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quinta-feira, 12 de março de 2009

Tea for Ten III

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Palácio dos Bandeirantes : um estilo eclético e em sua fachada pode-se observar painéis murais descrevendo cenas da história de São Paulo

Na nossa recente visita a São Paulo e ao bairro do Morumbi (que quer dizer Monte Verde), além da Capela do Morumbi e da Casa da fazenda, tivemos a oportunidade de fazer uma visita monitorada ao Palácio dos Bandeirantes, com direito a conhecer algumas salas do Palácio e a exposição "Pessoas Modernas", que como o nome indica fazia uma retrospectiva do movimento modernista.

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A visita começou pelo salão nobre do Palácio. Neste, encontram-se obras importantes do acervo do governo do Estado de São Paulo. Dominando o centro, encontra-se o magnîfico painel do artista Antonio Henrique Abreu do Amaral, alusivo às riquezas agrîcolas do estado. Nas outras paredes também vimos obras de importantes artistas brasileiros como Manabu Mabe, Tohmie Ohtake, Danilo di Prete, Alfredo Volpi, Clovis Graciano, Djanira, Mario Zanini, Aldemir Martins e outros. Havia também môveis da época barroca e esculturas de artistas contemporâneos e do barroco mineiro.

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Do jardim que ocupa uma área de 125000 m2, além de uma vista panorâmica da cidade, pudemos admirar a variedade de árvores, algumas remanescentes da Mata Atlântica, outras "exóticas" e ficamos sabendo que nele vivem 40 espécies de pássaros. Nele foram colocadas belas esculturas de Bruno Giorgi e Felicia Lerner, entre outros.

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Subimos então a escadaria contemplando a "Galeria dos Governadores", com os retratos dos governadores paulistas e nos dirigimos ao primeiro andar para ver a exposição. Mas esta contarei depois, por enquanto deixo estas fotos das obras do acervo que podem ser vistas no Palácio dos Bandeirantes, um passeio que vale a pena para quem mora ou está de passagem na Paulicéia.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Tea for Ten...(II)


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Depois da visita à Capela do Morumbi, continuamos descendo a avenida, e chegamos então a uma outra parte da antiga fazenda de chá, a "Casa da Fazenda". Adentrando nela, com sua decoração no estilo colonial, sua vasta varanda dando sobre um pomar de árvores centenárias, um jardim com um espelho d'água e uma capela, tínhamos a impressão de fazer uma viagem no tempo, em direção ao século XIX.

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© Carmen Gonçalves

Dizem que devido ao aspecto romântico e histórico do lugar, vários filmes e novelas já foram gravados nele (Sinhá Moça, Beto Rockefeller, A Moreninha, entre outros). Construida em 1813 pelo Padre Feijó nas terras dadas por D. João VI ao inglês John Rudge, ela foi restaurada recentemente a partir das antigas fundações, pois depois do desmembramento da fazenda pertenceu a vários proprietários até 1974, ficando em seguida abandonada durante mais de 20 anos..

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© Carmen Gonçalves

A restauração começou pelo jardim, no qual foi reproduzido um típico jardim colonial brasileiro. "Jaboticabeiras centenárias, abacateiros e mangueiras compõem as árvores mais antigas. Fazem parte da vegetação ipês, jacarandá, resedás e magnólias. Quanto às flores, azaléias cor-de-rosa colorem a frente do terreno, os jasmineiros e moréas se encarregam de dar seu toque branco ao redor da casa e as heras africanas, trepadeiras e jasmim-carolina enfeitam o orquidário"(descrição daqui).

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© Carmen Gonçalves

A antiga senzala, com suas paredes espessas e suas janelas com grades também foi preservada e pode ser visitada, lembrando este triste episódio da história do Brasil, assim como uma mini-capela dedicada à Santa Clara, cujos afrescos foram inspirados nas capelas do século XIX.

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© Carmen Gonçalves

No casarão funciona há 8 anos a ABACH (Academia Brasileira de Arte, Cultura e História) e uma grande parte da propriedade é dedicada a exposições de artesanato e de arte contemporânea.

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© Carmen Gonçalves

No interior do casarão (cujo forro-gamela foi pintado com motivos florais por Carlos Machado reproduzindo a tapeçaria de uma porta de sacristia de 1850), funciona um restaurante que serve cozinha internacional e cozinha típica da fazenda. Dizem que o "tea time" é muito concorrido principalmente no inverno, tudo é servido seguindo a tradição da antiga fazenda de chá.

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Pois é, como fiquei encantada com o lugar, meus familiares me convidaram para almoçar no restaurante de lá no dia do meu aniversário (não foi um tea for ten, mas um lunch for ten...rs). Mas era também o dia do aniversário da cidade de São Paulo, então eles estavam servindo este bolo da foto abaixo com a bandeira paulista (que estava delicioso...). O que poderia ser melhor para festejar o aniversário de uma paulistana nascida em um 25 de janeiro, não é mesmo?

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© Carmen Gonçalves


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Tea for Ten...


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Capela do Morumbi

A cidade de São Paulo não cessa de me surpreender...desta vez foram as "descobertas" que fiz a respeito do bairro do Morumbi. Já conhecia a Casa "Maria Luiza e Oscar Americano" e o Palácio dos Bandeirantes (fui lá quando estava no colégio com minha classe não me lembro para qual cerimônia), mas soube que eles fazem visitas monitoradas e que havia uma exposição sobre o modernismo, então fomos até lá para conferir.

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Parede de taipa de pilão sobre a qual esta a capela

Depois da visita resolvemos descer a pé a Avenida Morumbi e foi aí que conhecemos a história do bairrro...pois paramos na Capela do Morumbi onde encontramos alguns jovens monitores que nos explicaram em detalhe que :

  • na verdade, a capela atual talvez não tenha sido originalmente uma capela. Eles supuseram que assim fosse pois encontraram escritos dos antigos proprietários narrando a intenção de construir no local uma igreja pois para ir à missa na Praça da Sé era necessário um dia de viagem...

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Detalhe do afresco representando o batismo de Cristo (Lúcia Suanê)
  • ...pois o Morumbi era uma fazenda, cujas terras foram doadas por D. João VI ao inglês John Rudge, para que nelas fosse plantado chá (preto, pois no Brasil na época só havia o chá mate)..com o tempo, a fazenda foi desmembrada e deu origem ao atual bairro.

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Detalhe do afresco representando o batismo de Cristo (Lúcia Suanê)
  • que a restauração da capela foi realizada pelo arquiteto de origem russa Gregori Warchavchik nos anos 40 do século XX, que conservou as antigas fundações de taipa de pilão mas continuou a construção com alvenaria, sendo que o caráter sacro foi assegurado pela artista Lucia Suanê que pintou um afresco com o batismo de Cristo no qual os anjos são índios.

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Instalação "Lux" (Laura Vinci)
  • na capela atualmente ocorrem exposições de arte contemporânea, quando lá passamos havia uma instalação da artista contemporânea Laura Vinci.

(continua no próximo post)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Geometrias Rurais

Quando a mão do homem cria formas geométricas para construir suas casas, ferramentas e utensílios nem sempre observa o resultado visual destas em relação à natureza que a cerca. Mas isto se torna bastante visível no campo, onde a natureza é soberana, tanto no mundo vegetal quanto no animal, como nestes flashes registrados neste diaporama :

Caros amigos, como vocês podem constatar o Jardin reabre suas portas depois de longas férias, que foram principalmente dedicadas à família...e por falar nisto dedico este post à minha irmã caçula e a seu marido, que foram nossos (perfeitos) anfitriões durante a maior parte de nossa estadia no Brasil e em cujo sítio estas fotos foram feitas. Muito obrigada aos dois!!!

Agradeço também a todos vocês que "regaram as plantas" deste Jardin com seus comentários e seu carinho durante todas estas semanas. Acredito que sera difícil me inteirar sobre o que aconteceu na blogosfera durante minha ausência, mas prometo que vou tentar...me aguardem!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Fractal Verde e Amarelo


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Carnaval no Rio - Gilberto Santa Rosa

As ilustrações deste post representam todas estruturas fractais. Elas são belas e harmoniosas, no entanto se originam do caos e se caracterizam por possuir sempre a mesma estrutura, seja se consideradas como um todo, seja se examinadas em cada uma de suas partes, sejam elas grandes ou minúsculas. Muitos domínios da natureza podem ser modelizados pelos fractais : a dimensão do litoral de um país, por exemplo, ou vegetais como a alface e o interior da beterraba como no diaporama abaixo, a geada sobre as plantas, mesmo partes da anatomia humana... E também ocorrências econômicas e culturais, entre outras.

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Alface Fractal - Gilberto Santa Rosa

E o que tem o Brasil a ver com isto? A meu ver muito, pois o considero um país fractal! Porque? Em primeiro lugar, no quesito beleza, acho que ele é aprovado sem problemas, né? No quesito "caos", não se pode negar que em muitos setores seu desenvolvimento foi (ou ainda é?) caótico, então, por enquanto, 2 a 0! E passemos então ao terceiro quesito, a estrutura.

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Geada - Ebone

Considerando aqui de longe o Brasil como um todo, o que sabemos? Ele é um país multiracial, multicultural, nele são praticadas uma variedade de religiões, além da enorme diferença econômica que apresentam seus habitantes. Descendo à escala de um estado, será que esse quadro se mantem? Claro que sim, cada um tem toda uma gama de culturas, religiões, raças e classes sociais diferentes. Numa cidade ocorre o mesmo, passeando em suas ruas vemos desfilar todas as cores, todas as classes sociais...E num bairro, então? Quantos condomínios de luxo não se encontram frente a frente com as favelas, por exemplo? E mesmo no interior das casas, podemos encontrar pessoas duma mesma família com credos religiosos diferentes. E até no sangue de cada um, se encontra esta mistura, pois a mestiçagem brasileira data de séculos...

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Lucik - Doktor J

Isto acontece no mundo todo? Não! Este tipo de cultura não pode ser assimilada ao "melting point " americano ou à "saladeira" européia (comunidades que vivem lado a lado sem misturar suas culturas e religiões). Ela é particular, ela é fractal, pois "uma cultura fractal é aquela que contem no seu âmago as sementes de sua própria construção". E respeitado este terceiro quesito, podemos dizer que o Brasil é um belo e imenso fractal...meu magnífico fractal verde e amarelo!


Este post faz parte da Tertúlia Virtual organizada pelo Varal de Idéias e pelo Expresso da Linha.

Queridos amigos, quando vocês estiverem lendo estas mal traçadas linhas já estarei com o pé na estrada para as minhas férias anuais, porisso não estranhem se não estiver presente nas caixas de comentários nas próximas semanas. Mas o Jardin sob os cuidados do piloto automático estará aberto até o final de dezembro. Não percam o próximo post com um panorama sobre os artistas do século XX, e também as mensagens de Natal e de Ano Novo, além de uma volta ao mundo seguindo os passos de Júlio Verne. Por enquanto deixo meus votos de Boas Festas com um grande abraço e digo "Até a volta!"


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Os Caminhos do Amor


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Já havia preparado o post sobre a adoção para a coletiva organizada pela Georgia e pelo Dacio, quando vi domingo na televisão Johnny Halliday, o mais popular cantor francês com sua esposa e sua filhinha adotiva Jade, que nasceu no Vietnã. Ele cantou uma música transbordante de amor que fez para ela (letra abaixo), achei tão emocionante, aquelas imagens e aquela canção diziam tudo, precisava trazê-las aqui para esta blogagem. Eles conseguiram adotar a pequena Jade graças à interferência pessoal do então presidente Chirac e sua esposa, pois Letícia não pode ter filhos (ele já tinha dois filhos adultos de casamentos precedentes) e aqui na França também, o caminho para a adoção é uma verdadeira "via sacra".



Mon plus beau Nöel
Meu Natal mais belo
Johnny Halliday

J'avais oublié
Eu tinha esquecido
A quel point on se sent petit
O quanto nos sentimos pequeninos
Dans les yeux d'un enfant
Nos olhos de uma criança
Plus rien ne compte,
Nada mais conta
Juste sa vie
Somente sua vida
J'avais mis de côté
Eu tinha colocado de lado
Tous ces instants
Todos estes instantes
Qu'on croit acquis
que acreditava ter adquirido
Ces instincts qu'on découvre
Estes instintos que a gente descobre
Avec toi je grandis moi aussi...
Com você eu cresço também...
Et voilà qu'à nouveau
E eis que de novo
Je fais des projets dans me vie
Eu faço projetos na minha vida
Pour te laisser du beau,
Para te deixar algo de belo,
Rien que de l'amour mais aussi
Apenas o amor mas também
Je me prends à rêver
Eu começo a sonhar
Qu'un jour, tu voudras partager
Que um dia, você vai querer compartilhar
Ce qui de près ou de loin
Isto que de perto ou de longe
Dans ma vie a compté
Contou na minha vida
Tu es mon plus beau Noël
Você é o meu Natal mais lindo
Celui que je n'ai jamais eu
Aquele que eu nunca tive
Tu es l'amour, la vie, et le soleil
Você é o amor, a vida, o sol
Ce à quoi je ne croyais plus
Isto no quel eu não mais acreditava
Tu es mon plus beau Noël
Você é o meu Natal mais lindo
Celui que ne n'attendais pas
Aquele que eu não esperava mais
Ce merveilleux cadeau tombé du ciel
Este presente maravilhoso caído do céu
Celui dont rêvent tous les papas
Aquele com o qual todos os pais sonham
Il y a tellement de choses
Existem tantas coisas
Que j'aimerais te raconter
Que eu gostaria de te contar
Pour te donner la force,
Para te dar a força
Le courage de tout affronter
A coragem de tudo enfrentar
Si je peux te transmettre
Se eu puder te transmitir
Ce formidable goût d'aimer
Este enorme prazer de amar
De tous les hommes je serai,
De todos os homens eu serei
Le plus heureux,
O mais feliz,
Le plus comblé
O mais realizado
Tu es mon plus beau Noël
Você é o meu mais belo Natal
Celui que je n'ai jamais eu
Aquele que nunca tive
Tu es l'amour, la vie, et le soleil
Você é o amor, a vida, e o sol
Ce à quoi je ne croyais plus
Isto no qual eu não mais acreditava
Tu es mon plus beau Noël
Você é meu Natal mais lindo
Celui que je n'attendais pas
Aquele que eu não esperava
Ce merveilleux cadeau tombé du ciel
Este maravilhoso presente caído do céu
Celui dont rêvent tous les papas
aquele com o qual todos os pais sonham
Je serai pour toi le père
Eu serei para você o pai
Celui sur qui tu peux compter
Aquele com o qual você poderá sempre contar
Tout ce que tu espères
Tudo aquilo que você espera
Je promets de te le donner
Eu prometo de te dar
Tu es mon plus beau Noël
Você é o meu mais belo Natal
Celui que ne n'ai jamais eu
Aquele que nunca tive
Tu es l'amour, la vie, et le soleil
você é o amor, a vida, e o sol
Ce à quoi je ne croyais plus
Aquilo no qual eu não mais acreditava
Tu es mon plus beau Noël
Você é meu Natal mais lindo
Celui que je n'attendais pas
Aquele que eu não esperava mais
Ce merveilleux cadeau tombé du ciel
Este maravilhoso presente caído do céu
Celui dont rêvent tous les papas
Aquele com o qual todos os pais sonham
Toi mon amour, ma vie
Você meu amor, minha vida
Mon étincelle
Minha luz
Je suis le plus heureux
Eu sou o mais feliz dos homens
Tu vois...
Você está vendo



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Não diria que adotar uma criança deva ser visto como um ato de nobreza, mas sim de humanidade. Existe uma diferença sutil, um ato de nobreza é um ato filantrópico, que subentende o amor à humanidade inteira. Adotar um filho é algo muito pessoal, uma troca humana maravilhosa, um dom que se oferece e uma dádiva que se recebe, como diz a canção.

A adoção internacional

Todos os caminhos são bons para aproximar as carências e transformá-las em felicidade? Não sei não, pessoalmente acho que a adoção internacional deve ser feita somente quando a criança ainda é bebê (uma mudança completa de língua e de cultura pode ser traumatizante). Mas é só minha opinião...

A França "receptor" e o Brasil "doador"

A França é um país "receptor" de adoções, o segundo depois dos Estados Unidos, e o Brasil é considerado um país "doador". No entanto como pode ser visto no gráfico abaixo, as adoções de crianças brasileiras pelos franceses, tem diminuído de ano para ano (veja mais aqui), certamente devido às novas leis brasileiras que dão preferência à adoção nacional. Mas não é somente em relação ao Brasil que as adoções internacionais tem diminuído aqui, mas em geral e não é por falta de interesse das famílias.

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As dificuldades para a adoção

Os critérios para a adoção aqui passam pelo limite inferior de idade para os pais que deve ser de 28 anos. Em seguida, pela situação familiar, no caso dos casais não oficiais somente um dos dois terá o poder parental em relação à criança e sem dúvida também pela stuação financeira. O processo de credenciamento para a adoção é longo e complicado, e muitos pais potenciais desistem pelo caminho.

O escândalo da "Arca de Zoé"

A dificuldade para encontrar crianças potencialmente adotáveis leva ao desespero muitos casais que se lançam por caminhos tortuosos para chegar à adoção. Há um ano aproximadamente estourou o escândalo da ONG "Arca de Zoé". Trata-se dum avião que foi detido no Chade quando se preparava para decolar levando nele 103 crianças "orfãs que fugiam da guerra e que deveriam ser entregues como exilados políticos às famílias francesas com intuito duma posterior adoção" segundo os organizadores da operação. Segundo as autoridades locais tratava-se simplesmente de um seqüestro e as crianças nem eram orfãs. Os participantes da operação foram presos, julgados e condenados no Chade, depois transferidos para prisões francesas e finalmente anistiados por razões políticas. Os grandes perdedores de tudo isto foram as famílias que haviam financiado a operação de boa fé, acreditando que estavam realizando além de tudo um gesto humanitário... Este escândalo foi considerado como um gesto neocolonialista pelos africanos e complicou ainda mais a situação das adoções internacionais pelas famílias francesas, mesmo as que já estavam em andamento (veja mais aqui).

Leilão de crianças?

Um outro fator que complica a adoção de crianças estrangeiras é a concorrência entre os diferentes países "receptores". Atualmente muitos dos países "doadores" exigem em troca das crianças um investimento dos "receptores" nos orfanatos e outras obras relacionadas à adoção. A França tem tradição na construção de hospitais e outras obras humanitárias mas não em investimentos diretos, o que a coloca em desvantagem em relação aos Estados Unidos e outros países...(gente, tudo isto é bem regulamentado mas não deixa de parecer um leilão de crianças do tipo "quem dá mais", não?) que são habituados a esta prática.

A ação do governo francês

O governo francês está lançando uma grande ofensiva para aumentar o número de adoções, tanto as internacionais quanto as internas. Sim, porque aqui também existem crianças orfãs ou que são deixadas em instituições pelos pais e em geral colocadas pelas autoridades em famílias que as acolhem (estas foram em número de 23000 em 2006). No entanto, os pais biológicos só perdem o "pátrio poder" 6 anos depois do abandono. A idéia é abreviar este prazo para 1 ano para que e a criança possa assim ser adotada.

Conclusão

Mas independentemente de todas as dificuldades o encontro entre seres humanos que uma adoção acarreta é algo muito belo. Neste mundo de tantas solidões unir destinos para a lida da vida é algo de maravilhoso. Basta ver o olhar de Letícia e Johnny Halliday quando fitam a pequena Jade neste clip...







Algumas estatísticas sobre a adoção na França

As solicitações

· Mais de 10 000 pedidos de adoção são depositados por ano, o que é quase o dobro de há quinze anos atrás
· 8 000 autorizações são atribuídas por ano, os outros desistem ou são recusados.
· Em média, são necessários 9 meses para obter uma autorização.
· A validade da autorização sendo de 5 anos, 25 000 candidatos credenciados estavam à espera de uma criança em 2006.
· Dois terços dos candidatos que possuem uma autorização conseguem adotar. O outro terço desiste, tem um filho biológico e vê seu prazo de validação expirar.
· Para 9 casos em 10, as candidaturas à adoção são depositadas por um casal. No caso de solteiros, é quase sempre uma mulher, com nîvel superior. As solicitações vindo de homens sozinhos são raríssimas.
· Para 12% é uma escolha, pois eles poderiam ter filhos naturalmente.
· 12% dos pais adotivos se tornaram estéreis depois de ter tido pelo menos uma criança.
· Para 7 entre 10 casais candidatos, a adoção é a única solução, tendo tido que renuncar à assistência médica à procriação, inoperante ou restritiva demais.
· A futura mãe adotiva tem em média 38,5 ans.

As crianças adotadas

· Em 2005, entre as 5 000 crianças adotadas na França, cerca de 4 000 nasceram no Exterior.
· 57% das crianças nascidas na França e que são adotadas são colocadas com menos de um ano e 9% depois do 7° aniversário.
· Somente 800 das 2500 crianças abandonadas na França foram adotadas em 2005.
· A França é o segundo país no mundo em termos de número de crianças estrangeiras adotadas, atrás dos Estados Unidos (mais de 20000 por ano).
· Quando adotadas, as crianças tem ém média de 2 anos e 10 meses. Mas o intervalo se estende de 6 meses na Coréia do Sul até 7 anos no Brasil.
· As crianças são tanto meninos quanto meninas, mas com disparidades enormes : as crianças originárias da China são praticamente sempre meninas enquanto as provenientes da Rússia e da Tailândia são em geral meninos.
· Há 25 anos atrás, 4 entre 5 crianças estrangeiras adotadas vinham da Ásia, principalmente da Coréia do Sul.
· Atualmente : 27% nasceram na Ásia, 20% na África, 26% na América e 20% na Europa.

Fonte : Ined 2007 obtido aqui


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Saber Amar

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SOLIDARIEDADE

Murilo Mendes

Sou ligado pela herança do espírito e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construídos à minha imagem e semelhança


Eu acho que não podemos ensinar ao ser humano o que é a solidariedade...ela faz parte de sua definição, um ser humano digno deste nome, contrariamente aos selvagens, não exerce a "lei da selva", ele ajuda seus semelhantes mais fracos a vencer suas dificuldades, e isto lhe confere um status diferente em relação aos outros seres vivos. Pena que ela se manifesta principalmente quando acontecem catástrofes, ou quando o Natal se aproxima ou quando se encontra sob a luz dos projetores. E na vida de todos os dias temos tantas oportunidades de exercê-la : ajudar um cego a atravessar uma rua, ou um velhinho a subir uma escada, emprestar um ouvido atento a alguém que está triste, ou mesmo sorrir podem trazer momentos de alento aos que estão carentes.


Saber sorrir, A uma pessoa desconhecida que passa Sem guardar nenhum traço Que não seja o do prazer Saber amar Sem nada esperar em troca Nem atenção, nem grande amor, Nem mesmo a esperança de ser amado, Mas saber ofertar Ofertar sem retorno Somente ensinar Ensinar a amar Amar sem esperar Amar para tudo obter, Ensinar a sorrir Simplesmente pelo gesto, Sem querer o resto, E ensinar a Viver E ir embora. Saber esperar, Experimentar esta felicidade plena, Que se recebe como por engano. De tal forma já não se esperava mais. Se ver acreditando nisto para enganar o medo do vazio Ancrado como tantas rugas Que estragam os espelhos Saber sofrer Em silêncio, sem murmúrio, Nem defesa nem armadura Sofrer tanto que se quer morrer E se reerguer Como se renasce das cinzas Com tanto amor para revender Que o passado é esquecido. Ensinar a sonhar A sonhar por dois Simplesmente fechando os olhos, E saber dar Dar sem rasura Nem meia medida Ensinar a ficar. Querer até o fim Ficar apesar de tudo, Ensinar a amar, E ir embora.

Mas muitas vezes a solidariedade precisa ser organizada, fazer parte de um contexto onde um grupo atua ao mesmo tempo para resolver um problema específico, como é o drama da Flavia que vive em coma vigil ha 10 anos e de sua família. Não vou entrar nos detalhes da questão, para quem ainda não conhece a situação, sugiro que visitem o blog da Odele, mãe da Flavia, que apresenta todos os detalhes desde o início. O que eu gostaria é de fazer aqui um apelo para que casos assim sejam tratados em prioridade e com justiça pelo Supremo Tribunal Federal, pois o que está em jogo é o direito a condições de vida (?) digna para esta menina, cuja infância foi ceifada pela negligência de profissionais irresponsáveis. E um pouco de tranqüilidade para sua família, para que ela, além de sofrer por ver a filha neste estado, não tenha também que enfrentar problemas materiais para seu tratamento.

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Imagem criada e gentilmente cedida pela Vi

Além deste lado que depende da Justiça eu coloco uma pergunta : o que a legislação brasileira prevê para as pessoas com deficiências pesadas? Elas e suas familias recebem ajuda material e psicológica para enfrentar a situação? Não se trata de esmola ou de assistência, pois eles relamente não podem trabalhar. Será que nenhum político ainda abraçou esta causa? Pois isto é solidariedade, e é a marca de um país desenvolvido, que não deixa seus filhos mais carentes à margem do caminho da dignidade, simplesmente porque a fatalidade os alcançou.

PhotobucketBlogagem Colectiva para Flávia em 9/Set/2008

Este post faz parte da Tertúlia Virtual promovida pelo Varal de Idéias e pelo Expresso da Linha e também da blogagem coletiva promovida pela Odele, do blog "Flavia, 10 anos vivendo em coma"





Alto da Página

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A Civilização Perdida da Amazônia

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Durante esta semana recebi no noticiário da FAPESP duas notícias sobre a Amazônia que me chamaram a atenção. A primeira dizia "Cai desmatamento na Amazônia"! A primeira vista é animador, mas lendo o artigo constata-se que o desmatamento de 323 km2 do mês de julho é inferior aos 870 km2 do mês anterior...ainda estamos longe do "desmatamento zero"! A segunda notícia intitulada "Amazônia antiga e urbana", eu a achei surpreendente...

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Aldeia atual dos índios Kuikuro no Alto Xingu

Ela relatava que equipes de cientistas brasileiros e americanos, com a ajuda dos índios Kuikuri do Alto Xingu, encontraram evidências de que a Amazônia já foi habitada por populações sedentárias que se organizaram em assentamentos de até 5000 pessoas, com represas e lagos artificiais para criar peixes (os atualmente analisados teriam sido formados entre 1250 e 1650). Esta(1) e outras fontes (2,3,4) relatam que estes povos produziram cerâmicas, abriram clareiras na floresta para praticar a agricultura e gerenciaram a floresta de modo a otimizar o equilíbrio entre área plantada, clareiras abertas e mata natural. Logo, afirmam eles, até 10% da floresta amazônica não seria tão virgem assim, mas teria sido manipulada por estes índios pré-colombianos. E que os Kuikuros seriam os descendentes diretos destes povos.

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Reconstrução da aldeia da civilização pré-colombiana no Alto Xingu

Estes teriam construídos redes de cidades e vilarejos interconectados por estradas bem projetadas, algumas com 45 m de largura, com uma praça central onde eram conduzidos rituais. Como não dispunham de pedras para construiur como os incas, maias ou os astecas, eles usaram a madeira, a argila, ossos de animais e outros materiais que se degradam facilmente com o calor e a umidade, o que explicaria os poucos vestígios encontrados de sua existência. Eles não praticavam a monocultura, mas plantavam de forma diversificada.

Os vestígios destes povos pré-colombianos na região amazônica são encontrados desde a Bolívia e entram pelo território brasileiro. Escavações realizadas na Ilha de Marajó demonstraram que nela viveu uma comunidade de aproximadamente 100000 pessoas...que deixaram como marca de sua passagem simplesmente alguns cacos de cerâmica...e a floresta intacta e ainda mais luxuriante que em outros lugares, contrariamente ao que acontece quando existem aglomerações humanas. Como isto seria possível? A explicação está na "terra preta dos índios".

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Solo comum (esquerda) e solo de terra preta (direita) (5)

Este tipo de terra, que contrariamente ao solo pobre do resto da Amazônia, é muito fértil, ocorre em pequenas "glebas" em lugares onde existem evidências de passagem humana, e se concluíu que ela é de origem antropogênica (criada pelos humanos). Acredita-se que ela tenha sido preparada por estes habitantes pré-colombianos da Amazônia, misturando carvão e ossos de animais para formar um híbrido altamente fértil, o que teria permitido a prática da agricultura na região amazônica. O grande interesse destas pesquisas é sem dúvida entender para tentar reproduzir a forma de interação destes povos com a floresta, na qual viviam sem degradá-la, o que se constitui em um grande passo na direção da sustentabilidade.

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Distribuição atual da terra preta legada pelos indios pré-colombianos

A grande pergunta é : "O que aconteceu com estes povos?" Pois como eles viviam principalmente ao longo dos rios, por onde chegaram os europeus, foram em grande parte dizimados pelas doenças trazidas por estes. Calcula-se que 90% da população amazônica desapareceu nos primeiros anos que seguiram o contato com os europeus.

Achei tudo isto muito rico de lições. Em primeiro lugar, se isto for verdade, significa que os seres humanos podem interagir com o meio ambiente sem devastá-lo e mesmo o enriquecendo. Em segundo lugar, fica uma questão "transcendental" : medimos o avanço de uma civilização pelos monumentos, objetos, escritos que elas nos deixaram...mas isto não estaria em conflito com o conceito de "pegada ecológica" pois estas realizações foram feitas às custas da transformação da natureza? Para o planeta Terra, não seria mais interessante estes povos que passaram e o deixaram a natureza como ela é? A civilização seria incompatível com a ecologia?



Este post faz parte da blogagem coletiva comemorativa do "Dia da Amazônia", organizada pelo "Faça a Sua Parte". Para se inscrever e visitar os outros participantes, clique na imagem abaixo :


Faça a sua parte




Fontes :

(1) Amazônia antiga e urbana
(2) Pre-Colombian Amazon tribes lived in susteinable "garden cities"
(3) Um modelo de ocupação sustentável da Amazônia
(4) Pre-Colombian Amazon supported millions of people
(5) The Black Earth of Amazon



sábado, 23 de agosto de 2008

Pela Beleza do Gesto III








"Pela Beleza do Gesto" homenageia as medalhas obtidas pelos atletas brasileiros nestes J.O. que acabam de se encerrar. E também para amigos portugueses que nos visitam, a medalha de ouro de Nelson Évora no salto triplo.

Fonte das fotos : Globo Esporte



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"Pela Beleza do Gesto" homenageia também a França. Eles se propuseram a chegar entre as dez primeiras nações destes J.O. Voilà, eles conseguiram in extremis. Hoje o galo (símbolo da França) cantou e a última medalha de ouro destes JO foi para o handball masculino francês! Parabéns!



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domingo, 17 de agosto de 2008

Pela Beleza do Gesto II








"Pela Beleza do Gesto" homenageia hoje o grande feito de César Cielo que ofereceu a primeira medalha de ouro ao Brasil e as meninas da equipe brasileira de ginástica artística, que é minha disciplina preferida nos Jogos Olímpicos.

Fonte das fotos : Globo Esporte










quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os Últimos Homens Livres?

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Este post faz parte da blogagem coletiva em comemoração do "Dia de Proteção às Florestas" promovida pelo "Faça a Sua Parte".

Falar sobre a preservação da floresta parece um assunto simples : todos estão de acordo que ela deve ser preservada e que disto depende o futuro da vida no planeta. No entanto sabemos que ela continua a ser dizimada por uma série de razões, e confesso que não tenho competência para escrever a respeito, pois não não consigo entender todas as facetas desta situação complexa que leva à esta destruição, principalmente da floresta amazônica.

PhotobucketPorisso vou falar sobre um programa sobre a floresta amazônica que vi há algumas semanas na televisão francesa, que fez um sucesso enorme por aqui. Ele tocou no assunto do desmatamento, suas causas (segundo eles, uma das principais é o plantio de soja para alimentar o gado) e conseqüências, apresentou uma parte espetacular na qual o apresentador nadava ao do lado de uma jibóia e de um golfinho cor de rosa . Mas o ponto alto foi sem dúvida a visita aos índios Zo'é, que eles chamaram de "Os últimos homens livres", que se constituem em uma das últimas tribos "intactas", ainda não "contaminadas" pelo homem branco. E é sobre este aspecto que vou abordar a preservação da floresta, o tipo de interação que os povos indígenas mantem com ela e as lições que eles nos dariam a este respeito.

PhotobucketEstima-se que em 1500, na época da descoberta do Brasil, existiam de 2 a 4 milhões de índios. Atualmente, segundo os dados da Funai eles seriam em torno de 340000 distribuídos em milhares de aldeias, em 600 terras indígenas, situadas de norte a sul do país. A constituição de 1988 garante a eles o direito à terra na qual vivem, das quais aproximadamente 70% estaria demarcada (dados daqui).

PhotobucketOs Zo'é habitam uma faixa de terra firme, cortada por pequenos igarapés afluentes de dois grandes rios, o Cuminapanema e o Erepecuru, no município de Oriximiná, norte do Pará. Trata-se de uma região montanhosa de grandes castanhais, que apresenta maximização dos recursos de subsistência. Além da mandioca, que corresponde a cerca de 90% da área plantada da roça, a castanha-do-pará é o produto mais consumido pelos índios, que utilizam também a casca e a entrecasca para confeccionar a maioria de seus artefatos. O território ocupado pelos índios é entrecortado por pequenos igarapés, onde realizam pescarias com timbó. A relativa escassez de recursos faunísticos nessa zona de ocupação resulta do longo tempo de permanência das aldeias e, portanto, do esgotamento da caça (texto daqui).

Photobucket"Devido às difíceis condições de acesso e à inexistência de programas estaduais ou federais de desenvolvimento na região norte do Pará, a área continua relativamente preservada; no entanto, pequenos grupos garimpeiros se implantaram nas margens dos rios que limitam a área: Erepecuru (onde existem várias pistas de pouso) e Curuá. Até o momento, a Área Indígena Cuminapanema/Urukuriana continua apenas "interditada". Uma situação jurídica precária: sua "identificação" começou em 1997, dando-se início ao longo processo de reconhecimento fundiário que garantirá aos Zo'é exclusividade na ocupação e exploração de suas terras." (texto daqui)

PhotobucketNeste programa de televisão o que chocava era o contraste cultural : diante do "homem civilizado" que chegava de avião os índios que vivem na Idade da Pedra (no sentido literal e não no pejorativo). Polígamos e poliandros, nus (para os nossos padrões, para eles estavam bem vestidos pois portavam seus adereços), sem chefes nem feiticeiros, vivendo sem noção de propriedade, a terra é um bem coletivo, e deve ser usada para a caça, a pesca, a coleta e a agricultura, retirando da floresta somente o necessário para sua sobrevivência. Neste confronto podia se avaliar o caminho que percorreu a humanidade nestes milênios, mas em que direção? O comentário do apresentador,(e dos expectadores que viram o programa e deixaram seus comentários no site da emissora), comparando aquela aldeia indígena ao paraíso, fornece uma pista no sentido de se refletir sobre se tomamos o caminho certo. Claro que são divagações, ninguém deseja voltar à Idade da Pedra, mas em relação ao desenvolvimento sustentável talvez pudéssemos aprender muito observando a relação deles com a floresta.

PhotobucketMas a grande questão é se estes índios devem ser conservados em isolamento, o que é a política atual da FUNAI ou se deve possibilitar um contato entre eles, os outros índios e a civilização? Parece que a aproximação que houve entre eles e um grupo de missionários (que queria catequizá-los e obrigá-los a se vestir...) foi desastroso, houve muitas mortes pois eles contrairam a malária e mesmo gripes, que é fatal para quem não tem imunidade. E eles, agora que "comeram o fruto proibido", entrando em contacto com o "homem branco", sera que não vão querer se aproximar deste outro mundo, perdendo assim sua cultura? Este é um dos aspectos do imenso e vital puzzle que envolve a floresta amazônica.

Pois preservar a floresta passa pela preservação de sua flora, de sua fauna, e de seus habitantes, que dependem exclusivamente dela para sobreviver. E o Brasil deve adotar uma política de firmeza em relação à Amazônia, pois a comunidade internacional está atenta a ela e suas riquezas, e acho que não é apenas porque ela é o pulmão do mundo...






Vídeos com trechos do programa da televisão francesa :


Cap sur l'Amazonie, les derniers hommes libres
Cap sur l'Amazonie, rencontre avec un anaconda
Cap sur l'Amazonie, danse avec un dauphin rose
Cap sur Amazonie, à la découverte de la faune




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