sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Verde Esperança



Para este 7 de setembro, pensei em escrever algo para homenagear o aniversariante, nosso país. Sei que sob nosso “céu risonho e límpido” está coberto por muitas nuvens (ver meu post "Ordem e Progresso"), mas "nossos bosques tem mais vida" e desta natureza generosa que tantos nos invejam podem surgir muitas coisas boas, e é sobre algumas delas que eu gostaria de falar aqui hoje, como uma mensagem de esperança.

A primeira é o Projeto Tamar, que conheci durante minha mais recente visita ao Brasil. Ele foi criado para preservar as tartarugas marinhas da extinção, devido às ameaças naturais e à presença do homem. Mas logo se percebeu que para qua a ação tivesse sucesso, era necessário motivar as populações costeiras, oferecendo alternativas econômicas à exploração das tartarugas marinhas. Estas alternativas incluem a valorização artística e o resgate cultural das regiões onde o projeto está implantado, a criação de creches e hortas comunitárias, o desenvolvimento do ecoturismo e a associação dos moradores locais à ação dos pesquisadores. Logo, sob a bandeira da preservação das tartarugas marinhas são englobados a proteção do meio ambiente, a criação de empregos e a valorização da cultura local.

Um outro projeto interessante com o qual entrei em contato por meio do blog da Karina é o projeto "Meu Cerrado", implantado em Minas Gerais. Nele também, as condições de vida da população foram melhoradas utilizando recursos ligados às tradições locais, como o artesanato à base de bambu e de palha de milho e também a plantação de frutas, das quais se extrai a polpa que sera usada numa indústria que está sendo montada em regime de cooperativa. O resultado é que em 20 comunidades da região as crianças estão mais saudáveis, “Peso, medida, o índice de desnutrição vem caindo desde a implantação de hortas”.

Outro projeto magnífico e bem brasileiro do qual sinto muita satisfação em citá-lo é a pesquisa desenvolvida pela minha amiga a dra. Mitiko, com quem trabalhei durante anos no IPEN, em São Paulo. Ela realiza pesquisas sobre o uso do bagaço de cana-de-açúcar, fibras de coco, cascas de banana e outras biomassas para o tratamento de efluentes contaminados. Estes processos tem o grande mérito de utilizar estes sub-produtos de baixo custo e bem brasileiros para controlar a poluição e valorizar ainda mais a produção dos habitantes das zonas rurais.

Todos estes casos são exemplos de que, apesar de vivermos em uma época de mundialização, existem soluções que respeitam as tradições e o meio ambiente locais e que podem propiciar condições de vida dignas às populações. Desta forma, estas não precisariam migrar em direção às grandes cidades, onde muitas vezes vão engrossar o contingente dos que vivem em situação precária, o que leva ao desencanto e à violência. E viver dignamente podendo seguir sua cultura e tradições, e ser respeitado pelo que nós somos, não é isto a verdadeira independência?