quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A Cidade Heróica



O inverno cinzento e frio nos faz sonhar com férias ensolaradas...e uma parte delas foi passada na Bahia, na companhia de uma de minhas irmãs que é uma eminente baianóloga, e como estávamos em Salvador, ela nos sugeriu que fôssemos conhecer a cidade de Cachoeira, que fica a 119 km desta capital e é tombada pelo Patrimônio Histórico.

Fomos de carro e a sinalização da estrada assim como seu estado era péssima...chegamos pela vizinha cidade de São Félix mas devo dizer que a entrada na cidade valeu a pena. Uma imponente ponte sobre o rio Paraguaçu separa as 2 cidades e atravessá-la foi como entrar num filme da época do Império. Pois é, porque ela foi construída pelos ingleses e inaugurada por D. Pedro II em pessoa. Porque Cachoeira foi uma cidade muito próspera do interior da Bahia até o século XIX, um porto para o escoamento da cana de açúcar e do fumo, que fizeram a riqueza da região.

Na cidade, o que chama a atenção é o casario de sobrados da época imperial, infelizmente muitos deles abandonados. Percebe-se, pelos poucos que foram restaurados a beleza e o potencial turístico do lugar. Entre os monumentos, vemos logo na entrada da cidade a antiga estação de trens (abandonada) e igrejas riquíssimas, da época do barroco tardio. Mas era domingo, e a maioria estava fechada e não pudemos visitar, o que foi uma pena.


Cachoeira é chamada "A Cidade Heróica" pois foi palco de movimentos importantes para a independência do Brasil e para a abolição da escravatura, sendo que personagens como Maria Quitéria e Ana Nery fazem parte de sua história.

A cultura afro-brasileira é bastante marcante na cidade, tanto pela presença de grupos de candomblé quanto na cozinha. Um dos pratos típicos da região é a Maniçoba, de origem escrava, preparado com as folhas da mandioca, que devem ser trituradas e depois cozidas por longo tempo, acrescidas de carne suína e temperadas com alho, sal, louro, pimenta etc.

Sentamo-nos numa bela praça arborizada margeando o rio, observando a ponte e vendo a cidade de São Félix do outro lado. Um ônibus encostou, trazendo a equipe de futebol local carregando um troféu, batucando e fazendo festa. Além da paisagem e do ambiente da cidade, fiquei contente por presenciar uma cena típica de um domingo numa cidade brasileira do interior.





19 comentários:

Meire disse...

O nosso Brasil, tem tanta coisa linda!
O Brasil que ninguem conhece esta' bem ali, na proxima curva, e ninguem ve, ninguem olha com os olhos qe quem esta' fora e ama verdadeiramente o Brasil.
Muitas vezes qdoe screvo falando de algum vilarejo que conheci, recebo comentarios tipo "uau! que lindo!"
Mas se formos olhar os vilarejos encravados por este Brasil a fora, veremos que tambem da para exclamar:"Uau"ù! que lindo!"

Bjs

Vi Leardi disse...

Maria Augusta ...bom dia...
Há muitos anos estive em Salvador´, mas só de passagem para Itaparica...Mesmo assim fiquei fascinada pela cidade e seus contrastes...Itaparica, foi um momento de sonho,e as lagostas frescas pescadas e colocadas na água quente,alí na hora, pelo pescador local...é um registro e tanto.Deve ser linda esta "Cachoeira"...E a sua descrição nos dá vontade destes fins de semana pacíficos com a indolência deliciosa típica do bahiano...òtimo post ...como sempre...
Bjs

Eduardo P.L. disse...

Uma Salvador e Bahia vista da França!
Muito boa postagem.

Abçs

Lino disse...

Infelizmente, Maria Augusta, o brasileiro não tem respeito pela sua história e deixa sítios históricos em todo o país desaparecerem por falta de conservação. Uma pena!

Karina disse...

Maria,
que contradição uma cidade com tanta bagagem histórica não ser devidamente valorizada e preservada.
Confesso q fiquei assustada com a foto da ponte. ;-)
Mesmo assim proporcionou um passeio bastante agradável, do qual compartilhamos ao ler suas palavras. :o)
Bjks carinhosas

teresa disse...

ai, agora me deu saudade do Brasil!

Maria Augusta disse...

Meire, é verdade, quando a gente vê de longe da mais valor às coisas que quando estamos perto nem ligamos. Um grande beijo.

Vi, Cachoeira é uma cidade com um potencial enorme, pela natureza, pela cultura e pela história. Mas está bem judiada, tem muito a ser restaurado. Beijão.

Eduardo, o contraste realça as diferenças positivas e negativas.
Quer dizer, tento não fazer comparações, somente curtir o que há de bom de cada lado. Abração.

Maria Augusta disse...

Lino, realmente o brasileiro não da valor a seus tesouros históricos, mas acho que a mentalidade está mudando.
Abraços.

Karina, ainda bem que um carro atravessou a ponte antes de nós, porque dava a impressão que ela não agüentaria. E incrível o estado na qual se encontra. Parabéns pela maravilhosa novidade e beijos para os dois. Beijos.

Teresa, a espontaneidade e o calor humano brasieiros fazem falta, né?
Beijão.

Ronald disse...

Maria Augusta, faça as palavras do Lino as minhas e tem mais, qual estrada brasileira sem pedágio (e as vezes com ele) está bem conservada? O Governo só tem dinheiro para os cartões de crédito coorporativo.

Adelino disse...

Bela aula, Maria Augusta. Eu vi aquela ponte e me lembrei de uma que existe (hoje está praticamente desativada) entre SP e MG, na altura do Triângulo Mineiro. Dá arrepios em imaginar passando ali de carro, e surgir uma locomotiva em sentido contrário. Acho que nunca aconteceu, claro.
Belas fotos, ótima aula. Como é rica a História desse nosso Brasil, não é?
Abraços

Lunna Montez'zinny disse...

Vai entender isso... Você aí sonhando com sol e eu desejando ardentemente o frio europeu. Aqui faz muito calor.
Mas adorei a viagem que você me proporcionou, quase me senti pelas ruas, de fronte ao casarão. Não fosse o calor...
Beijos menina de asas

Maria Augusta disse...

Ronald, além dos buracos, não havia uma placa na estrada indicando Cachoeira, tivemos que parar num posto e perguntar. Felizmente a gentileza das pessoas compensou a falta de sinalização. Um abraço.

Adelino, o primeiro olhar sobre a ponte é de espanto. Primeiro pela imponência dela, é muito bonita, depois pelo estado, parece que desde o tempo de D. Pedro não teve manutenção. Verdade que a história do Brasil é muito rica, mas pouco valorizada, é uma pena.
Abraço.

Lunna, a gente nunca está contente com o que tem, né? Parece que amanhã vai nevar aqui, você acredita que até agora não nevou neste inverno aqui na região.
Beijos.

Meire disse...

vim bater o ponto...rs :)

Ricardo Blauth disse...

alo Maria Augusta
Vi teu nome num comentário sobre um escultor que gostaste no blog do Eduardo-VARAL DE IDÉIAS- e fiquei curioso.
Tem lá uma foto minha ao lado de "artes" qu faço ha mais de 20 anos.
No blog do Eduardo-mora aqui encostadinho, cerca de 2o km- tem ou tinha de outro escultor Frank Plant radicado na Espanha. Daí meu comentário.
Aproveitei para visitar teu blog.
Vai para os meus favoritos.
Brasileira morando na França?
A França deve ter mudado muito desde última vez que lá estive. "Mein God" já vão 25 anos atrás.
Coisas da vida , pra não ficar idoso-quase disse VELHO- SÓ MORRENDO JOVEM.
Até outra vez.
Ricard-artesdoblauth.blobspot.com

Dentro da Bota disse...

Que bom... quem pode curtir umas ferias no Brasil...
legal a dica da cidade....
Abraços!

Celia disse...

Que fotos lindas. Adorei essa casa colorida. Adoro a Bahia, amo Salvador. Já faz um tempo que fui lá. Da próxima vez, vou levar o maridao e filha pra conhecerem. E ai na Franca, tem carnaval? Bom fim de semana. Bj

Maria Augusta disse...

Ricardo, visitei teu blog e já havia visto teu trabalho no Varal de Idéias, é realmente muito bom. Parece que os ares de Santa Catarina inspiram os artistas. Obrigada pela visita e volte sempre. Um abraço.

Dentro da Bota, então você mora na Itália...ir ao Brasil é muito bom, né? Um abraço.

Célia, a Bahia é muito bonita mesmo, só precisa melhorar as estradas e a sinalização (rs). Mas a gentileza do povo compensa tudo.
Aqui na França tem carnaval em algumas cidades como Nice e Dunquerque. Aqui em Nancy não tem nada. E aí em Estocolmo?
Beijos.

gilrang disse...

maria,

só quem vê como se dá valor, lá fora, aos símbolos do passado deles é que aprende a dar valor aos símbolos do nosso próprio passado... mesmo que seja ele um passado relativamente recente. quem nunca saiu daqui acredita que tudo isso não passa de velharia e tem que ser derrubada (em ambos os casos, generalizo, mas creio não estar longe da verdade). para preservar é preciso educação e cultura, coisas que nos faltam enormemente... pena! tudo se acabará antes que se possa salvar alguma coisa. o país está fadado ao esquecimento. seremos um país sem passado, pronto a repetir os mesmos erros no futuro...

quanto ao carnaval de nancy, havia, sim, por aí uma banda que saía, todas as tardes dos domingos de verão, pela place stanislas, num ritmo meio quebrado, porém muito parecido com o de uma escola de samba. e, na terça-feira gorda, eles voltavam a aparecer, mesmo sob o frio desencorajador, para lembrar que o carnaval existe. era tudo muito rápido. eles percorriam a rue de s.jean, a dominicans, a place stanislas e entravam pela pepinière... ce n´était pas une brastemp, mais...

Maria Augusta disse...

Gilrang, acho que os brasileiros também estão adquirindo esta vontade de preservar os sites históricos. Resta esperar que não seja muito tarde, que sobre alguma coisa a ser preservada.
Sei que existe um grupo de batucada aqui, mas nunca os vi sair nas ruas no Carnaval. Aliás, agora a rua Saint Jean está fechada para os carros, com a chegada do tramway.
Abraços.