terça-feira, 31 de julho de 2007

O Romance do Rio

Acabei de ler o livro "Le Roman de Rio" (O Romance do Rio), que foi publicado recentemente aqui na França, escrito pelo jornalista da revista l'Express Axel Gyldén, especialista da América Latina.


Este livro traça em rápidas pinceladas a história do Brasil desde o descobrimento até nossos dias, indo de Pedro Álvares Cabral a Lula, de Hans Staden (o alemão que ficou refém dos índios antropófagos) até Ivo Pitanguy.


O estilo é leve e de fácil leitura, os fatos são narrados sem análises ou julgamentos e as frases são impregnadas da amizade que o autor tem pelos brasileiros e por sua admiração pelo Rio de Janeiro. Quando ele conta a história da instalação da estátua do Cristo Redentor no alto do Corcovado, ou fala de Tom Jobim, Vinicius de Morais, João Gilberto, da Garota de Ipanema, dos enredos da escola de samba, dá até para sentir o calor carioca e o ruído das ondas do mar.


Para mim, valeu também para me fazer relembrar alguns fatos de nossa história e perceber alguns pontos interessantes. Por exemplo, a abolição da escravatura, a independência, a república, todas foram realizadas sem derramamento de sangue, o que mostra o caráter pacífico do povo brasileiro. Por outro lado, esses e outros acontecimentos marcantes ocorreram sem participação popular, sendo decididos pela classe dominante.


Se extrapolarmos isto aos dias de hoje, talvez tenhamos a explicação da distância que existe entre as expectativas do povo e as ações dos governantes. Acredito que já seria tempo do povo se manifestar mais, como foi o caso da passeata de protesto que aconteceu domingo último contra o caos aéreo (reportagem aqui), onde de forma organizada e pacífica cobraram-se soluções da parte dos governantes. E que o anseio expresso pelo cidadão do futuro simbolizado pelo garoto* da foto ao lado possa ser realizado.



*Thiago Leite do Canto (foto gentileza do blog Varal de Idéias)

 

Alto da Página