes. É o caso de "A Festa da Menina Morta", estréia na direção do ator Matheus Nachtergaele, e "Afterschool", primeiro longa do brasileiro-americano Antonio Campos. O documentário “O Mistério do Samba”, por sua vez, que conta com a participação de Marisa Monte para narrar o cotidiano da Velha Guarda da Portela, encerrará a mostra “Cinéma de la Plage”.

Com presença cativa em Cannes, os curtas-metragens brasileiros terão quatro representantes nesta edição. "Areia", de Caetano Gotardo, e "A espera", de Fernanda Teixeira, estão na lista de filmes da 47ª Semana Internacional da Crítica, que será realizada entre 15 e 23 de maio, e que premiou no ano passado “Um Ramo”, dos paulistas Juliana Rojas e Marco Dutra. Já o curta "Muro", do pernambucano Tião, foi selecionado para a mostra Quinzena dos Realizadores. O quarto e último curta brasileiro é "O som e o resto", de André Lavaquial e Rodrigo Rueda Terrazas, que estará na mostra Cinéfondation."



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segunda-feira, 28 de abril de 2008

O Poeta da Rive Gauche

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Foto de Jacques Prévert em Paris de Robert Doisneau


"Abrindo aspas para a poesia" a convite da Lunna, encontrei um problema. Adoro poesia, mas devido à minha (de)formação técnica não conheço muitos poetas. Na língua portuguesa meu preferido é Fernando Pessoa e seus heterônimos e quando estava na escola em todas as festas recitava poesias de Castro Alves e Olavo Bilac, a pedido das professoras. Felizmente a blogosfera está me ajudando a preencher estas lacunas, tenho aprendido muito sobre Cecília Meirelles, Clarice Lispector, Mário Quintana e sobre os poetas da nova geração, principalmente os que são blogueiros e talentosos, não é mesmo, Lunna?

Mas sobre quem escrever para esta coletiva, afinal os colegas blogueiros literários poderiam falar sobre todos eles melhor que eu. Então pensei nos poetas franceses que conheço, apesar de que humor e poesia não são coisas fáceis de traduzir. E entre eles, um que sempre me agradou desde os tempos de meu curso de francês é Jacques Prévert.

Pour faire le portrait d'un oiseau - Jacques Prévert

Peindre d'abord une cage
pintar primeiro uma gaiola
avec une porte ouverte
com uma porta aberta
peindre ensuite
pintar em seguida
quelque chose de joli
alguma coisa linda
quelque chose de simple
alguma coisa simples
quelque chose de beau
alguma coisa bela
quelque chose d'utile
alguma coisa útil
pour l'oiseau
para o pássaro
placer ensuite la toile contre un arbre
colocar em seguida a tela contra uma árvore
dans un jardin
num jardim
dans un bois
num bosque
ou dans une forêt
ou numa floresta
se cacher derrière l'arbre
se esconder atrás da árvore
sans rien dire
sem dizer nada
sans bouger ...
sem se mexer...
Parfois l'oiseau arrive vite
As vezes o passarinho chega depressa
mais il peut aussi bien mettre de longues années
mas ele pode também levar vários anos
avant de se décider
antes de se decidir
Ne pas se décourager
Não desanimar
attendre
esperar
attendre s'il le faut pendant des années
esperar durante anos se necessário
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
a velocidade ou a lentidão da chegada do pássaro
n'ayant aucun rapport
não tem nenhuma relação
avec la réussite du tableau
com o sucesso do quadro
Quand l'oiseau arrive
Quando o passarinho chegar
s'il arrive
se ele chegar
observer le plus profond silence
observar o mais profundo silêncio
attendre que l'oiseau entre dans la cage
esperar que o passarinho entre na gaiola
et quand il est entré
e quando ele tiver entrado
fermer doucement la porte avec le pinceau
fechar devagarinho a porta com o pincel
puis
depois
effacer un à un tous les barreaux
apagar uma por uma todas as grades
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
tomando cuidado para não tocar em nenhuma pena do passarinho
Faire ensuite le portrait de l'arbre
Fazer depois o retrato da árvore
en choisissant la plus belle de ses branches
escolhendo o mais belo de seus galhos
pour l'oiseau
para o pássaro
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
pintar em seguida a folhagem verde e a frescura do vento
la poussière du soleil
a poeira do sol
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
e o ruído dos bichos da erva no calor do verão
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
e depois esperar que o passarinho resolva cantar
Si l'oiseau ne chante pas
Se o passarinho não cantar
c'est mauvais signe
é mau sinal
signe que le tableau est mauvais
sinal que o quadro não é bom
mais s'il chante c'est bon signe
mas se ele cantar é bom sinal
signe que vous pouvez signer
sinal que você pode assinar
Alors vous arrachez tout doucement
Então arranque bem devagarinho
une des plumes de l'oiseau
uma das penas do passarinho
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
e escreva o teu nome num canto do quadro.

Jacques Prévert nasceu em Paris em 1900 e morreu em 1977. Conviveu com o grupo dos surrealistas de André Breton (do qual saíu por ser muito rebelde), e com a "tout Paris" dos anos de pós-guerra tendo sido amigo de Robert Doisneau, Juliette Grecco, Yves Montand, Edith Piaf. Além de seus poemas, escreveu também letras para canções como "As Folhas Mortas" (fundo musical deste post) e roteiros para filmes, entre eles o célebre "Cais das Brumas" com Jean Gabin e Michèle Morgan. Simone de Beauvoir, se referindo ao lugar que ele ocupava entre o pessoal do cinema que ela encontrava no famoso café "Flore" de Paris diz : "Então o deus deles, o oráculo, o professor de idéias, era Jacques Prévert, do qual eles veneravam os filmes e os poemas, do qual eles tentavam imitar a linguagem e o modo de se expressar". Porque ele fez tanto sucesso? Talvez a resposta venha do escritor George Ribemont-Dessaignes, que diz : "Mesmo quando Jacques Prévert escreve, parece que ele fala. Ele vem da rua e não da literatura."

Também acho que ter a capacidade de transformar o dia-a-dia em poesia, é pura arte, e porisso amamos tanto os poetas. Abram aspas para eles em suas vidas...


Paris na Época de Jacques Prévert





Para ouvir o poema "Pour Faire le Portrait d'un Oiseau" na voz de Yves Montand clique aqui. (neste caso, não esqueça de parar a música do diaporama no seu canto esquerdo inferior)

Foto do pássaro : do livro "Aves Brasileiras e Plantas que as Atraem" de Johan Dalgas Frisch e Christian Dalgas Frisch 3° edição pg. 386



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terça-feira, 11 de março de 2008

Asterix, o Gaulês

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Asterix e Obelix


Domingo passado fomos assistir ao filme "Asterix nos Jogos Olímpicos". Estávamos curiosos, pois lançado há algum tempo com muita publicidade, ele traz no elenco entre outros simplesmente Alain Delon, Gérard Depardieu, Zidane, Michael Schumacker, Jean Todt, Amélie Mauresmo! Que miscelânea, né? Mas finalmente, apesar de que Alain Delon está ótimo no papel de Júlio César (dizem que na vida real ele se sente "o umbigo do mundo") e Clovis Corvillac está muito bem como Asterix, o filme não achou o tom certo, deveria ser cômico mas não faz rir. Valeu pelos personagens, que adoro. Vocês conhecem Asterix e Obelix?

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Asterix tem todas as características do francês médio : mal humorado e resmungão, sempre "do contra", mas inflexível em seus princípios. Já Obelix, enorme e bonachão, é apreciador da comida farta e tem um coração tão grande quanto a barriga, está sempre ajudando os outros. Eles foram criados pelos desenhistas Goscinny e Uderzo em 1959 e vivem na Gália, que é o nome da França na época da invasão dos romanos. O vilarejo onde eles habitam é cercado por acampamentos romanos, mas eles resistem e não se entregam. Como com seu punhado de habitantes eles conseguem resistir ao poderoso exército de Júlio César? E que eles tem uma poção mágica preparada pelo druida que os torna fortes e invencíveis (todos a tomam, menos Obelix que como caíu no caldeirão da poção mágica quando criança, é forte o tempo todo).


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Obelix, Ideiafix (o cachorrinho), Asterix, Abracurcix (o chefe da aldeia) e Panoramix (o druida)


Além de Asterix , de Obelix e do druida Panoramix, os outros habitantes do vilarejo são o chefe Abracurcix, que passeia sempre sobre um escudo transportado por seus "súditos", o vendedor de peixes Ordemalfabetix, o bardo (cantor) Cacofonix, que todos desejam fazer calar e o cachorrinho de Obelix, chamado Ideiafix, que sempre desempenha um papel importante nas aventuras. Entre os romanos, um personagem importante é o centurião Caius Bonus, que sempre é batido pelos gauleses.


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Ambiente no vilarejo

Inúmeros livros de Asterix foram editados (33 no total), nos quais ele "passeia" pelo mundo. Por exemplo, em "Asterix e Cleópatra", esta pede a ajuda do druida Panoramix para construir um lindo palácio para impressionar Júlio César, e Asterix e Obelix partem para o Egito junto com o druida( neste, uma frase que volta sempre é "Que belo nariz!" pronunciada pelos dois encantados diante do nariz de Cleópatra). Uma outra aventura acontece na Inglaterra, onde também existiria um vilarejo que resiste aos romanos ao qual nossos heróis decidem ajudar levando um caldeirão de poção mágica. Este é pleno de alusões aos "estranhos costumes" gastronômicos dos ingleses (na história, é Asterix que inventa o chá), traduzindo a eterna rivalidade entre ingleses e franceses. Aliás, este toque de "chauvinismo" é encontrado também no "Asterix na Suíça" ou no "Asterix na Espanha". Uma frase que sempre está presente nestes livros é "Eles são loucos estes (habitantes do país)."

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Asterix na Espanha

Além 300 milhões de albuns vendidos no mundo todo, dos filmes de animação e dos filmes com atores que já foram feitos baseados nestes, o primeiro satélite francês lançado no espaço se chamava Asterix e um parque de atrações foi criado perto de Paris com o nome de Parque Asterix, que é uma resposta gaulesa ao Eurodisney. Realmente, o homenzinho enfezado se tornou um fenômeno mundial.



Trecho do desenho animado "Asterix e os Índios"


Trailer do filme"Asterix nos Jogos Olímpicos"
Extrato do filme "Asterix nos Jogos Olímpicos"

Detalhes e Lista Completa dos Livros e Filmes

*Os romanos se instalaram na Gália em 52 A.C. e provocaram uma mudança profunda da população gaulesa : a cultura romana e gaulesa se misturaram dando origem à uma cultura galo-romana, que viveu 3 séculos de relativa paz.



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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Edith Piaf



A artista francesa Marion Cotillard recebeu esta semana nos Estados Unidos o prêmio "Golden Globe" de melhor atriz de filme musical por sua atuação no filme "Um Hino ao Amor". Eu havia escrito este post quando vi o filme há meses, mas foi no comecinho do blog e acho que pouca gente viu, logo eu o estou reeditando para comemorar este prêmio, que ela merece!

A lenda diz que "ela nasceu sob um lampadário, em uma rua de Paris". Podemos gostar ou não de seu estilo, apreciar ou não suas canções, mas uma coisa não podemos negar : Edith Piaf, com sua voz possante e clássicos como “Hymne à l’amour”, “La Vie en Rose”, “La Foule”, é um monumento da música francesa. Para conhecer um pouco mais sobre o personagem, fui ver o filme que foi lançado recentemente com grande suporte publicitário, "La Môme" (no Brasil "Um Hino ao Amor"). Não me arrependi, a vida desta artista foi uma verdadeira saga.

Seus pais eram artistas, a mãe cantora e o pai contorsionista. A mãe a abandonou ainda pequena, e, enquanto seu pai estava na guerra, ela foi criada pela avó, que era a "cafetina" de uma “maison close” (casa de prostitutas). Depois o pai veio buscá-la e ela o seguiu pelas estradas em suas andanças de saltimbanco. Crescendo, ela se tornou uma cantora de rua, até que foi descoberta e introduzida no mundo do “music hall”, ponto de partida de uma fulgurante carreira internacional.

Ela foi uma pessoa cheia de contradições. Generosa, pois lançou a carreira de grandes nomes como Yves Montand, Compagnons de la Chanson, etc... e também egoísta e despótica, pois não aceitava conselhos e não se importava com a conseqüência de seus atos sobre as pessoas que a rodeavam. Ela era baixinha e longe de um padrão de beleza...no entanto conseguiu seduzir alguns dos homens mais cobiçados da sua época, como Yves Montand, Georges Moustaki, sem falar de seu grande amor, o pugilista Marcel Cerdan (que morreu tragicamente em um desastre de avião) e de seu último marido, vinte anos mais jovem que ela. Forte, pois superou os problemas de sua infância e fez uma carreira maravilhosa... e ao mesmo tempo fraca, pois se deixou vencer pelo álcool e pelas drogas, que causaram sua morte quando ela tinha apenas 48 anos (no mesmo dia que seu amigo Jean Cocteau).

A artista que interpreta Piaf é Marion Cotillard, fisicamente completamente diferente do personagem, a semelhança foi criada por 5 h diárias na sala de maquilagem (em algumas cenas, dá para perceber que sobrancelhas foram coladas sobre as da atriz). Mas os que conheceram Piaf dizem que o gestual e a postura da atriz são tão perfeitos que se tem a impressão que ela é “possuída” pela cantora.

As canções do filme são na própria voz de Edith Piaf, aí embaixo coloco a letra da canção que traduzia seu estado de espírito no final de sua vida “Non, je ne regrette rien” (Não, não lamento nada).




Non, je ne regrette rien
Letra de Michel Vaucaire
Música de Charles Dumont

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé !

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !

Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !


Clique aqui para ver trechos do filme « Um Hino ao Amor”
Clique aqui para ver outros vídeos de Edith Piaf





quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Falando sem Palavras



No post anterior eu falei sobre o filme "Luzes da Cidade", de Charlie Chaplin. No entanto, não sou uma grande cinéfila, e meu conhecimento sobre o personagem se limitava à sua fama e ao trabalho de sua progenitura...vi, por exemplo, Geraldine Chaplin em "Cria Cuervos" e "Doutor Jivago" e, recentemente, Dolores Chaplin bastante presente nestes últimos dias na televisão francesa em programas que falam sobre os 30 anos do desaparecimento do avô, que faleceu durante o sono em 25 de dezembro de 1977, com 88 anos.


Cena do filme "O garoto"

Chaplin era inglês, filho de artistas, que tiveram uma vida complicada, o pai alcoólatra morreu com 37 anos e a mãe tinha uma saúde mental frágil. Ele e o irmão começaram a vida artística muito jovens e aos 18 anos, sua performance como estrela de music hall de um grupo londrino foi notada nos Estados Unidos durante uma turnê da troupe neste país, para onde se mudou. Casou-se 4 vezes, sempre com mulheres muito mais jovens que ele, e teve 11 filhos. Terminou seus dias vivendo em Vevey, na Suiça, e sua casa se transformará em 2009 no museu Charlie Chaplin.



A parte mais importante de sua obra foi sem dúvida realizada no cinema mudo, com a criação de Carlitos. Inspirado nas técnicas dos palhaços de circo ou na mímica, e impulsionado pelo rosto expressivo de Chaplin, o personagem inicialmente simples e estereotipado com o tempo foi se tornando cada vez mais complexo , passando com sucesso pelo melodrama e pela crítica política e social.

Não faças do amanhã o sinônimo de nunca,nem o ontem te seja o mesmoque nunca mais.Teus passos ficaram. Olhes para trás...mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te.
Frases de Charlie Chaplin

Seus primeiros filmes foram curta-metragens realizados nos varios estúdios para os quais trabalhou antes de criar seu próprio estúdio. Seu primeiro longa metragem foi "O garoto", realizado em 1921. Ele resistiu bastante antes de passar ao cinema falado, tendo realizado em 1930 seu último filme mudo, "Luzes da Cidade", quando este já existia. Depois realizou uma longa viagem pela Europa, que o inspirou para a criação de "Tempos Modernos", uma crítica aos efeitos da Revolução Industrial. Um outro filme crítico é "O Grande Ditador"(vídeo abaixo), no qual ele ridiculariza Hitler e o nazismo.


Cena do filme "O Grande Ditador"


No entanto, suas opiniões políticas de esquerda o fizeram cair em desgraça nos Estados Unidos e ele foi obrigado a ir viver na Europa, onde ainda realizou "Um Rei em Nova Iorque" (uma resposta ao maccarthismo do qual foi vítima) e "A Condessa de Hong Kong", com Sofia Loren, fracassos de bilheteria.

Chaplin foi condecorado pelo governo francês, pelo governo britânico e reabilitado nos Estados Unidos, recebeu um Oscar pelo "conjunto de sua obra" em 1972. De qualquer forma, o homenzinho com o chapéu coco sera para sempre um mito do cinema mundial.



Dica para os cinéfilos :

A maioria dos filmes de Charlie Chaplin já é de domínio público e pode ser carregada legalmente. Alguns podem ser encontrados (assim como muitos outros filmes antigos) no link abaixo:
Filmes antigos para carregar legalmente

sábado, 22 de dezembro de 2007

Luzes da Cidade



Falando em "Luzes da Cidade" pensamos logo na Cidade Luz, Paris. Sabemos que Paris não é chamada assim devido à iluminação externa, mas sim pela luz das idéias, pela abertura do espírito que sempre atraíu para ela grandes artistas e fîlósofos. Mas isto não impede que nesta época de Festas, a iluminação de suas ruas e vitrinas seja linda, maravilhosa, feérica, principalmente este ano com o operação "Paris illumine Paris", no qual 100 quarteirões da cidade participaram, cada um com um tema diferente ("Palheta de Cores" para Montmartre, "Natal no Canadá" na rua Caumartin, "Estados Faiscantes" na rue du Commerce, por exemplo). Não fui até lá para conferir pessoalmente, mas recolhi estas lindas fotos que juntamente com as iluminações de outras cidades e vitrinas francesas animam o diaporama acima.



Cena do filme "Luzes da Cidade" de Charlie Chaplin

Mas toda essa exuberância de brilho e luz que se espalha por toda parte no Natal é só (ou deveria ser) a exteriorização da alegria que habita o coração de cada um nesta época do ano...no qual as pessoas estão mais atentas em relação ao seu próximo, e os sentimentos de amor e generosidade estão mais aguçados. E é isto e o tema deste post que nos conduzem ao filme chamado justamente "Luzes da Cidade" do genial Charlie Chaplin, uma obra prima do final do cinema mudo. Nele um mendigo que se faz passar por um milionário se apaixona por uma bela florista cega e faz loucuras para conseguir os meios que permitirão a ela de recuperar a vista, sem esperar retorno. Uma terna história de amor, amizade e generosidade desinteressada, completamente sintonizada com o verdadeiro espírito de Natal.

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Amigos, depois das luzes da Cidade Luz e das luzes de Charlie Chaplin, é tempo de desejar a todos vocês que trouxeram durante este ano as luzes de seus pensamentos e do sol brasileiro até mim, que tiveram a paciência de ler o que escrevo, que me abriram a porta de vossos universos...pois desejo a vocês um Natal com tanta luz e tanto amor, que possa aquecer seus corações e recarregar as baterias de energia positiva para o ano todo.


Feliz Natal!



Filme Luzes da Cidade
Sequência 1/8
Sequência 2/8
Sequência 3/8
Sequência 4/8
Sequência 5/8
Sequência 6/8
Sequência 7/8
Sequência 8/8



sexta-feira, 13 de julho de 2007

Um Pouco de Ternura...



Há algum tempo, li o livro "Ensemble, c'est tout" (Enfim juntos na versão brasileira), graças à amiga blogueira Teresa, do "La vie est belle". Não comentei aqui na ocasião, pois pretendia ir ver o filme, e acabei por não fazê-lo, sempre me decepciono quando vejo os filmes realizados a partir de livros que li. Mas não poderia deixar de recomendá-lo, pois é um lindo poema de amor e de esperança.

É a história de 4 pessoas completamente diferentes. Uma desenhista, que não consegue mais desenhar e que trabalha como faxineira, um aristocrata gago e alienado, um cozinheiro rebelde e resmungão e uma velhinha em fim de vida. Quatro pessoas completamente diferentes, com passados duros e carregados, um presente insípido e sem esperanças tendo como pontos comuns somente a solidão e um grande coração.

Difícil de não se identificar com algumas facetas dos personagens ou reconhecer algumas situações : a jovem magérrima, que fala pouco e se exprime por desenhos. Ou o rapaz super-tímido que gagueja quando se depara com situações estressantes e que se libera somente quando se apresenta em um palco. Ou o cozinheiro mulherengo e resmungão que faz "malabarismos" para conciliar sua vida profissional, sua vida pessoal e a assistência que ele da à sua avó idosa, que o "vampiriza" cada vez mais. E que é justamente o quarto personagem da história, uma velhinha teimosa que vê suas capacidades declinarem a cada dia, e que se agarra ao neto como a uma tábua de salvação. Enfim, quatro pessoas que estão de mal com eles mesmos e com a vida. Até que as circunstâncias os levam a se aproximar sob o mesmo teto em uma situação provisória e frágil ...e a magia opera, a partir deste momento tudo muda.

Cada um deles ajuda a outro a enfrentar seus problemas e desenvolver suas potencialidades : o cozinheiro prepara os pratos para ajudar a desenhista a recuperar seu peso normal; esta, para seu trabalho de faxineira e passa a trabalhar como "auxiliar de vida para pessoas idosas" cuidando assim da velhinha que pode sair do asilo e ficar ao lado do neto. Ao mesmo tempo ela recupera o prazer de desenhar, e é convidada a expor seu trabalho. Os três incentivam o aristocrata gago a superar seus bloqueios e subir ao palco, onde ele encontra sua realização. Enfim, partindo do nada, simplesmente com suas carências e problemas, o simples fato de estarem juntos e se interessarem uns pelos outros trouxe um sentido à vida de cada um e permitiu a realização de seus sonhos. "É o contrário da história do dominó. Colocados lado a lado, ao invés de se derrubarem uns aos outros, eles se ajudam mutuamente a se recolocarem de pé", como diz a contracapa do livro.

O final é meio hollywoodiano, do tipo "o dinheiro cai do céu" e "foram felizes para sempre". Teria sido mais realista se cada um retomasse seu caminho, mais forte, porém individualmente, pois as diferenças entre eles eram gritantes. E uma situação destas, é muito perfeita para ser duradoura, embora por menos tempo que dure já vale por toda uma vida...mas é tão bom ver um final feliz!


Cenas do filme baseado no livro "Ensemble, c'est tout"
com Audrey Tautou, Guillaume Canet, Laurent Stocker e Françoise Bertin
©Etienne George


E como hoje o assunto são os livros, respondendo ao convite do Eduardo do Varal de Idéias, relaciono aqui os 5 livros que li ultimamente :

- Enfim juntos - Anna Gavalda

- A Peste e a Orgia - Giuliano da Empoli - o mundo inteiro estaria adotando um comportamento "brasileiro" onde o medo e o "carnaval" caminham juntos. Reflete a imagem do Brasil sob o ponto de vista europeu. Toca nos pontos sensíveis de nossa sociedade, onde os fatos são reais, mas as causas que ele apresenta são discutíveis (post
aqui).

- A Probabilidade de uma Ilha -
Michel Houllebecq - os males da vida moderna como as seitas, o racismo, a clonagem e seus resultados sobre as futuras gerações. Cínico e polêmico, não leia se estiver deprimido


- A Viagem de Théo - Cathérine Clément - um garoto doente percorre o mundo buscando se curar em contato com as diferentes religiões, traçando um paralelo singelo entre elas. Terno e instrutivo.


- René Lalique - Patricia Bayer & Mark Waller - fotos e explicação técnica da obra de Lalique. Lindíssimo.


Não farei convites nominais para a continuação deste même, mas os que desejarem fazê-lo, fiquem à vontade e me avisem, que colocarei um link aqui.

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segunda-feira, 26 de março de 2007

Edith Piaf



A lenda diz que "ela nasceu sob um lampadário, em uma rua de Paris". Podemos gostar ou não de seu estilo, apreciar ou não suas canções, mas uma coisa não podemos negar : Edith Piaf, com sua voz possante e clássicos como “Hymne à l’amour”, “La Vie en Rose”, “La Foule”, é um monumento da música francesa. Para conhecer um pouco mais sobre o personagem, fui ver o filme que foi lançado recentemente com grande suporte publicitário, "La Môme" (A Garota). Não me arrependi, a vida desta artista foi uma verdadeira saga.

Seus pais eram artistas, a mãe cantora e o pai contorsionista. A mãe a abandonou ainda pequena, e, enquanto seu pai estava na guerra, ela foi criada pela avó, que era a "cafetina" de uma “maison close” (casa de prostitutas). Depois o pai veio buscá-la e ela o seguiu pelas estradas em suas andanças de saltimbanco. Crescendo, ela se tornou uma cantora de rua, até que foi descoberta e introduzida no mundo do “music hall”, ponto de partida de uma fulgurante carreira internacional.

Ela foi uma pessoa cheia de contradições. Generosa, pois lançou a carreira de grandes nomes como Yves Montand, Compagnons de la Chanson, etc... e também egoísta e despótica, pois não aceitava conselhos e não se importava com a conseqüência de seus atos sobre as pessoas que a rodeavam. Ela era baixinha e longe de um padrão de beleza...no entanto conseguiu seduzir alguns dos homens mais cobiçados da sua época, como Yves Montand, Georges Moustaki, sem falar de seu grande amor, o pugilista Marcel Cerdan (que morreu tragicamente em um desastre de avião) e de seu último marido, vinte anos mais jovem que ela. Forte, pois superou os problemas de sua infância e fez uma carreira maravilhosa... e ao mesmo tempo fraca, pois se deixou vencer pelo álcool e pelas drogas, que causaram sua morte quando ela tinha apenas 48 anos (no mesmo dia que seu amigo Jean Cocteau).

A artista que interpreta Piaf é Marion Cotillard, fisicamente completamente diferente do personagem, a semelhança foi criada por 5 h diárias na sala de maquilagem (em algumas cenas, dá para perceber que sobrancelhas foram coladas sobre as da atriz). Mas os que conheceram Piaf dizem que o gestual e a postura da atriz são tão perfeitos que se tem a impressão que ela é “possuída” pela cantora.

As canções do filme são na própria voz de Edith Piaf, aí embaixo coloco a letra da canção que traduzia seu estado de espírito no final de sua vida “Non, je ne regrette rien” (Não, não lamento nada).

Non, je ne regrette rien (vídeo aqui)
Letra de Michel Vaucaire
Música de Charles Dumont

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé !

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !

Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !


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