
A Lunna nos convidou para reabrir as aspas para a poesia, o que fazemos com grande prazer. Desta vez vou homenagear uma poetisa que conheci na blogosfera, e que sempre me encanta transformando cada momento de seu dia, de sua noite, das rosas e espinhos de sua vida em versos maravilhosos. Em muitos reconhecemos nossos sentimentos, nossos pontos de vista, mas como é bom vê-los descritos de forma tão poética pela sua sensibilidade. Pois se trata da Dora Vilela. O que sei sobre ela? Que é uma mãe dedicada, a partir de alguns de seus poemas deduzi que ela deve ser enseignante, é uma visitante carinhosa e atenta, e para mim isto basta para admirá-la e estimá-la, afinal, ela nos oferece tanto com seus escritos. Mas se vocês quiserem se deliciar com seus poemas e conhecê-la melhor, recomendo que visitem seu blog "Pretensos Colóquios", garanto que vão adorar.
Presente Dora Vilela

veio do mar, na brisa da manhã, me trouxe a maresia, o sol, a nudez, a melodia, chegou de surpresa, fez-se aparição, moldou-se em fantasia
com o mar, trouxe o abismo, trouxe um corpo de sal, um olhar verde de algas e um falar de onda macia
aportou no meu cais, contou lendas de piratas, encantou-me com poesia apontou-me o pôr-do-sol, ensinou-me pescaria,
me arranjou bancos de areia, me mostrou conchas vazias, me prendeu na sua rede, me ofertou um bracelete, me levou em companhia
sem saber o que fazia, me tornei aquosa e fria, no doce balanço do mar, no vento, na calmaria
mas, o ar frio da noite dissolveu sua energia, meu fantasma tão vivente se perdeu leve na bruma...
só, sozinha,entontecida, entre-sonhando olhei as mãos, que, no esforço da partida, apertavam incrédulas um bracelete de pérolas.
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