
O inverno cinzento e frio nos faz sonhar com férias ensolaradas...e uma parte delas foi passada na Bahia, na companhia de uma de minhas irmãs que é uma eminente baianóloga, e como estávamos em Salvador, ela nos sugeriu que fôssemos conhecer a cidade de Cachoeira, que fica a 119 km desta capital e é tombada pelo Patrimônio Histórico.
Fomos de carro e a sinalização da estrada assim como seu estado era péssima...chegamos pela vizinha cidade de São Félix mas devo dizer que a entrada na cidade valeu a pena. Uma imponente ponte sobre o rio Paraguaçu separa as 2 cidades e atravessá-la foi como entrar num filme da época do Império. Pois é, porque ela foi construída pelos ingleses e inaugurada por D. Pedro II em pessoa. Porque Cachoeira foi uma cidade muito próspera do interior da Bahia até o século XIX, um porto para o escoamento da cana de açúcar e do fumo, que fizeram a riqueza da região.Na cidade, o que chama a atenção é o casario de sobrados da época imperial, infelizmente muitos deles abandonados. Percebe-se, pelos poucos que foram restaurados a beleza e o potencial turístico do lugar. Entre os monumentos, vemos logo na entrada da cidade a antiga estação de trens (abandonada) e igrejas riquíssimas, da época do barroco tardio. Mas era domingo, e a maioria estava fechada e não pudemos visitar, o que foi uma pena.
Cachoeira é chamada "A Cidade Heróica" pois foi palco de movimentos importantes para a independência do Brasil e para a abolição da escravatura, sendo que personagens como Maria Quitéria e Ana Nery fazem parte de sua história.A cultura afro-brasileira é bastante marcante na cidade, tanto pela presença de grupos de candomblé quanto na cozinha. Um dos pratos típicos da região é a Maniçoba, de origem escrava, preparado com as folhas da mandioca, que devem ser trituradas e depois cozidas por longo tempo, acrescidas de carne suína e temperadas com alho, sal, louro, pimenta etc.
Sentamo-nos numa bela praça arborizada margeando o rio, observando a ponte e vendo a cidade de São Félix do outro lado. Um ônibus encostou, trazendo a equipe de futebol local carregando um troféu, batucando e fazendo festa. Além da paisagem e do ambiente da cidade, fiquei contente por presenciar uma cena típica de um domingo numa cidade brasileira do interior. 










