"A vida só é possível Luci é uma deficiente visual, ela não pode ler as palavras desta linda poesia de Cecília Meireles... e Joana não pode lê-las também, para ela estes símbolos são como para nós uma sopa de letras...Ela é deficiente visual? Não, Joana é analfabeta. "Cuidado, perigo de morte, não toque nos fios!" Maria passa diante deste cartaz todos os dias com suas crianças, sem explicar a elas que é perigoso. Porque, ela é inconsciente? Ela é estrangeira, não entende a língua deste país? Não, ela é analfabeta. João, quando precisa preencher um formulário,o leva sempre para casa para que seu filho o faça para ele. Já perdeu muitas oportunidades de emprego por não ser capaz de preenchê-lo sozinho. Nunca vai à reunião dos pais na escola de seus filhos, pois tem medo de que alguém peça a ele para ler ou escrever alguma coisa. Ele é analfabeto. Como vemos nestes exemplos o analfabetismo é um fator de exclusão, prejudica a vida familiar, a vida profissional, a vida de cidadão, gera o isolamento, a perda da auto-confiança e bloqueia as possibilidades de autonomia e de melhoria de vida para muita gente. E ele pode se apresentar em vários graus : - consegue-se decifrar as palavras, mas não se consegue entender o sentido da frase formada por elas, - não se consegue fazer uma ligação entre as partes de um texto, - perde-se o sentido de um texto quando o vocabulário é mais complexo - não se consegue preencher um formulário, mesmo simples - não se consegue entender instruções escritas. Não importa qual seja o grau apresentado, é um mal que pode e deve ser combatido. Naturalmente, o meio mais radical para acabar com o analfabetismo é enviar todas as crianças à escola. No entanto, ele deve ser atacado em todas as idades e qualquer pessoa que saiba ler e escrever pode ensinar uma outra e rasgar este véu que a impede de viver a vida com mais plenitude. Uma grande barreira no entanto, são os próprios analfabetos. Estes, por vergonha e medo do preconceito, empregam subterfúgios para esconder sua deficiência, impedindo assim a ajuda até dos mais próximos. Acredito que a luta para combater o analfabetismo deve começar por aí, e para consegui-lo alguns argumentos para convencê-los seriam : - o analfabetismo não é um mal que toca somente os países pobres (ver mapa acima), na França por exemplo, que possui um sistema de educação com o maior número de horas de aulas no mundo, 10 milhões de indivíduos são considerados analfabetos ou iletrados, mesmo tendo passado por ele. - um analfabeto pode ser uma pessoa que possui uma experiência empírica valiosa. No entanto, para que ela seja reconhecida e melhorada, e se torne uma alavanca para abrir novas fronteiras na vida pessoal e profissional, aprender a ler a escrever e a contar é indispensável. - não é degradante para ninguém assumir suas dificuldades e pedir ajuda aos outros no sentido de superá-las, em qualquer situação e em qualquer idade. Aí entra a outra parte do problema, pedir ajuda a quem? - No Brasil antigamente havia o Mobral, atualmente devem existir outras instituições destinadas à alfabetização de adultos. - as empresas que possuem empregados nestas condições poderiam dedicar algumas horas depois do expediente e destacar alguém para alfabetizá-los - as cooperativas, que reúnem grupos de produtores no campo deveriam se organizar também para alfabetizar jovens e adultos carentes das redondezas. - cada um de nós, conhecendo alguém que não saiba ler ou escrever, deveria dedicar um pouco de seu tempo para alfabetizá-lo. O analfabetismo é uma das epidemias decorrentes da pobreza, mas que pode ser extirpado apesar dela. Sim, pois não está em nosso poder acabar com a pobreza no mundo de modo imediato, mas podemos acabar com o analfabetismo pelo menos das pessoas que nos cercam, com a nossa boa vontade. Portanto, descruze os braços e alfabetize alguém que precise aí perto de você. Já pensou a alegria que você vai sentir ajudando esta pessoa a sair das malhas da ignorância?
Este post faz parte da blogagem coletiva "A Blogosfera contra o Analfabetismo", organizada pela Georgia e pela Meire.
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