segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Fazendo da Vida um Poema...



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A Lunna nos convidou para reabrir as aspas para a poesia, o que fazemos com grande prazer. Desta vez vou homenagear uma poetisa que conheci na blogosfera, e que sempre me encanta transformando cada momento de seu dia, de sua noite, das rosas e espinhos de sua vida em versos maravilhosos. Em muitos reconhecemos nossos sentimentos, nossos pontos de vista, mas como é bom vê-los descritos de forma tão poética pela sua sensibilidade.

Pois se trata da Dora Vilela. O que sei sobre ela? Que é uma mãe dedicada, a partir de alguns de seus poemas deduzi que ela deve ser enseignante, é uma visitante carinhosa e atenta, e para mim isto basta para admirá-la e estimá-la, afinal, ela nos oferece tanto com seus escritos. Mas se vocês quiserem se deliciar com seus poemas e conhecê-la melhor, recomendo que visitem seu blog "Pretensos Colóquios", garanto que vão adorar.



Presente

Dora Vilela

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veio do mar, na brisa da manhã,
me trouxe a maresia,
o sol, a nudez, a melodia,
chegou de surpresa,
fez-se aparição,
moldou-se em fantasia

com o mar, trouxe o abismo,
trouxe um corpo de sal,
um olhar verde de algas
e um falar de onda macia

aportou no meu cais,
contou lendas de piratas,
encantou-me com poesia
apontou-me o pôr-do-sol,
ensinou-me pescaria,

me arranjou bancos de areia,
me mostrou conchas vazias,
me prendeu na sua rede,
me ofertou um bracelete,
me levou em companhia

sem saber o que fazia,
me tornei aquosa e fria,
no doce balanço do mar,
no vento, na calmaria

mas, o ar frio da noite
dissolveu sua energia,
meu fantasma tão vivente
se perdeu leve na bruma...

só, sozinha,entontecida,
entre-sonhando olhei as mãos,
que, no esforço da partida,
apertavam incrédulas
um bracelete de pérolas.






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