sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A Travessia do Deserto


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"Du vent, du sable et des étoiles (vento, areia e estrelas)", dizia do Saara o escritor do Pequeno Príncipe, Saint Exupéry. Dizer que ele é espetacular é um eufemismo, os produtores de Hollywood também o reconhecem, pois realizaram no Saara Ocidental, no sul tunisiano "Guerra nas Estrelas" e "O Paciente Inglês".

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E foi este canto do Saara que tive a ocasião de conhecer há alguns anos atrás. Meu marido recebeu um convite para participar como conferencista dum curso na cidade de Gabès e resolvemos aproveitar para acrescentar uma semana de férias passeando no Saara, que não fica distante dali. Tratava-se duma excursão que partia de Douz, a "porta do deserto" e adentrava no Saara durante 7 dias, "cavalgando" as dunas com os jipões, andando de camelos, visitando os oásis de montanha da fronteira argelina (foto acima), a cidade de Touzer com suas tamareiras, atravessando o lago salgado Chott-el-Jérid , visitando os souks, os vendedores de tapete, as cidades trogloditas...bem na base da aventura, se hospedando muitas vezes em hotéis rústicos ou tendas, sem água corrente nem eletricidade.

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Sem dúvida um ponto alto do passeio foi a parada no oásis onde passamos a noite. Primeiro porque lá tive a oportunidade de andar de camelo entre o oásis e um forte que ficava a 7 km. Morri de medo mas a paisagem do forte no meio da areia se recortando contra o horizonte na hora do por do sol foi inesquecível. Depois, à noite os árabes dançando à beira da fogueira sob o sol estrelado foi magnífico (apesar dos borrachudos, nunca vi mosquitos tão ferozes). Mas o mais surpreendente foi que a temperatura que durante o dia era de quase 40 graus, à noite caíu vertiginosamente...e os cobertores que tinham ficado abandonados num canto na tenda coletiva onde dormíamos passaram a ser disputados "no braço" no meio da escuridão, uma loucura!

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Legal também foi ver uma miragem. Sempre pensei que miragem fosse algo psicológico, porque a pessoa estava com sede. Mas não é não, é um fenômeno físico causado pela refração nas camadas de ar aquecidas pelos raios de sol sobre o lago salgado, logo todos que a observam vêem a mesma coisa. Nós vimos no ar um carro passando numa estrada próxima.

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A noite no hotel troglodita (cavado na pedra) de Matmata também foi pitoresca. Parecia que estávamos dormindo num túmulo, até a cama era cavada na pedra...Também valeu a pena as visitas que fizemos aos souks, mercados onde se vende de tudo numa aparente desordem e onde a pechincha faz parte do negócio, foi muito divertido.

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Foi uma viagem muito pitoresca, mas tive problemas de alergia por respirar a areia do deserto ( entendi então porque os beduínos usam aquelas turbantes que cobrem o rosto até o nariz) e tive um começo de insolação porque um dia tomei sol demais...logo fiquei bem contente quando voltamos a Gabes e havia um hotel normal, com uma bela "salle de bains", uma cama fofinha e o conforto da civilização. Sou mesmo um "bicho da cidade", não tem jeito...