Pois é, estamos na "Semana da Mulher" e este ano ela está sendo eclipsada pela crise, que alcança indiscriminadamente a todos, homens e mulheres. No entanto, não dá para esquecer que existem problemas que são específicos a elas, e que alcançam proporções enormes em alguns paises, seja por razões culturais, econômicas, ou ambas. E um deles é a escolarização das meninas.
Há 4 anos existe uma campanha aqui na França chamada "Rosa Marie Claire" para vender rosas durante a "Semana da Mulher" visando arrecadar fundos para a escolarização de meninas no mundo. Deve existir outros, mas falo deste programa por ser muito mediatizado, todas as jornalistas importantes do rádio e da televisão franceses estão envolvidas nele, o que ajudou a chamar a atenção para alguns dados e números assustadores :
- oficialmente 200 milhões de meninas não tem acesso à educação no mundo
- as mulheres constituem 64% das pessoas que não sabem ler nem escrever
- mais de 40% das mulheres africanas não tem acesso à educação de base
- no mundo, 2 milhões de meninas entre 5 e 15 anos são entregues à prostituição a cada ano.
- 82 milhões de meninas entre 10 e 17 anos estarão casadas antes de completar 18 anos (em geral casamentos arranjados pelas famílias).
- no Camboja, uma menina é vendida por menos de 20 dólares a um gigolô
- nos paises possuindo legislações discriminatórias em relação às mulheres, as violências conjugais não são consideradas como crimes.
Normalmente, acredita-se que uma pessoa escolarizada estará mais preparada para enfrentar e evitar estes problemas, assim como os assuntos ligados à higiene e à saúde (como a prevenção da AIDS). Indo à escola elas evitarão também os problemas de subnutrição, pois lá elas receberão um reforço alimentar. Além disto serão instruidas em relação ao controle da natalidade, e como a educação é "contagiosa", elas a transmitirão à família e a seus filhos mais tarde. Sem falar que terão uma chance de trabalhar e se emancipar, colaborando para o próprio desenvolvimento de seus paises.
Apesar de tudo isto, muitas famílias hesitam em enviar suas meninas às escolas beneficiadas pelo programa "Rosa Marie Claire" ou outras. O motivo alegado é que são braços a menos para trabalhar durante o período que estão estudando, logo para cada enviar as meninas à escola, o programa tem que pagar uma compensação financeira às famílias...
Sempre compro a rosa Marie Claire esperando que isso possa contribuir no sentido de ajudar estas meninas ...mas não posso deixar de me interrogar se não estamos tendo uma visão muito "ocidental" da situação. Imagino que se a mentalidade e as leis destes paises não mudarem, se para elas não vai ainda mais difícil descobrir na escola que a liberdade existe e não poder exercê-la na prática.
As fotos são de escolas beneficiadas pelos programas da campanha "Rosa Marie Claire" (site aqui) no Benin e no Camboja.















