Diz a lenda que a imperatrice Xi Ling Shi tomava um chá à sombra de um amoreira quando um casulo caiu na sua chávena. Tentando retirá-lo ela o puxou por um fio e este se desenrolou, e ela, extasiada com sua delicadeza, teve a idéia de tecê-lo. Estava assim descoberta a seda. Isto teria acontecido por volta de 2700 a.C. e o segredo de sua obtenção foi muito bem guardado pelos chineses durante milênios. A descoberta deste processo pelos outros povos também foi objeto de lendas e suposições. Por exemplo, conta a história que uma princesa chinesa ao casar-se com um príncipe da Indonésia, levou consigo ovos de bichos-da-seda e sementes de amora entre as pregas de seu véu. E a passagem para o Ocidente? Neste caso, teriam sido dois monges espiões que foram enviados pelo imperador bizantino Justiniano para descobrir o segredo e trouxeram os ovos de bicho da seda escondidos na parte oca de suas bengalas de bambu. Lendas à parte, a seda foi cobiçada desde o início pelos outros povos e foi o material mais precioso que a China teve para oferecer durante séculos. O imperador Wudi (II Séc. AC) enviou como emissário o general Zhan Qian na direção do Ocidente, para buscar alianças contra os ataques dos ancestrais dos hunos, e estes levavam como tributo para oferecer aos aliados a seda. Estas expedições permitiram uma abertura da China em direção ao Ocidente e marcaram o início da "Rota da Seda". Na verdade, não houve uma única rota da seda, mas várias, terrestres e marítimas. As terrestres partiam da cidade de Xi'ang na China, atravessavam a Mongólia, a Ásia Central, o Afganistão , o Irã, o Iraque e chagavam à Síria, de onde as mercadorias alcançavam a Europa, passando pela Turquia e chegando até Roma ou Veneza. Suas ramificações alcançavam a Índia e o Paquistão. Quem estava em uma das extremidades dela, não sabia o que havia na outra, a viagem durava anos por rotas perigosas e plenas de bandidos. O primeiro que "viveu e voltou para contar" o que havia do outro lado foi Marco Polo. Nesta rota circulava a seda em direção do Ocidente, o vidro e o incenso em direção ao Oriente, assim como pedras e metais preciosos, lã, âmbar, marfim, especiarias e outras mercadorias, mas não somente. Na verdade, ela foi o caminho pelo qual o budismo rodeou o Himalaia para alcançar a China e também a porta de entrada do cristianismo nestoriano, do judaísmo, do maniqueísmo e do islamismo neste país. Esta rota surgiu com objetivos comerciais, mas funcionou como um meio de integração política, religiosa e cultural, sendo que inúmeras cidades surgiram em torno dela. Era no entanto, tórrida no verão e glacial no inverno, e povoada de saqueadores, devido ao alto valor dos bens que nela circulavam. Seu declínio começou no século XV, com o advento das grandes navegações e a descoberta do caminho marítimo entre a Europa e a Ásia. Durante este mês de julho, preciso ficar em Nancy...mas o Jardin vai viajar. Ele vai pegar a Rota da Seda, partindo de Veneza como Marco Polo, passando pela cosmopolita Constatinopla (Istambul) e a Capadócia, Samarcanda e seus monumentos, encontrando os nômades Kazaques e entrarmos em seus yourts (tendas) e concluiremos encontrando os Guerreiros da Eternidade em Xi'ang, na China milenar. Estaremos então bem próximos de Pequim. Será que chegaremos a tempo para a abertura dos Jogos Olímpicos? Não sei, mas todos que quiserem viajar conosco serão benvindos...
Projeto da UNESCO sobre o papel de integração de civilizações desempenhado pela Rota da Seda ▲ Alto da Página ▲ |
sexta-feira, 27 de junho de 2008
A Rota da Seda
Assinar:
Postagens (Atom)















