segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Terra de Todas as Cores


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Dizem que " O baiano não nasce, estréia", ou que "todo baiano é um artista". Parece exagero, mas vendo esta galeria acima, acredito que estas afirmações não estão muito longe da verdade.
Pois, amigos, fico até envergonhada de dizer isto, mas apesar de conhecer vários países do mundo, não conheço ainda o Nordeste brasileiro. Quero dizer, não conhecia, pois nestas últimas férias procurei remediar um pouco esta grave lacuna e fui à Bahia, entrando pela sua capital, Salvador.




Ah, Salvador...como levei muito tempo para conhecê-la, eu a criei na minha imaginação : uma cidade com casario baixo, coqueirais a perder de vista, mulheres vestidas de baianas vendendo acarajés e jovens praticando a capoeira em cada esquina. Claro que chegando lá não foi bem isto que encontrei. Vi uma cidade grande brasileira típica, com seus arranha-céus e favelas lado a lado, centros comerciais enormes e modernos, e um trânsito pesado. No quesito paisagem havia menos coqueiros do que eu imaginava, mas por outro lado vislumbrei paisagens deslumbrantes principalmente na orla marítima. Mas o mais interessante foi o contato com o povo baiano, tranqüilo e acolhedor.

Aliás, andando nas ruas me dei conta mais que nunca da diversidade de cores dos brasileiros. As estatísticas dizem que 80% dos soteropolitanos são negros. E é verdade que mais que no sudeste e sul do Brasil vemos pessoas negras, de todos os nuances. Observei isto e pensei : "Somos todos brasileiros!" Verdade, fico orgulhosa de vir de um país mestiço, não importa a cor da pele, somos todos brasileiros.


Claro que se remontarmos na história, nossa parte índia sofreu uma aculturação e um extermínio, nossa parte negra veio como escrava, nossa parte portuguesa começou com os degredados. Mas e daí? Com a mestiçagem que temos, cada um de nós é ao mesmo tempo vítima e algoz. Não podemos mudar o passado, o que podemos fazer agora no presente é corrigir as distorções que este criou, para que o futuro seja melhor para todos os brasileiros. Para que gastar energia salientando as diferenças?


Mas depois deste parêntese que foi uma reação ao que li na semana passada relativo a este novo feriado, voltemos a Salvador, seus artistas, suas paisagens, seus monumentos históricos... que vão dar muito assunto, mas para os próximos posts.






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17 comentários:

Vi Leardi disse...

maria augusta querida ....que lindo...adorei o texto a música e xadrez das fotos ...o máximo...

Por coincidência tambénm postei uma última viagem...Delícia né?...
mil beijos

Lunna Montez'zinny disse...

Caríssima, seu texto foi de uma sutileza maravilhosa. Não conheço o nordeste brasileiro e creio que nem venha a conhecer (não nessa existência). Eu não suporto o calor e sei que são cidades absurdamente quentes.
Imagino as cores e a miscigenação, o Brasil permite todas essas cores e isso faz desse país um lugar tão aconchegante. Mas há sempre os que preferem exaltar as diferenças (não há necessidade, mas também não há necessidade para tantas outras coisas).
Vejo por São Paulo, que me fascina - aqui eu tenho a sensação de conhecer um pouco de cada canto do mundo e por isso é tão especial estar aqui. Pena que nem todos se permitam perceber isso.
Abraços meus, o meu carinho e o meu desejo de uma linda semana a sua alma.

Eduardo P.L. disse...

Saudades da Bahia.
Ótimo som, imagens e texto primoroso!

Maria Augusta disse...

Vi, teu post sobre tua viagem está maravilhoso, um passeio completo com detalhes e belas fotos. Um beijão.

Lunna, talvez uma boa época para visitar o Nordeste seja a primavera, pois não senti muito calor lá. Quanto à miscigenação brasileira, ela é um tesouro, mas talvez so conseguimos apreciar devidamente quando conhecemos outros lugares onde ela não existe.
Beijos e Feliz Aniversário!

Eduardo, obrigada, farei outros posts sobre a viagem à Bahia.
Abração.

teresa disse...

jura que rui barbosa era baiano? essa eu não sabia. o texto está lindíssimo. adorei a frase "cada um de nós é ao mesmo tempo vítima e algoz". é verdade. toda mistura traz conseqüências.

Só- Poesias e outros itens disse...

Belo post sobre a Bahia.
Sempre bom rever, ler e ouvir sobre o " que que a bahia tem?" que nos encanta.


bjs.

Ju gioli

Lino disse...

Teresa:
A beleza do Brasil é essa multiplicidade de cores, de gostos.

Ronald disse...

Pois é, temos tantas coisas lindas no mundo e nos prrendemos à detalhes pequenos...

Me desculpe a demora na visita mas a correria está intensa...

Bjs querida

Maria Augusta disse...

Teresa, Rui Barbosa era baiano sim, e de Salvador. Parece que a rua onde nasceu foi rebatizada com seu nome. Beijo grande.

Lino, esta multiplicidade é uma riqueza. Mas seria necessário uma motivação comum para fazer o país aproveitar seu potencial para melhorar. Acho que a Teresa concordaria comigo. Um abraço.

Ronald, às vezes perdemos tempo com os detalhes e esquecemos do essencial. Obrigada pela visita.
Um abraço.

Aninha Pontes disse...

Menina, eu não conheço a Bahia.
Conheço pouco do Nordeste, apenas Recife, Olinda, João Pessoa, estive lá numa viagem do bem, ele estava a trabalho e me levou para conhecer.
Foi uma semana maravilhosa.
O povo, nosso povo, uma mistura total, indefinível, e que torna as pessoas receptivas, carinhosas, alegres, é assim nosso povo, é assim que somos.
Um beijo

luma disse...

Eu não conheço o nordeste e idealizava Salvador uma cidade como a que descreveu. Não sei se me prendi aos escritos de Assis Chateaubriand em sua época de Diário de Notícias, ou um ambiente intelectualizado como o que viveu Glauber Rocha, ou com a alegria frenética cheia de cores de Lina Lo Bardi. Aceito qualquer mudança! Mas por favor, não me faça comer acarajé! (rs*) Boa semana! Beijus

david santos disse...

Não conheço o Brasil! Mas algum dia... Bem, tenho de conhecer nem que seja apenas uma rua.

Parabéns.

Maria Augusta disse...

Como diz a canção : "Você já foi à Bahia, Anninha? Então vá, viu?"(rs). Vale a pena, lá a gente percebe ainda mais quanto nosso povo é receptivo e alegre como você disse. Um beijo.

Luma, no teu comentário você lembrou mais alguns baianos importantes que fazem parte da nossa cultura. Também não gosto de acarajé, mas os outros quitutes baianos são tão bons.

David, espero que você realize teu desejo de ir ao Brasil. Obrigada pela visita ao meu blog. Um abraço.

Ronald disse...

Maria Augsuta, trabalho bem feito, recompensa...

Pssa lá no meu terreno que tem algo à vc... Ps no do Oscar tb...


Quem manda ser ótima, azar o seu.. hehehehehehehe

Só- Poesias e outros itens disse...

Olá, fiz uma referência ao seu blog, com direito a prêmio.
bjs,

Ju gioli

Maria Augusta disse...

Ronald, que bela recompensa, vocês estão me mimando demais (rs). Obrigada, e parabéns por ter sido reconhecido como um "Blog de Elite". Abraço.

Jugioli, que belíssima surpresa encontrei no teu blog. Muito obrigada. Um grande beijo.

Karina disse...

Eu faço parte da turma da Lunna. Já tive vontade de ir ao Nordeste, mas acredito q essa viagem não será feita nessa vida. O calor me sufoca. Maridão já fala pra pensar em viagens de Minas p/ baixo, pq tbém tem pavor do calor.
Mas quem sabe ainda não nos aventuramos numa dessas Primaveras, né?
Tenho um carinho especial pela Bahia e pelo povo baiano, que exala tanta alegria. Não acho q as frases sejam exagero, bonito pensar que a alegria não nasce, estréia. :o)
Bjks