Usar a água é aceitar de poluí-la! Se a poluição da água de origem doméstica apresenta um espectro relativamente constante, a poluição das águas de origem industrial é bastante diversificada, dependendo do processo industrial. Nestes, ela é usada como dissolvente ou reagente químico, para a lavagem, para o resfriamento, e finalmente é descartada. Poluída por estes processos, ela contem geralmente elevada carga de contaminantes orgânicos e químicos, muitas vezes tóxicos, ela é lançada direta ou indiretamente nos rios, lagos e oceanos, com as conseqüências nefastas para a fauna e para a flora que tão bem conhecemos. Entre as indústrias poluidoras se encontram as indústrias agro-alimentares, as químicas, as que fabricam o papel, as que tratam o couro, para citar somente algumas.
Análises recentes realizadas em famílias vivendo em áreas poluídas revelaram que o organismo é contaminado por compostos tóxicos e por pesticidas. Como remediar este problema? A indústria química, que foi em grande parte responsável por ele, está fazendo sua "mea culpa" e se mobilizando em várias frentes para corrigi-lo. E surgiu assim a Química Verde (veja os 12 mandamentos da Química Verde aqui). Nela, novos processos e novas práticas de prevenção da poluição ou de produção mais "limpa" são implementados, além da destruição dos poluentes gerados pela química tradicional.
Em relação a este último tópico, a destruição dos poluentes, um grupo do Instituto para a Química Verde de Pittsburgh (EUA) recentemente apresentou o resultado de seus trabalhos trazendo uma nova esperança neste sentido. Eles desenvolveram um tipo de molécula que destrói poluentes persistentes contidos em efluentes industriais.
Poluição "azul" no rio Cerou (França)
Para desenvolvê-las, eles se inspiraram nas reações naturais do corpo humano, no qual as enzimas funcionam como catalizadores, isto é, aceleram a digestão (por exemplo, na saliva a enzima chamada ptyalina permite a digestão rápida dos alimentos). Eles criaram então resinas sintéticas, que combinadas com a água oxigenada, vão "digerir" os contaminantes seguindo o mesmo mecanismo pelo qual os alimentos são digeridos no corpo humano. Estas enzimas são chamadas de TAML (tetra-amido macrocyclic ligands).
Depois de mais de 15 anos de pesquisas, eles apresentaram toda uma gama de TAML, cada um com características específicas para destruir um tipo de poluente. Estes podem ser os pesticidas perigosos, colorantes e outros contaminantes. No caso da indústria de papel, o branqueamento requer o uso do cloro que é altamente cancerígeno, pois libera dioxinas, clorofenóis, que vão acabar poluindo as águas dos rios. Estas moléculas verdes poderiam erradicar este problema.
No entanto, os mecanismos destas moléculas são alvo de estudos aprofundados, pois estas, depois de destruir a poluição, devem se autodegradar em algumas horas somente para que não se tornem, elas mesmas, uma nova fonte de poluição. No estágio atual, mas de 90 brevês sobre elas já foram depositados, mas a exploração comercial ainda não começou.
De qualquer forma, as pesquisas visando a resolução dos problemas de poluição causados pela química industrial tem sido levadas muito a sério, e o problema da descontaminação dos cursos d'agua é um de seus aspectos prioritários, o que não deixa de trazer uma esperança neste "Dia Mundial da Água". E nos permite ter esperança de que estas imagens apocalípticas de poluição mostradas acima desaparecerão e que teremos somente que apreciar as paisagens abaixo, com águas limpas e sadias.
Fontes :
Little Green Molecules - Terrence J. Collins and Chip Walters
Des Molécules Vertes Mangeuses de Pollution
Este post faz parte da blogagem coletiva comemorativa do "Dia Mundial da Água" promovida pelo "Faça a Sua Parte".
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