Este é o ano da Astronomia e dos 400 anos do nascimento de Galileu e para comemorar estes dois eventos a editora suiça FIAMI publicou uma história em quadrinhos que visita as grandes descobertas da humanidade tendo Galileu como guia. Achei super-interessante o conceito, pois numa linguagem leve e divertida, Galileu vai dialogando com os sábios de cada época e as explicações sobre as descobertas que marcaram a história do homem e da astronomia vão fluindo de modo simples e lúdico. Ele começa seu passeio pelos séculos na Babilônia, onde ele fala sobre a invenção da escrita, e das eclipses, pois os povos da Mesopotâmia já eram capazes de prever as eclipses lunares. Depois, ele parte em direção da Biblioteca de Alexandria, no Egito, e mostra que na época (~200 aC) eles já avaliaram a circunferência da Terra com bastante precisão (eles a estimaram em 39375 Km e hoje se sabe que é de 40074 Km). Na Índia, ele conhece um intocável que tinha idéias avançadas para sua época, pois foi o primeiro a afirmar que a Terra girava sobre ela mesma. Depois ele faz um encontro consigo mesmo em Pádua, para falar de sua invenção, a luneta astronômica, que aumentava 30 vezes e que permitiu que ele observasse a Lua, os satélites de Júpiter, a via Láctea, as manchas solares (veja no quadrinho abaixo que engraçadinha a observação de sua mulher sobre a luneta)...Não falta também a referência ao episódio no qual ele quase foi enviado à fogueira por dizer que a Terra girava em torno do Sol, o que contrariava as afirmações da Igreja que afirmava que a Terra era o centro do Universo. Ele segue sua viagem pela história da astronomia indo a Londres, onde conversa com Halley, que descobriu a periodicidade do cometa que recebeu seu nome. Ele conta que Halley repertoriou 341 estrelas do hemisfério norte e que deu uma grande contribuição para a elaboração da teoria da gravitação, proposta por seu amigo Newton. Finalmente ele chega a uma sala de aula de nossos dias para acompanhar a explicação da astronomia tal qual ela é vista atualmente, com o Big Bang, a teoria da expansão do universo, etc. E a conclusão é sobre a importância da astronomia e as implicações filosóficas de sua compreensão, que envolvem as origens da própria humanidade.
Os "gibis" existem em inglês e francês, vejam mais no site da editora (aqui), onde há também sugestões de como associar estes conceitos de astronomia com a geografia, a história, a matemática, a filosofia...é muito interessante principalmente para quem tem crianças ou é professor. |
terça-feira, 17 de março de 2009
Viajando com Galileu...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A Dança de Shiva
Este post faz parte da blogagem coletiva "O Livro da Minha Vida" organizada pela Vanessa do blog Fio de Ariadne. Este livro talvez não tenha sido o livro da minha vida, mas certamente foi um dos mais fascinantes que li, um dos poucos livros não técnicos que atravessaram o oceano e me acompanharam quando vim morar aqui. Pela primeira vez encontrei algo que propunha uma ponte entre duas coisas aparentemente antagônicas, a ciência e a religião. Trata-se de "O Tao da Física" de Fritjof Capra. Ele não é muito fácil de ler, na primeira parte da uma visão geral das religiões orientais (hinduismo, budismo, taoismo), e em seguida explica os princípios da fiísica quântica. Mas o mais interessante são sem dúvida os "paralelos":
"As idéias de ritmo e de dança vem-nos naturalmente há memória quando procuramos imaginar o fluxo de energia que percorre os padrões que constituem o mundo das partículas. A física moderna mostrou-nos que o movimento e o ritmo são propriedades essenciais da matéria e que toda matéria, quer aqui na terra, quer no espaço sideral, está envolvida numa contínua dança cósmica. Os místicos orientais tem uma visão dinâmica do universo, semelhante a da física moderna; consequentemente, não é de surpreender que também eles tenham usado a imagem da dança para comunicar a intuição que tinham da natureza."
Outros pontos que ele discute neste livro são a interdependência entre os fenômenos do universo, a participação do observador na "realidade" que o circunda, que são compartilhados pela física moderna e pelos preceitos destas religiões ancestrais. Como sempre procuro os pontos de convergência entre as várias culturas, adorei este livro. As analogias que ele apresenta podem ser contestadas por alguns, mas para mim a idéia de que por caminhos tão diferentes e em épocas tão distantes se chegue às mesmas conclusões me fascina completamente. Veja extratos do livro aqui Update (26/02/2009) A Marialynce do excelente Polia's blog acrescentou este importante complemento a este post : ...Há uns tempos li um romance de um autor português chamado "A fórmula de Deus" onde, a propósito de um pretenso segredo sobre a criação do universo deixado por Einstein, o autor faz várias referências às analogias entre as descobertas da física de partículas e os conhecimentos do budismo e hinduísmo, baseando-se, entre outros, no livro de Fritjof Capra que referiu. Deixo aqui alguns extractos: |
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
A Volta ao Mundo
Lembra da história de Júlio Verne, a "Volta ao Mundo em 80 Dias"? Ela conta as aventuras de um cidadão inglês Phileas Fogg, que com seu fiel servidor apostou que daria a volta ao mundo em 80 dias. Eles são seguidos pelo inspetor Fix, que suspeita (injustamente) que ele assaltou um banco. Quando Júlio Verne a escreveu no século XIX, ele estava completamente encantado com os meios de transporte "modernos", como a locomotiva a vapor, que permitiria realizar esta proeza. Os heróis viajam de trem, de navio, de elefante, de carro, e até de trenó...e Fogg consegue ganhar sua aposta porque ganharam um dia por viajarem no sentido leste-oeste. Se fizéssemos o mesmo percurso hoje em dia, certamente não precisaríamos de 80 dias, mas que paisagens encontraríamos? |
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Ilusões

Hoje minha mente esta meio fugidia, como "o menino passarinho com vontade de voar", e então me lembrei de Fernão Capelo Gaivota e de um outro livro do mesmo autor Richard Bach, chamado "Ilusões - As aventuras de um messias indeciso", que li anos atrás. Nele, o "messias" pretendia ensinar como funcionava o mundo e como controlá-lo...Dizia coisas do tipo basta pensarmos fixamente sobre algo que desejamos e isto se concretizará...ou então que não existe uma realidade única, mas várias possibilidades, e que nós é que escolhemos qual será a verdadeira para nós. Em todo caso, é uma visão do mundo pontuada de frases que nos levam a refletir :
"Os seus amigos o conhecerão melhor no primeiro minuto em que o conhecerem do que os seus conhecidos o conhecerão em mil anos."
"Você ensina melhor o que mais precisa aprender."
"Não existe um problema que não ofereça uma dádiva para você. Você procura os problemas porque precisa das dádivas por eles oferecida."
"Valorize suas limitações e por certo não se livrará delas."
"Nunca lhe dão um desejo sem também lhe darem o poder de realizá-lo. Você pode ter de trabalhar por ele, porém."
"O pecado original é limitar o ser. Não o faça!"
"Eis aqui um teste para verificar se sua missão na Terra está cumprida. Se você está vivo, não está!"
"A marca de sua ignorância é a profundidade de sua crença na injustiça e na tragédia. O que a lagarta chama de fim do mundo, o mestre chama de borboleta."
Será que conseguimos ser tão sábios e encarar com tanta filosofia cada situação do dia a dia? Não sei, vou seguir o conselho da filosofia oriental, parar o pensamento para deixar a mente entrar em sintonia com o universo...psiu...om, om, om...
Update 08/08/2008
A Leonor nos deixou este brinde nos comentários :
..."Essa sua postagem me fez lembrar Caeiro :
"Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei.
Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas?
Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa. " ...
Lindo, né? Obrigada, Leonor.
Update II 08/08/2008
Vejam o que nosso amigo Eduardo nos trouxe e me digam se não é ótimo :
O "messias" estava sentado em posição meditatica no topo de uma montanha muito alta. Um peregrino andou a pé milhares de quilómetros, escalando o monte e quando finalmente conseguiu chegar, se ajoelhou respeitosamente diante do monje e perguntou:Qual é o grande segredo do mundo?
O messias respondeu:
- Se eu soubesse, você acha que eu estaria aqui?
E a querida Ví nos presenteou com mais um poema de Alberto Caeiro :
"O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho costume de andar pelas estradas
Olhando para adireita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momentoè aquilo que nunca eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deverás...
Sinto-me nascido a cada momento
para a eterna novidade do mundo
...Fernando Pessoa
Estrofe da poesia completa de Alberto Caeiro"
domingo, 1 de junho de 2008
Beleza pondo a mesa...
Mas como toda regra tem exceção, gosto muito de origamis e seus assimilados. E como receber amigos com uma mesa bonita é sempre um prazer, achei um livro que ensina a dobrar guardanapos...e o resultado é fantástico. Vejam por exemplo, este leque aí em cima ou estas três pontas aí embaixo. Talvez já tenham visto em um restaurante e achado que são muito difíceis de fazer, né?
Mas não é necessário ter guardanapos em tecidos finos e caros para realizar estas pliages. É verdade que elas ficam mais bonitas com guardanapos de algodão mas elas podem ser feitas com guardanapos de papel colorido, combinando com as cores dos pratos. Alguns modelos servem também como pequenos envelopes, você pode guardar uma pequena surpresa no interior deles, os talheres, ou então uma flor.
Esta pliage abaixo em forma de nenúfar faço sempre com guardanapos de papel, como suporte para os pequenos recipientes onde coloco os petiscos para os aperitivos. Fica lindo!
E alguns modelos funcionam como pequenas caixas, nas quais colocamos torradas, biscoitos ou salgadinhos :
Vocês gostaram? Clique nas imagens para ver passo a passo como elas são realizadas. Se não encontrar o modo de realização (não traduzi todos) me avise que colocarei para vocês, tá? E bom apetite!
terça-feira, 11 de março de 2008
Asterix, o Gaulês

Asterix tem todas as características do francês médio : mal humorado e resmungão, sempre "do contra", mas inflexível em seus princípios. Já Obelix, enorme e bonachão, é apreciador da comida farta e tem um coração tão grande quanto a barriga, está sempre ajudando os outros. Eles foram criados pelos desenhistas Goscinny e Uderzo em 1959 e vivem na Gália, que é o nome da França na época da invasão dos romanos. O vilarejo onde eles habitam é cercado por acampamentos romanos, mas eles resistem e não se entregam. Como com seu punhado de habitantes eles conseguem resistir ao poderoso exército de Júlio César? E que eles tem uma poção mágica preparada pelo druida que os torna fortes e invencíveis (todos a tomam, menos Obelix que como caíu no caldeirão da poção mágica quando criança, é forte o tempo todo).
Obelix, Ideiafix (o cachorrinho), Asterix, Abracurcix (o chefe da aldeia) e Panoramix (o druida)
Além de Asterix , de Obelix e do druida Panoramix, os outros habitantes do vilarejo são o chefe Abracurcix, que passeia sempre sobre um escudo transportado por seus "súditos", o vendedor de peixes Ordemalfabetix, o bardo (cantor) Cacofonix, que todos desejam fazer calar e o cachorrinho de Obelix, chamado Ideiafix, que sempre desempenha um papel importante nas aventuras. Entre os romanos, um personagem importante é o centurião Caius Bonus, que sempre é batido pelos gauleses.
Além 300 milhões de albuns vendidos no mundo todo, dos filmes de animação e dos filmes com atores que já foram feitos baseados nestes, o primeiro satélite francês lançado no espaço se chamava Asterix e um parque de atrações foi criado perto de Paris com o nome de Parque Asterix, que é uma resposta gaulesa ao Eurodisney. Realmente, o homenzinho enfezado se tornou um fenômeno mundial.
Trecho do desenho animado "Asterix e os Índios"
Trailer do filme"Asterix nos Jogos Olímpicos"
Extrato do filme "Asterix nos Jogos Olímpicos"
Detalhes e Lista Completa dos Livros e Filmes
*Os romanos se instalaram na Gália em 52 A.C. e provocaram uma mudança profunda da população gaulesa : a cultura romana e gaulesa se misturaram dando origem à uma cultura galo-romana, que viveu 3 séculos de relativa paz.
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Delicadezas

Acqua
Caminhar
Ju Gioli
Lino Resende
Luz de Luma
Pensieri e Parole
Ví
Sugeriu que coloquem no side bar os que acharem:
1 - que seu blog é alto astral
2 - que acharem a gravura bonita
3 - que quiserem!!!!! "
Flacons de Parfum - L'Oeil du Chineur
Judith Miller
Ed. Gründ
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
1808

RETRATO EQÜESTRE DE DOM JOÃO VI - Domingos Antonio de Sequeira
óleo sobre tela (cerca de 1821) - Museu Imperial
A leitura é saborosa : nela, fiquei sabendo que na época da partida de Lisboa, d. João ainda não era rei, mas príncipe regente (a rainha era sua mãe, d. Maria, a Louca, aquela que mandou enforcar Tiradentes) e que ele jogou de modo sutil entre a França e a Inglaterra, as duas potências da época, de tal modo que até o último minuto mesmo a frota inglesa que deveria escoltá-lo até o Brasil não sabia se ele desejava mesmo fugir ou se aliar a Napoleão. Este, indagado sobre d. João nos seus últimos dias de vida, disse : "Foi o único que me enganou!"
O autor narra também as condições difíceis da travessia, onde os navios superlotados enfrentaram calmarias e tempestades e tiveram que se desviar do plano inicial da viagem. Explica que d. João e sua mulher Carlota Joaquina (ela teria conspirado contra o marido várias vezes) viviam separados, e que ele se "aliviava" com o camareiro real. Além disto, "não tomava banho, era feio e repulsivo". Narra também os gastos com as festas suntuosas, como a da sua coroação como d. João VI e a da chegada da princesa Leopoldina, esposa de d. Pedro I (coitada, não sabia o que a esperava).
Esta obra de Henry Chamberlain, pintor amador inglês, nos mostra dois dispositivos de transporte utilizados no Rio de Janeiro na época de D. João VI. Em primeiro plano, vemos uma "canga", dispositivo composto por varas e cordas, sendo usado por escravos para transportar um grande barril. Ao fundo, vemos um "piolho", um pequeno carro empregado para o transporte de caixas, levando igualmente um barril.Curiosidade
Há alguns anos encontrei numa "Feira de Cartões Postais" aqui em Nancy um cartão reproduzindo uma nota de 50 reais comemorativa do primeiro centenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas (abaixo). Ele mostra os governantes português e brasileiro da época, d. Carlos I e Afonso Penna. No verso do cartão observa-se que ele foi enviado de Pernambuco em outubro de 1908 à uma mademoiselle com sobrenome francês que vivia em Buenos Aires. Quem diria que um século depois ele estaria nas mãos de uma brasileira?
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
A Granja do Solar
Pode parecer estranho que ilustrando o tema "Direitos Humanos" eu esteja utilizando um grupo de animais. A explicação é que, há muitos anos, li o livro "A Revolução dos Bichos" de George Orwell, e cada vez que vejo a "Declaração Universal dos Direitos Humanos" não posso evitar de pensar nele.
Trata-se de uma fábula. Ela foi escrita por Orwell em 1944, para criticar a Revolução Russa, mas seus conceitos são incrivelmente atuais e se aplicam perfeitamente à descrição de qualquer regime autoritário e mesmo à essência da natureza humana.
Ela conta a revolução vitoriosa realizada pelos animais da Granja do Solar contra a exploração e opressão exercida pelo homem sobre eles. Para garantir que eles não se submeteriam nunca mais à tirania eles estabeleceram um conjunto de mandamentos, a saber :
- Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
- O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
- Nenhum animal usará roupa.
- Nenhum animal dormirá em cama.
- Nenhum animal beberá álcool.
- Nenhum animal matará outro animal.
- Todos os animais são iguais.
No começo tudo correu bem, os animais trabalhavam ém pé de igualdade e a granja prosperava. Com o passar do tempo, no entanto, alguns animais mais "inteligentes" que os outros, no caso representados pelos porcos, resolveram assumir a liderança e governar a comunidade. E começaram a tramar e manipular para ir gradativamente se apossando de privilégios que antes eram atribuídos aos opressores, ao mesmo tempo que esmagavam as vozes que se opunham a seus atos. Por exemplo, começaram a tomar bebidas alcoólicas, comerciar com os homens , dormir em camas e principalmente exigir mais e mais dos outros animais, oferecendo cada vez menos em troca de seu trabalho. A tal ponto eles se tornaram parecidos com os homens que era impossível distinguir entre um homem e um porco, pois estes últimos passaram até a andar sobre 2 pernas. A medida que os hábitos dos dirigentes mudavam, um a um os mandamentos iam sendo "arranjados" para integrá-los, até que se tornaram :
- Nenhum animal matará outro animal, sem motivo.
- Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
- Nenhum animal beberá álcool em excesso.
- Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.
Extrapolando a "moral da história" desta fábula à nossa realidade, compreendemos melhor a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Se olharmos alguns dos seus termos tais como :
- Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
- Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
- Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Eles parecem tão óbvios, não é mesmo? No entanto a todo momento se encontram "desculpas" para distorcê-los e adaptá-los à dominação ou à opressão. Porisso ela deve ser preservada e relembrada, para que, tanto no nível familiar, como no comunitário ou estatal, estejamos sempre atentos e nunca esqueçamos o que distingue a conduta de um ser humano daquela dos "porcos".
Também participam desta blogagem coletiva :
Lino Resende, Eduardo P. L., Du, Silvano Vilela, Ceci, Osc@r Luiz, Sérgio/Histórias & Cotidiano, Ronald, Cejunior, Neptuna, Chuvinha, Daniel Fernandes, Dragonfenix, Afrodite e Vénus, Ru Correa, Titão, Ali_Se, Fábio Mayer, Samantha Shiraishi, Cássia Valéria, Janmedeiros, Fernando, Chicoelho, Andréa Motta, Jeanne, Adriana, Marco, Caco, Menina Malvada (Ou Kaka), Luci Lacey, Dácio Jaegger, Catarina Cavalcante, Tocha da Paz, Idéias Literárias, Meiroca, Enio Luiz Vedovello, Jonice, Luma, Claudia, Tita Coelho, Monica Mamede, Marie, Rafael Sarmento, Fátima André, Lamire, Fábrica dos Blogs, ISM, Clandestino, Lidianne Andrade, Juca, Xico Lopes, Francy e Carlos, Lita, Dad, Pedro Fontela, Mauricio Santoro, André Wernner, X-Man, Cármen Neves, Roseanne, Bentes, André L. Soares, Tao, Lucia Freitas, Saramar, Ricardo Rayol, Luz Dourada, Maria Lagos, Wanderley Garcia, Carlos Fran, Vinicius Cabral, Xmitzx, Pat, Je vois la vie en vert, Cristiane.
▲ Alto da Página ▲
terça-feira, 25 de setembro de 2007
O Livro sobre a Praça 2007

Fotomontagem : escritora do salão dando autógrafos
Este fim de semana de setembro teve muito movimento aqui em Nancy, tendo como tema o livro. Pois é, livro é coisa séria aqui na França, a "entrada literária" é um acontecimento e dentro de algumas semanas teremos a entrega dos prêmios importantes como o Goncourt, Femina e outros. E aqui em Nancy, acontece o primeiro grande salão do ano, "O Livro sobre a Praça", onde os escritores da França inteira querem ser vistos e entrar em contato com o público para apresentar seus lançamentos. O presidente desta edição era Yves Coppens, o arqueólogo que encontrou Lucy, um hominídeo de 3,5 milhões de anos. Além dele, estavam presentes também várias outras personalidades da política, do cinema, da ciência e da televisão.
Mas aqui em casa, o acontecimento era outro, para nós bem mais importante : o 12° aniversário de casamento no domingo dia 23. Para comemorá-lo, fomos almoçar no restaurante mais simpático da maravilhosa Praça Stanislas. E valeu a pena, apesar de ter pedido um prato frugal pois estive adoentada na semana passada e não estava com muito apetite , a sobremesa foi deliciosa : “Chaud-froid aux mirabelles avec son sorbet aux pain d’épices” (quente-frio de mirabelles com sorvete de pão de especiarias”). Hum, delicioso! E o inesperado de nossa comemoração ficou por conta dos vizinhos no restaurante...devido ao “O Livro sobre a Praça” , nas outras mesas se viam todos aqueles medalhões que a gente vê na televisão, parecia que estávamos num palco, me segurei para não sair pedindo autógrafos (rs).
Depois do almoço fomos dar uma volta no local do evento, quer dizer eu entrei e meu marido ficou me esperando lá fora, ele não gosta de empurra-empurra. Até que não tinha tanto, dava para se aproximar das mesas onde os autores falavam sobre seus livros, o que às vezes é impossível, quando está lotado demais. Mas o pior mesmo é quando não tem ninguém, o que já me aconteceu uma vez que cheguei muito cedo... a gente começa a folhear um livro por pura curiosidade, como só tem você ali, o autor se aproxima para te explicar entusiasticamente a história e como ele a escreveu, e depois... se você não gostou ou não pretende comprar o livro, vai saindo com o maior sorriso amarelo. Tem gente que não liga, mas eu acho chato!
O que comprei desta vez? Alguns livros artísticos, no Museu de Belas Artes, que aproveitando o evento estava “queimando” livros, catálogos e affiches. Quanto ao salão em geral, foi um sucesso retumbante, pois este ano bateu o recorde de vendas de livros de toda a sua existência. Pois é, felizmente parece que os livros ainda tem muito futuro pela frente...
CLIQUE NO PAINEL ABAIXO PARA VER O DIAPORAMA

sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Lendo e Escrevendo

Hoje, o post é dedicado à blogosfera! Primeiro, gostaria de agradecer todo o carinho que este blog tem recebido nestes 6 meses de existência, com tantas pessoas maravilhosas que nos visitam e que nos enriquecem com seus comentários.
Em seguida, falar em interação com a blogosfera é também falar de mêmes. E hoje aqui, vou responder ao que me foi proposto pela querida Meire : Como escrevo.
Como escrevo : Gosto de escrever primeiro sobre o papel, em seguida passo para o computador, acho que assim as idéias fluem mais naturalmente. Depois faço correções e enxugo um pouco o texto, tenho tendência a escrever demais. Um outro problema são os acentos, como o teclado francês só tem acento agudo para o e, para as outras vogais, tenho de passar para o teclado brasileiro no Windows, e acentuá-la. Uma ginástica!
Porque escrevo : Primeiro acho que é porque preciso...falo pouco, então minha forma de expressão preferida é a escrita. Em seguida, é para exercitar meu português, pois como falo uma outra língua 24 horas, tenho medo de perder a capacidade de escrever no meu idioma. ...Mas depois que comecei a blogar, escrevo principalmente para me comunicar com as visitas que recebo aqui, o que me traz uma satisfação imensa.
Sobre o que escrevo : Sobre tudo e sobre nada, o que vejo, o que sinto, o que vivo. Mas aqui no "Jardin" só deixo entrar as coisas boas (na medida do possível), é o meu jardim encantado.
Onde escrevo : em qualquer lugar, vejo muitas pessoas lendo nos trens por exemplo...eu escrevo, preencho páginas e páginas nem sempre aproveitáveis.
Como sempre, não solicito nominalmente a alguém sua continuação, mas para aqueles que desejarem escrever sobre este assunto, me avisem que colocarei um link aqui com o maior prazer.

Um outro même que me foi passado pelo Mário foi "Os 5 últimos livros que li". Já havia respondido a este même aqui, mas como li outros livros recentemente, vou atualizá-lo. Aí vão :
- A Nuvem Mensageira - Kalidasa - um clássico da literatura sânscrita, descreve o percurso poético de uma nuvem que leva uma mensagem de um apaixonado afastado de sua amada (post aqui)
- Enfim juntos - Anna Gavalda - quatro pessoas completamente diferentes unidas pelas circunstâncias, se ajudam mutuamente numa linda história de amor e de amizade (post aqui)
- A Viagem de Théo - Cathérine Clément - um garoto doente percorre o mundo buscando se curar em contato com as diferentes religiões, traçando um paralelo singelo entre elas. Terno e instrutivo.
Quem quiser escrever sobre este outro même, fique à vontade e me avise para que eu coloque um link.
Continuando com nossa jornada pela blogosfera, vamos falar dos awards que os amigos me fizeram a gentileza de oferecer.
A Sandra, do magnífico blog cultural "Isso é Bossa Nova" e o Oscar, do "By Oscar Luiz", cuja simpatia e convivialidade na blogosfera dispensam comentários, nos presentearam com o award "Bons Momentos Virtuais". Agradeço de coração, e indico os blogs seguintes para este prêmio :
O amigo Eduardo, do blog artístico que já é uma referência na blogosfera "Varal de Idéias" nos presenteou com o award "Schmooze" que incentiva a interação entre blogs. Muito obrigada por mais esta lembrança, e entre tantos outros merecedores deste prêmio, indico os seguintes :
A Vida como a Vida Quer
Alvarenga Sempre
Flavia Sereia
Lino Resende
O Meu Jeito de Ser
Claro que recomendo fortemente todos os indicados, assim como todos os blogs que se encontram na sidebar, os quais sempre visito com grande prazer e que gostaria de lê-los todos os dias, o que nem sempre é possível.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
A Lenda de Kalidasa

S
egundo a lenda, Kalidasa foi um pastor ignorante que se apaixonou por uma princesa e que, por meio de um complô, conseguiu desposá-la. Para obter o perdão, ele suplicou à deusa Kali de receber o dom da inteligência, que lhe foi concedida, e se tornou assim o mais renomado poeta e dramaturgo da literatura sânscrita, tendo inspirado Lamartine e Goëthe. Na realidade, supõe-se que ele viveu no século V da nossa era no norte da Índia e era uma das "nove pérolas" (nove sábios) do corte do rei de Ujjayini.Eu o descobri há algumas semanas, lendo a revista "Le Point", onde deparei com a crítica sobre o livro "A Nuvem Mensageira" seguida pela "As Estações" de Kalidasa. O artigo citava algumas frases do livro, fiquei encantada e pensei : "Internet, prá que te quero?" Encomendei-o imediatamente e dois dias depois ele estava nas minhas mãos : um livro fininho, sem nenhuma imagem, sempre uma página em francês acompanhada do original em sânscrito, e enormemente de anotações do tradutor, pois segundo ele, devido à diferença cultural e à época no qual foi escrito, muitos trechos precisavam de explicação. Não muito encorajador, mas comecei a ler...
Ele começa com a "A Nuvem Mensageira", um poema de 111 estrofes, no qual um Yaksa (espécie de gênio ou semi-deus), exilado nas montanhas da Índia Central longe de sua esposa, que ficou na cidade de Alaka no norte do país, vê uma nuvem que paira sobre a montanha, e a encarrega de levar notícias suas à amada. E a descrição do caminho que fará a nuvem até chegar à morada de sua esposa é repleto de poesia louvando a beleza da natureza e o prazer de usufruir desta paisagem. Lendo-o, compreendi porque não havia imagens no livro, o texto é tão expressivo que elas não são necessárias. Espero ter encontrado as palavras apropriadas na nossa língua para transmitir toda a poesia que emana desta descrição, e fazê-los viajar com esta nuvem sobre os campos, templos e palácios até os confins do Himalaia, nestes extratos que coloquei aqui...

A Nuvem Mensageira (extratos)
Kalidasa
(passe o mouse sem clicar sobre as palavras sublinhadas para conhecer o significado)
Escute agora,ô, nuvem, que eu te explico o caminho que deve ser seguido. Você prestará bastante atenção. Eu vou te dizer sobre quais cumes, você, extenuada pelo cansaço irá posar, os rios dos quais, exaurida, você beberá a água doce.
Eu posso prever, minha amiga, que apesar do teu desejo de ir depressa para encontrar minha bem-amada, você passará algum tempo sobre todas estas colinas perfumadas pelo jasmim. Acolhida pelos pavões com os olhos úmidos cujos gritos te desejam as boas vindas, decida-se a deixá-los sem mais tardar.
Quanto teu cansaço passar, continue teu caminho, regando os jardins com tuas gotas d'água fresca, os botões em cachos dos jasmins nascidos às margens do Vannadi, derramando por um instante tua sombra familiar sobre os rostos das moças que colhem as flores que enrugam e murcham, a secar o suor de suas faces, os lotus de suas orelhas.
Seria te desviar caminho que deve ser seguido em direção ao Norte; mas não deixe de visitar os palácios de Ujjayini. Seria realmente uma pena não experimentar o charme dos olhos matreiros das citadinas, assustadas ao ver cintilar tuas guirlandas de relâmpagos.
A tua chegada, les Daçarna verão os canteiros de seus jardins se esbranquiçarem de ketaka cujos botões desabrocham; os santuários de suas cidades se encherem de pássaros alimentados pelas oferendas domésticas, ocupados com a construção de seus ninhos; o reflexo azulado dos frutos maduros marcar os bosques de macieiras-rosas e os cisnes viajantes ali ficarem durante alguns dias.
Pousada sobre a colina no gracioso cume do qual te falei, reduza logo de tamanho, para chegar depressa ao tamanho de um jovem elefante; você poderá então, com um dos relâmpago pálido, bem pálido, tal qual o luar de um enxame de vagalumes, lançar um olhar no interior do palácio.A tendo despertado dum sopro que refrescam tuas gotas d'água, depois de tê-la reanimado com o perfume dos pequenos botões de jasmim, escondendo teus relâmpagos, envie a palavra grave de teu trovão a esta bela tão recatada cujos olhos se fixam sobre a janela estreita onde você se mantem.
"Nas visões do meu sono você aparece e eu estendo os braços no vazio, tentando te segurar com um abraço apaixonado. As divindades da terra, sempre, vendo esta cena não podem conter as lágrimas que, pesadas como as pérolas, descem sobre os galhos das árvores".
"Estas brisas vindas das Montanhas Nevadas fizeram se quebrar bruscamente os brotos sobre os ramos de déodars e correm em direção ao sul, perfumadas pela resina derramada. Eu abro meus braços para elas, virtuosa esposa : se pelo menos elas tivessem tocado o teu corpo!"
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Quem "descobriu" a América?

No espaço de algumas semanas este assunto veio à baila na imprensa duas vezes : Quem descobriu a América? Acho que todos ja ouviram falar que os navegantes vikings ou os pescadores celtas ou bascos estiveram na América muitos séculos antes dos espanhóis. Mas a polêmica continua...
Há algumas semanas, a revista VSD publicou um artigo sobre um mapa do Congresso americano, autenticado pelo FBI como sendo de Marco Polo, no qual ele narra suas viagens, mostrando o estreito que separa a Sibéria do Alaska, logo a costa oeste da América do Norte. Como ele viveu voltou a Veneza depois de sua viagem ao Oriente em 1295, ele teria visto a América quase dois séculos antes de Cristóvão Colombo (retrato à esquerda)...
Agora é a vez dos chineses...um livro que saíu nestes dias aqui na França chamado "1421, o ano que a China descobriu o Mundo" conta que o eunuco Zhen He na época do imperador chinês Zhu Di, na sua última expedição (representação à direita) teria descoberto não só a América, como também a Austrália e o Polo Norte. Ele comprovaria suas afirmações com mapas, os quais teriam servido de guia a Cristóvão Colombo e outros navegadores europeus.
Mas de todas estes mapas o que mais me impressiona é o de Piri Reis, que diz o ter elaborado se baseando sobre mapas antigos em 1513. Nele, este almirante turco (que capturou um marinheiro espanhol que navegou com Cristovão Colombo em possessão de mapas deste) mostra pela primeira vez as três Américas interligadas e também a Groenlândia e a Antártida, que ainda não haviam sido descobertas. Tudo com vários detalhes como a ilha de Marajó, que só foi descoberta mais tarde no século XVI, o desenho de um lhama nos Andes (este animal era desconhecido na Europa) e o mais surpreendente as regiões polares como elas seriam antes da última glaciação, e não na situação atual. E é este último ponto o mais crítico : como a última glaciação ocorreu há mais de 10000 anos, e este mapa do qual Piri Reis obteve suas informações seria anterior a ela, isso significaria que existiria uma civilização avançada na Terra já nesta época. E isto colocaria em dúvida não só a versão oficial da descoberta da América, como também a teoria da evolução de Darwin, que afirma que nesta época a humanidade estava ainda na fase do homem de Cromagnon. Não faz pensar no mito da "Atlântida"?
Claro que tudo isto tem seus defensores e seus opositores, principalmente o mapa de Piri Reis. Mas não deixa de ser fascinante, não sei se com vocês isto acontece, mas eu adoro todas estas teorias polêmicas que sacodem nossas "verdades estabelecidas"...
terça-feira, 31 de julho de 2007
O Romance do Rio
Acabei de ler o livro "Le Roman de Rio" (O Romance do Rio), que foi publicado recentemente aqui na França, escrito pelo jornalista da revista l'Express Axel Gyldén, especialista da América Latina.
Este livro traça em rápidas pinceladas a história do Brasil desde o descobrimento até nossos dias, indo de Pedro Álvares Cabral a Lula, de Hans Staden (o alemão que ficou refém dos índios antropófagos) até Ivo Pitanguy.
O estilo é leve e de fácil leitura, os fatos são narrados sem análises ou julgamentos e as frases são impregnadas da amizade que o autor tem pelos brasileiros e por sua admiração pelo Rio de Janeiro. Quando ele conta a história da instalação da estátua do Cristo Redentor no alto do Corcovado, ou fala de Tom Jobim, Vinicius de Morais, João Gilberto, da Garota de Ipanema, dos enredos da escola de samba, dá até para sentir o calor carioca e o ruído das ondas do mar.
Para mim, valeu também para me fazer relembrar alguns fatos de nossa história e perceber alguns pontos interessantes. Por exemplo, a abolição da escravatura, a independência, a república, todas foram realizadas sem derramamento de sangue, o que mostra o caráter pacífico do povo brasileiro. Por outro lado, esses e outros acontecimentos marcantes ocorreram sem participação popular, sendo decididos pela classe dominante.

Se extrapolarmos isto aos dias de hoje, talvez tenhamos a explicação da distância que existe entre as expectativas do povo e as ações dos governantes. Acredito que já seria tempo do povo se manifestar mais, como foi o caso da passeata de protesto que aconteceu domingo último contra o caos aéreo (reportagem aqui), onde de forma organizada e pacífica cobraram-se soluções da parte dos governantes. E que o anseio expresso pelo cidadão do futuro simbolizado pelo garoto* da foto ao lado possa ser realizado.
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terça-feira, 24 de julho de 2007
O Profeta

á alguns anos me encontrei no meio de um grupo de pessoas que se interessavam à tecnologia Internet, na época em grande atraso aqui na França. Neste grupo, havia pessoas de várias origens e de diferentes profissões. Havia engenheiros, massagistas, informáticos, professores de letras, administradores de empresas e até filósofos. Diante de tanta diversidade, as conversas eram sempre animadas e interessantes. E foi em uma destas conversas que pela primeira vez ouvi um trecho do livro "O Profeta", de Khalil Gibran. Vendo meu interesse por aqueles versos plenos de sabedoria e poesia, no dia seguinte um colega chegou com o livro e me disse : "Não precisa devolvê-lo, leia-o e guarde-o para você ou passe-o a alguém que você acha que tem a sensibilidade para apreciá-lo". E assim foi, com o tempo esse grupo se dissolveu mas guardei o livro e mantive a tradição. Eu o ofereci a alguém que gostava de filosofia e poesia. Claro que gostaria de oferecê-lo também a cada um dos meus amigos virtuais, mas como seria meio complicado, transcrevo aqui alguns dos mes trechos preferidos.Segui-o, embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
E quando as suas asas vos envolverem, abraçai-o, embora a espada oculta sob as asas vos possa ferir.
Sobre a amizade :
Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.
E é o vosso apoio e o vosso abrigo.
Sobre a liberdade :
ereis verdadeiramente livres não quando os vossos dias não tiverem umapreocupação nem as vossas noites necessidades ou mágoas. Mas quando estas coisas rodearem a vossa vida e vós vos ergais acima delas, despidos e libertos.
Sobre os filhos :
O arqueiro vê o sinal no caminho do infinito e Ele com o Seu poder faz com que as Suas flechas partam rápidas e cheguem longe.
Sobre o auto-conhecimento :
ão digais "Encontrei a verdade", mas antes "Encontrei uma verdade."Não digais "Encontrei o caminho para a alma", mas antes "Encontrei a alma ao seguir o meu caminho''.
Sobre a conversa :
ós falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os lábios e o som é uma diversão e um passatempo. E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.
Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode abrir as asas mas não pode voar.
Khalil Gibran nasceu no norte do Libano e viveu nos Estados Unidos e também na França. Sua obra é abundante e traduzida em 40 idiomas, sendo que seu livro mais conhecido é "O Profeta".







































