
Quando cheguei aqui na Europa uma coisa que não conseguia entender
era a paixão das pessoas pelas brocantes. Quando eu via todas aquelas pessoas comprando aquelas "coisas velhas", pensava que eles queriam apenas fazer economia comprando de segunda mão para não ter que pagar o preço das novas. Porque tem as antiguidades, e tem também as coisas velhas mesmo, pois "vide-grenier" (esvazia celeiro), quer dizer aquelas roupas que não queremos mais, louças usadas, livros, discos, cartões postais, moedas antigas, velhos cartazes de filme, enfim tudo que se possa imaginar e de qualquer época.
Comecei a entender o espírito dessas feiras quando conheci minha amiga Aline. Ela, sua paixão são as brocantes. Durante a temporada destas, seus fins de semana são dedicados a percorrer as estradas simplesmente para visitá-las nos vilarejos da região, ou também para expor e vender. Ela me mostrou com orgulho sua casa, cheia de objetos antigos comprados em brocantes e restaurados, o que faz um bonito contraste com o "loft" ultramoderno onde ela mora.
era a paixão das pessoas pelas brocantes. Quando eu via todas aquelas pessoas comprando aquelas "coisas velhas", pensava que eles queriam apenas fazer economia comprando de segunda mão para não ter que pagar o preço das novas. Porque tem as antiguidades, e tem também as coisas velhas mesmo, pois "vide-grenier" (esvazia celeiro), quer dizer aquelas roupas que não queremos mais, louças usadas, livros, discos, cartões postais, moedas antigas, velhos cartazes de filme, enfim tudo que se possa imaginar e de qualquer época.
Comecei a entender o espírito dessas feiras quando conheci minha amiga Aline. Ela, sua paixão são as brocantes. Durante a temporada destas, seus fins de semana são dedicados a percorrer as estradas simplesmente para visitá-las nos vilarejos da região, ou também para expor e vender. Ela me mostrou com orgulho sua casa, cheia de objetos antigos comprados em brocantes e restaurados, o que faz um bonito contraste com o "loft" ultramoderno onde ela mora.Aline me explicou também que para comprar nas
brocantes existe todo um ritual. Primeiro mandamento, você tem que chegar bem cedo, os "entendidos", como é o caso dos colecionadores passam bem cedinho à procura das "pérolas raras" que faltam em suas coleções. Segundo, você tem que pechinchar...não se deve nunca pagar o primeiro preço proposto pelo vendedor. E terceiro deve-se garimpar, "fuçar" em tudo, pois aquela jovenzinha que vende a tranqueira que ela achou no celeiro da avó, pode estar vendendo objetos preciosíssimos sem saber. Foi assim que ela comprou um jogo de facas por uma bagatela, que após avaliação descobriu que eram de Majorelle (logo valiam uma fortuna), e que estavam em um um canto no meio de um monte de gibis velhos. E por falar de gibis, ela achou também uma edição histórica do Tintin, que estava misturada a outros sem maior interesse.
brocantes existe todo um ritual. Primeiro mandamento, você tem que chegar bem cedo, os "entendidos", como é o caso dos colecionadores passam bem cedinho à procura das "pérolas raras" que faltam em suas coleções. Segundo, você tem que pechinchar...não se deve nunca pagar o primeiro preço proposto pelo vendedor. E terceiro deve-se garimpar, "fuçar" em tudo, pois aquela jovenzinha que vende a tranqueira que ela achou no celeiro da avó, pode estar vendendo objetos preciosíssimos sem saber. Foi assim que ela comprou um jogo de facas por uma bagatela, que após avaliação descobriu que eram de Majorelle (logo valiam uma fortuna), e que estavam em um um canto no meio de um monte de gibis velhos. E por falar de gibis, ela achou também uma edição histórica do Tintin, que estava misturada a outros sem maior interesse.
Pois domingo passado foi a brocante do Parc Sainte-Marie, a maior de Nancy. Ela se chama "Brocante 1900", porque neste parque foi realizada a exposição universal de 1909, e ele, assim como todo o bairro, data desta época, na qual a cidade conheceu o seu apogeu cultural com a "art nouveau". Este ano, como o tempo estava feio e chuvoso, pensei que não teria muita gente. Puro engano, foi a maior dificuldade para se aproximar das barraquinhas. Levei pouco dinheiro, não levei talão de cheques, assim é mais facil resistir à tentação. Comprei somente um lampiãozinho a óleo para enfeitar meu banheiro...custava 1 euro, tão barato que nem precisei pechinchar. Voltei para casa super contente com a minha compra. Hoje vejo as brocantes com um outro olhar. Além da parte lúdica do "garimpo" de coisas interessantes, da possibilidade de achar coisas boas e baratas de segunda mão, tem também o lado "reciclagem". Talvez este não seja o principal objetivo das pessoas que vendem, mas nesta nova era de economia de matérias primas, um objeto que não vai para o lixo representa um ganho para o meio ambiente. Acho que fomos a última geração que pôde se dar ao luxo de usar e abusar dos "descartáveis".












