quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A Primeira Vez


A lenda desta ilha tem origem na Odisséia de Homero : seus frutos, os "lotos", teriam um sabor de mel : quem os experimentar não desejaria partir nunca mais...Trata-se da ilha de Djerba, e foi nela que desembarcamos quando fomos ao sul da Tunísia e fizemos nosso périplo pelo deserto, que narrei no post precedente. Não ficamos nela muito tempo, mas me lembro de suas casinhas brancas se recortando contra o céu azul, do exotismo do hotel, dos comerciantes que chamavam todas as mulheres de "gazela" e os homens de "gazu".

Quando lá cheguei o funcionário do aeroporto me disse : "É a primeira vez que um passaporte brasileiro passa pelas minhas mãos". Sorri e pensei na responsabilidade da imagem que deixaria, sendo possivelmente a primeira brasileira a pisar naquelas paragens...mas gosto muito de "viajar por mares nunca dantes navegados".

Mas esta viagem à Tunísia foi marcada certamente pela hospitalidade do seu povo, mas também por muitas "primeira vez" e por um certo choque cultural :

  • foi a primeira vez que andei de camelo,
  • foi a primeira vez que vi uma miragem,
  • foi a primeira vez que vi uma cidade troglodita
  • foi a primeira vez que oferecemos uma gorjeta e a pessoa reagiu como se tivéssemos "insultado sua mãe"
  • foi a primeira vez que vi um homem, uma mulher uma criança e um burrinho subindo uma ladeira...o homem montado no burro, e a mulher atrás, subindo a pé e com a criança no colo
  • foi a primeira vez que sentada numa mesa ao lado do meu marido, alguém veio me dizer : "Você não prefere ir se sentar na outra mesa com as outras mulheres"?
  • foi a primeira vez que entrando no Correio duma cidade, quando sozinha fui atendida normalmente, e quando acompanhada por um amigo, a pessoa não reagiu quando fiz meu pedido. O nosso amigo repetiu o que eu disse e foi imediatamente atendido. Explicação : "Quando uma mulher está acompanhado por um homem, é o homem que fala e a mulher fica calada". E era uma mulher a funcionária atrás do balcão...

Pois é, e dizem que é um país que evoluíu em termos de direitos femininos, lá não existe mais a poligamia, ainda presente nos países vizinhos. Mas uma mulher que quiser fazer uma viagem, por exemplo, mesmo que seja independente financeiramente, deve possuir uma autorização escrita do "homem da família", seja o marido, pai ou irmão...e elas são felizes assim. Dá para entender?






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