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sábado, 1 de março de 2008

Irradiando a Liberdade

Photobucket

Em 1997, vivi uma das maiores emoções da minha vida profissional. Apesar de estar trabalhando no Brasil na época, encontrava-me aqui na França na ocasião do congresso da SFP que comemorava o primeiro centenário da descoberta da radioatividade. Neste, que foi realizado na mítica Sorbonne, tive a oportunidade de assistir a uma conferência do prêmio Nobel de Física Gilles de Gennes e, principalmente, de visitar os laboratórios onde trabalhou Marie Curie, que descobriu juntamente com seu marido Pierre Curie e com Becquerel, a radioatividade natural.

Quando a Lunna propôs esta blogagem coletiva para falar das realizações de mulheres que marcaram sua época ou a história, pensei imediatamente nela. Pois ela foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, e é a única mulher a ter ganhado dois, um de Física e um de Química. Foi também a primeira mulher a obter uma cátedra de ensino superior na França, sem falar nas suas realizações científicas e em seus esforços para construir o Instituto do Rádio, para tratar os doentes de câncer. E é também a única mulher que jaz no Panthéon, o mausoléu dos homens ilustres franceses.

E no entanto sua vida não foi fácil. Nascida na Polônia, filha de pais professores, que sofreram problemas financeiros decorrentes da perseguição sofrida devido ao patriotismo, numa época em que a Polônia era ocupada pelo Império Russo, ela perdeu sua mãe quando tinha apenas 10 anos de idade. Mas sempre perseverou nos estudos e com brilho, chegando mesmo a freqüentar uma faculdade itinerante clandestina, pois os estudos superiores eram proibidos às mulheres. Fez uma pausa de 5 anos nestes, para trabalhar e pagar as despesas de sua irmã, que havia partido a Paris estudar medicina. Quando esta se formou, a chamou para vir para a França, onde Marie se licenciou em Matemática e Física, começando sua carreira como pesquisadora .

Foi então que ela conheceu Pierre Curie que se tornou seu marido. Após o nascimento de sua primeira filha, ela começou um doutorado sobre os materiais urânicos, que a conduziram à descoberta da radioatividade natural. Ela realizava estas pesquisas primeiro em um depósito, em seguida em um galpão de madeira, sem o menor conforto, com equipamentos rudimentares para a época.

Marie perdeu seu marido em 1906, atropelado por um carro puxado por cavalos. Nesta ocasião, o governo francês propôs à Marie e às suas 2 filhas uma pensão alimentar. Marie a recusou, dizendo que preferia trabalhar para sustentar sua família. Mais tarde foi designada para o posto de professor na cátedra que fora ocupada por seu marido se tornando assim a primeira mulher a obter um cargo semelhante na França.

Em 1911 foi condecorada com seu segundo prêmio Nobel, desta vez de Química, por ter isolado o rádio, determinando assim seu peso atômico.

Durante a guerra ela não hesitou a partir ao "front" com seu equipamento e tendo sua filha como ajudante para tirar radiografias dos soldados feridos. Na volta, seu nome estava consagrado principalmente fora da França, e então ela partiu para os Estados Unidos para angariar fundos para a construção do Instituto do Rádio.


Marie morreu em 1934 de leucemia, resultante da exposição à radioatividade. Sua filha e seu genro continuaram suas pesquisas, e também receberam prêmios Nobel por seus trabalhos.


Eu a considero um exemplo de desprendimento, de perseverança e de coragem. Pois ela não hesitou a se sacrificar para ajudar a irmã a fazer seus estudos, nem a partir para a Guerra com sua filha. Não se deteve diante das proibições do Império Russo proibindo as mulheres de estudar, nem das condições precárias que encontrou quando começou suas pesquisas. Não se acomodou diante da pensão oferecida pelo governo.. E sempre superou o preconceito por ser pobre (na Polônia, na sua juventude), por ser estrangeira e por ser mulher, que teve de enfrentar tanto para a nominação do Prêmio Nobel quanto na ocasião de sua nominação na Sorbonne.


Graças a mulheres assim que hoje podemos trabalhar e nos realizar profissionalmente, pois elas elas provaram sua capacidade, abrindo caminho para as conquistas femininas, não contra os homens, mas ao lado deles.





Observações :


A radioatividade, assim como todas as descobertas humanas, foi usada para fins bélicos, como as terríveis bombas atômicas, ou inadequados, como o seu uso nos cosméticos. Mas ela possui também uma ampla utilização na produção de energia elétrica, na medicina, e em vários processos industriais.

Outras mulheres marcaram a história da radioatividade : Irène Joliot-Curie, filha de Marie Curie, que descobriu a radioatividade artificial. E Lise Meitner, que foi a primeira a explicar teoricamente a fissão, que permite a produção de eletricidade nas usinas nucleares...mas que ficou tristemente conhecida como "a mãe da bomba atômica".

Na época que Marie Curie viveu a mulher não tinha direito ao voto na França, isto só aconteceu em 1949...e até 1970 as mulheres casadas que quisessem trabalhar precisavam fornecer uma autorização assinada pelo marido!

Veja também :

Biografia detalhada de Marie Curie (em inglês)
Manuscrito de Marie Curie
Institut Curie

Música : Chopin (Polonaise in Flat)


Este post faz parte da blogagem coletiva proposta pela Lunna "Eu Gosto de Ser Mulher".



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Bon Appétit!

Restaurante L'Espadon do Hotel Ritz em Paris

Interessante, nos primeiros passeios com meu marido, quando chegávamos em algum lugar, meus interesses principais eram a paisagem e as lojas...e ele parava diante dos cardápios dos restaurantes e passava um tempão a analisá-los. Achava isto muito estranho, pois para mim comida era combustível, não um centro de interesse. Aos poucos entendi que os franceses dedicam um verdadeiro culto à gastronomia, sendo que os grandes cozinheiros são classificados com estrelas e são tão badalados quanto os grandes escritores ou os artistas da televisão.

A cozinha dos grandes restaurantes é refinada e caríssima, é necessário reservar com meses de antecedência e francamente, a quantidade servida deixa a desejar. Gostaria de falar mesmo é da cozinha familiar, que realmente faz parte da vida cotidiana dos franceses. Ela não é igual na França inteira, cada região tem suas especialidades. Por exemplo, no norte a cozinha da região da Normandia tem muita manteiga, maçãs e creme. No sudoeste, a vedete é a banha de ganso, na qual são curtidos os pedaços de carne de aves (confits), que são a base de pratos como o cassoulet (feijões brancos com confits de pato ou ganso). Já no sudeste, mais próximo da Itália, a cozinha parece mais com a nossa, com muito alho, tomates, ervas aromáticas e azeite. E a cozinha do leste tem influência alemã : utiliza muito carne de porco, salsichas, como o tradicional chucrute e também pratos empregando cerveja, ditos "à la diable".


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Paul Bocuse, Anne-Sophie Pic, Alain Ducasse, Marc Veyrat, Joël Robuchon :
nomes importantes da gastronomia francesa

Pessoalmente, o que vejo como diferença entre a nossa cozinha e a daqui é principalmente o modo de preparação. Primeiro, se você lê uma receita daqui fica impressionada. Tudo é bem detalhado, dado em gramas ou decilitros, os tempos de cozimento são precisos, a temperatura do forno bem definida. Além disto, a textura dos pratos é muito cuidada, a gente moe, pica, coa, até que tudo seja muito homogêneo, por exemplo sempre se pela os tomates, nas sopas não se deixa os pedaços de legumes inteiros, até o germe do alho é retirado. Uma outra diferença é que os sabores são mais sutis e menos marcantes que os nossos.

A gastronomia também passa pelos vinhos, pelos queijos, pelas artes da mesa. Já deu para sentir que é assunto para vários posts, né? Mas para abrir o apetite, dá um olhadinha aí embaixo na foto de algumas dessas delícias :





Alto da Página

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Lettres d'Amour


Dizem que os casais que dão certo são os que vivem separados...não acredito que seja uma verdade absoluta, mas para estes existem as cartas de amor. Ou pelo menos existiam há 18 anos atrás quando mon chéri e eu por razões profissionais vivíamos separados pelo Equador e pelo Atlântico, ele na França e eu no Brasil. Foi há muito tempo, mas ainda me lembro quando voltava do trabalho, como meu coração se acelerava esperando encontrar sob a porta o envelope bleu, blanc, rouge.

E é claro que não fomos os únicos a tentar encurtar a distância com as palavras que viajavam de um lado a outro do mundo. Algumas correspondências célebres foram publicadas, mas sempre acho o fato de lê-las meio indiscreto, é como invadir a intimidade dos casais. Mas tem cada uma tão linda! Vejam esta que o Napoleão enviou à Josefina, sua futura esposa. Não da para imaginar que ele, mesmo em plena batalha pensava na sua amada ?

Eu não passo um dia sem te amar; eu não passo uma noite sem te apertar em meus braços; eu não tomo uma xícara de chá sem maldizer a glória e a ambição que me mantem afastado da alma da minha vida. No meio dos negócios, encabeçando as tropas, percorrendo os campos, minha adorável Josefina é única no meu coração, ocupa minha alma, absorve meu pensamento...


Outro que escreveu cartas apaixonadas foi Antoine de Saint-Exupéry, o autor do Pequeno Príncipe. Ele conheceu sua musa num trem e apaixonou-se perdidamente. Escreveu muitas cartas para ela, mas não foi correspondido. Em uma delas ele disse : " O Pequeno Príncipe morreu". Alguns dias depois seu avião desaparecia no mar, coitadinho do Pequeno Príncipe. Em uma das aquarelas que acompanhavam a correspondência o Pequeno Principe dizia de seu criador :

Ele estava triste logo injusto. Eu cortei tudo o que ele dizia mas guardei o desenho porque ele é tão parecido...ele não é tão malvado assim, mas está tão melancólico".

E por falar em amor, o que pode ser mais romântico que um passeio em Paris, esta cidade tão romântica, como no diaporama abaixo? Mas, se você também não está em Paris, ou mesmo se aí aonde você mora não é o "Dia dos Namorados" como aqui...não faz mal, pegue seu amor pela mão e vá fazer um passeio...pois o amor está no ar, afinal hoje é o seu dia.



Alto da Página

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Transparências



Acima vocês vêem a foto do Musée Lorrain. Ele se encontra na parte antiga da cidade de Nancy, um cantinho muito agradável com ruas estreitas e ambiente de vila. E é nele que os convido a entrar comigo para ver a exposição "Transparências", que faz parte do ciclo "História do Vidro". Pois aqui estamos dentro da região onde estão as cristalerias de Baccarat, Daum, Saint-Louis...então tem muita coisa interessante a mostrar e coisas bonitas para ver. Venham comigo...


Soube que a arte do vidro como é conhecida na Europa da do terceiro milênio A.C., e veio da Mesopotâmia!

A propagação desta arte na Europa foi feita pelos romanos, que com suas viagens negociando com outros povos iam difundindo o uso de objetos de vidro.


Pérolas e pulseiras de vidro dos séculos V a II A.C.




Muitos destes objetos de vidro da Antigüidade foram encontrados em sepulturas, pois era costume enterrar os mortos com seus pertences. Este costume foi abolido com a chegada do catolicismo.



Frasco semi-cônico com filetes de vidro do século IV (encontrado em Metz)










A fabricação do vidro é uma arte do fogo...acontece em altas temperaturas. Para se conseguir atingi-las, é necessário argila para construir as fornalhas e muita madeira para alimentá-las. Porisso as grandes regiões vidreiras foram as cobertas de florestas e com depósitos de argila. E que possuíam também minas de areia e de potássio para a fabricação do vidro. A Lorena tinha tudo isto, então a indústria do vidro prosperou na região até a Renascença.



Vaso com trombas e espirais de vidro do século V



A Igreja Católica foi uma grande cliente dos vidreiros a partir da Idade Média, com os vitrais para as catedrais, o que incrementou o desenvolvimento dos vidros coloridos.


Vitral da antiga igreja de Saint Martin em Maxéville do século XVI












Naquela época já havia conchavos : os vidreiros da Lorena aprenderam dos o segredo da confecção dos espelhos que os vidreiros de Veneza detinham em troca do segredo da fabricação do cristal que eles conheciam.



Sabe a diferença entre o vidro e o cristal, além da transparência e do som quendo são tocados? E somente a quantidade de chumbo, quanto mais chumbo, melhor a qualidade do cristal.


Copo à moda de Veneza (começo do século XVII)




No século XVII, os impostos, a guerra, a peste, provocaram uma decadência do vidro na Lorena. Ele voltou a florescer no século XVIII e atingiu seu apogeu no século XIX, quando os objetos de vidro deixaram de ser apenas funcionais e passaram a ser também objetos artísticos, mostrados nas exposições universais, surgindo assim as artes decorativas.


Objetos em vidro e cristal dos séculos XVIII e XIX



E a maior manifestação artística regional foi sem dúvida o movimento "art-nouveau", teve no vidro e o cristal um de seus materiais favoritos, declinando sobre eles as flores, a mulher, a flora e a fauna marinhas...e é com as abras deste movimento que os deixo agradecendo pela companhia, depois deste passeio pela história do vidro da Lorena:









segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Delicadezas



Não tenho saído muito para passear neste inverno, primeiro por causa do frio que desencoraja as caminhadas, e segundo porque não há uma grande variedade de atividades disponíveis nesta época do ano. Mas numa de minhas escapadas encontrei um livrinho* que é uma verdadeira preciosidade para quem aprecia o design, a transparência e a delicadeza. Ele mostra 400 frascos de perfume desde a antiguidade até nossos dias...voltarei a falar dele porque vale a pena, mas por enquanto gostaria de mostrar alguns exemplos do que existe em seu interior (acima), para que vocês encham os olhos de beleza para começar a semana.


Um presente de aniversário que recebi na semana passada tambem é de uma grande delicadeza. Trata-se de um pequeno carnê contendo caderninhos no interior que vem diretamente do Nepal e em cuja capa possui uma fita de "kira", a arte milenar das mulheres do Butão. A lenda diz que as mulheres tecem a kira com as próprias mãos e as utilizam no dia do casamento. Quanto mais cuidadosas elas forem ao tecê-las, mais férteis elas serão...O Butão, também chamado "País do Dragão", é um pequeno reino que fica entre a Índia e o Tibet, incrustrado no coração do Himalaia...tudo isto me faz sonhar, me faz pensar em Sangrilá...



Uma outra delicadeza em um outro estilo me foi ofertada pelo Santilli, dos blogs "Boa Leitura" e "Crônicas". Ele criou um selo chamado "Blog Amigo", cujo design achei muito bonito e o "Jardin" teve a honra de estar entre os 7 primeiros a recebê-lo. Agradeço muito pelo mimo e vou passá-lo a outros sete blogs, embora haja muitos outros que considero como amigos


Acqua
Caminhar
Ju Gioli
Lino Resende
Luz de Luma
Pensieri e Parole



E delicadamente desejo uma boa semana a todos...


Update :


Encaminhada pelo Eduardo e pelo Santilli, a quem agradeço, recebi a linda colagem feita pela Jugioli, com os seguintes dizeres:

"A Ju criou essa composição muito bonita e sugestiva de algo de Alto Astral.

Sugeriu que coloquem no side bar os que acharem:

1 - que seu blog é alto astral
2 - que acharem a gravura bonita
3 - que quiserem!!!!! "



Eu vou fazê-lo principalmente porque adoro o trabalho dela. E o aconselho a todos vocês que passarem por aqui que o adotem, pois bom astral e arte ao mesmo tempo é um achado, não é mesmo?




*Livro :
Flacons de Parfum - L'Oeil du Chineur
Judith Miller
Ed. Gründ

Posts deste blog relacionados com este assunto :
O Mundo Mágico do Perfume




quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Edith Piaf



A artista francesa Marion Cotillard recebeu esta semana nos Estados Unidos o prêmio "Golden Globe" de melhor atriz de filme musical por sua atuação no filme "Um Hino ao Amor". Eu havia escrito este post quando vi o filme há meses, mas foi no comecinho do blog e acho que pouca gente viu, logo eu o estou reeditando para comemorar este prêmio, que ela merece!

A lenda diz que "ela nasceu sob um lampadário, em uma rua de Paris". Podemos gostar ou não de seu estilo, apreciar ou não suas canções, mas uma coisa não podemos negar : Edith Piaf, com sua voz possante e clássicos como “Hymne à l’amour”, “La Vie en Rose”, “La Foule”, é um monumento da música francesa. Para conhecer um pouco mais sobre o personagem, fui ver o filme que foi lançado recentemente com grande suporte publicitário, "La Môme" (no Brasil "Um Hino ao Amor"). Não me arrependi, a vida desta artista foi uma verdadeira saga.

Seus pais eram artistas, a mãe cantora e o pai contorsionista. A mãe a abandonou ainda pequena, e, enquanto seu pai estava na guerra, ela foi criada pela avó, que era a "cafetina" de uma “maison close” (casa de prostitutas). Depois o pai veio buscá-la e ela o seguiu pelas estradas em suas andanças de saltimbanco. Crescendo, ela se tornou uma cantora de rua, até que foi descoberta e introduzida no mundo do “music hall”, ponto de partida de uma fulgurante carreira internacional.

Ela foi uma pessoa cheia de contradições. Generosa, pois lançou a carreira de grandes nomes como Yves Montand, Compagnons de la Chanson, etc... e também egoísta e despótica, pois não aceitava conselhos e não se importava com a conseqüência de seus atos sobre as pessoas que a rodeavam. Ela era baixinha e longe de um padrão de beleza...no entanto conseguiu seduzir alguns dos homens mais cobiçados da sua época, como Yves Montand, Georges Moustaki, sem falar de seu grande amor, o pugilista Marcel Cerdan (que morreu tragicamente em um desastre de avião) e de seu último marido, vinte anos mais jovem que ela. Forte, pois superou os problemas de sua infância e fez uma carreira maravilhosa... e ao mesmo tempo fraca, pois se deixou vencer pelo álcool e pelas drogas, que causaram sua morte quando ela tinha apenas 48 anos (no mesmo dia que seu amigo Jean Cocteau).

A artista que interpreta Piaf é Marion Cotillard, fisicamente completamente diferente do personagem, a semelhança foi criada por 5 h diárias na sala de maquilagem (em algumas cenas, dá para perceber que sobrancelhas foram coladas sobre as da atriz). Mas os que conheceram Piaf dizem que o gestual e a postura da atriz são tão perfeitos que se tem a impressão que ela é “possuída” pela cantora.

As canções do filme são na própria voz de Edith Piaf, aí embaixo coloco a letra da canção que traduzia seu estado de espírito no final de sua vida “Non, je ne regrette rien” (Não, não lamento nada).




Non, je ne regrette rien
Letra de Michel Vaucaire
Música de Charles Dumont

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé !

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !

Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !

Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !


Clique aqui para ver trechos do filme « Um Hino ao Amor”
Clique aqui para ver outros vídeos de Edith Piaf





domingo, 6 de janeiro de 2008

O Manjar dos Reis


Adoração dos Reis Magos - Giotto

Encerrando os posts falando sobre as tradições natalinas, chegamos à festa da Epifania, ou Dia dos Reis. Descobri, preparando este post, que esta festa foi por muito tempo confundida com o nascimento de Cristo e até hoje em alguns países como a Espanha, é considerada como mais importante que o Natal, e são os Reis Magos e não Papai Noel quem traz os presentes. O nome Epifania, que em grego quer dizer aparição, corresponde à apresentação do menino Jesus aos Reis Magos, a João Batista para seu batismo e também mais tarde a seus apóstolos, com o milagre de Cana (multiplicação dos peixes). Apesar de que a Igreja comemore desde 1969 a Epifania no segundo domingo depois do Natal, dia 6 de janeiro ficou popularmente conhecido como a festa da Epifania, e mais ainda, como o Dia dos Reis Magos. Mas quem são estes famosos Reis Magos?

Até hoje, ninguém sabe ao certo, alguns dizem que eles vinham do Oriente, outros da África, que eles eram sábios e errantes. Representando os 3 continentes conhecidos na época do nascimento de Cristo (Ásia, Europa e África)eles ofereceram ao Rei dos Judeus nascido em Belém seus presentes. Melchior, o mais velho, ofereceu ouro, presente dos reis. Baltazar ofertou a mirra, símbolo da renascença e Gaspar, o mais novo, trouxe o incenso, que era o presente dos deuses e mestres.




Aqui na França a tradição diz que na festa da Epifania deve-se comer a "Galette dos Reis". Trata-se de uma torta de massa folhada (para o norte da França, no sul é um brioche em forma de coroa recheado com frutas cristalizadas) recheada com um creme de amêndoas. Delícia pura! O mais interessante é que no meio do recheio é colocada uma "fava". Aquele que encontrar a fava no seu pedaço será declarado o Rei e deverá escolher sua Rainha (ou vice-versa). Logo quando se compra a galette ela vem sempre acompanhada de uma coroa. O momento de cortar a galette é uma festa entre amigos, em família ou nas empresas. Imaginem o suspense para ver quem vai achar a fava na sua fatia...e para ver quem ele(a) vai escolher como rei ou rainha!

Para mim, o mais interessante é a fava em si (exemplo à esquerda*). Não se trata de um feijão, em geral elas são de plástico ou de porcelana representando coisas ou pessoas da tradição local. Aqui em Nancy saíram séries reproduzindo os vasos de cristal da época "art-nouveau", os objetos esmaltados de Longwy, e cada confeiteiro apresenta seus modelos. Algumas são raras e caríssimas, verdadeiros objetos de coleção, tudo muito bem feitinho e bem pequeno, para poder entrar no meio da torta. Uma gracinha, como já estou aqui há vários anos, já estou virando uma fabófila (colecionadora de favas), veja alguns exemplos de série de favas no diaporama abaixo.




Receita da "Galette dos Reis"
Vídeo da preparação da "Galette dos Reis"

*fava modelo "Ouro Negro" em porcelana de Limoges, de Bernardaud


sábado, 22 de dezembro de 2007

Luzes da Cidade



Falando em "Luzes da Cidade" pensamos logo na Cidade Luz, Paris. Sabemos que Paris não é chamada assim devido à iluminação externa, mas sim pela luz das idéias, pela abertura do espírito que sempre atraíu para ela grandes artistas e fîlósofos. Mas isto não impede que nesta época de Festas, a iluminação de suas ruas e vitrinas seja linda, maravilhosa, feérica, principalmente este ano com o operação "Paris illumine Paris", no qual 100 quarteirões da cidade participaram, cada um com um tema diferente ("Palheta de Cores" para Montmartre, "Natal no Canadá" na rua Caumartin, "Estados Faiscantes" na rue du Commerce, por exemplo). Não fui até lá para conferir pessoalmente, mas recolhi estas lindas fotos que juntamente com as iluminações de outras cidades e vitrinas francesas animam o diaporama acima.



Cena do filme "Luzes da Cidade" de Charlie Chaplin

Mas toda essa exuberância de brilho e luz que se espalha por toda parte no Natal é só (ou deveria ser) a exteriorização da alegria que habita o coração de cada um nesta época do ano...no qual as pessoas estão mais atentas em relação ao seu próximo, e os sentimentos de amor e generosidade estão mais aguçados. E é isto e o tema deste post que nos conduzem ao filme chamado justamente "Luzes da Cidade" do genial Charlie Chaplin, uma obra prima do final do cinema mudo. Nele um mendigo que se faz passar por um milionário se apaixona por uma bela florista cega e faz loucuras para conseguir os meios que permitirão a ela de recuperar a vista, sem esperar retorno. Uma terna história de amor, amizade e generosidade desinteressada, completamente sintonizada com o verdadeiro espírito de Natal.

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Amigos, depois das luzes da Cidade Luz e das luzes de Charlie Chaplin, é tempo de desejar a todos vocês que trouxeram durante este ano as luzes de seus pensamentos e do sol brasileiro até mim, que tiveram a paciência de ler o que escrevo, que me abriram a porta de vossos universos...pois desejo a vocês um Natal com tanta luz e tanto amor, que possa aquecer seus corações e recarregar as baterias de energia positiva para o ano todo.


Feliz Natal!



Filme Luzes da Cidade
Sequência 1/8
Sequência 2/8
Sequência 3/8
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Sequência 6/8
Sequência 7/8
Sequência 8/8



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Tradição do Advento


La place Stanislas (Nancy) sous la neige © Philippe GEGOUX/L'Internaute Magazine

Continuando a falar sobre as tradições natalinas aqui do leste da França, uma das mais importantes é a celebração do Advento. Desde o Papa Gregório I, é a época na qual o nascimento de Jesus é preparado. Ele começa no quarto domingo que antecede o Natal e seus símbolos são a coroa do Advento e o calendário do Advento.


A coroa do Advento é feita de galhos de pinheiro, de pinho de houx(azevinho) e às vezes de gui. A forma redonda evoca o sol e a volta cíclica de cada estação do ano. As quatro velas significam as 4 semanas do Advento (ou as quatro estações do ano ou os quatro pontos cardeais) e são acesas uma após outra a cada domingo. Quando a última se acenderá o Natal chegará. A cor verde significa a vegetação, símbolo de esperança durante o inverno. Para os cristãos, esta coroa simboliza também a coroa de espinhos de Cristo.


O calendário do Advento é uma tradição germânica, feita para permitir que as crianças esperem o Natal. Trata-se de uma prancha de papelão, com 24 janelinhas, que são abertas uma a cada dia do mês de dezembro. Inicialmente, colocava-se um santinho em cada janela, depois eles foram substituídos por bombons e atualmente são pequenos brinquedos que são colocados nas "gavetinhas". Ele pode assumir várias outras formas, o que não muda é que há sempre com uma surpresa para cada dia.





Outra tradição natalina é a "bûche" de Natal. Trata-se de um bolo sob a forma de uma tora de árvore (como as que alimentam as lareiras), que em geral é feito de chocolate e decorado de forma a lembrar a madeira com suas nervuras e "olhos". Existem várias variações e pode-se encontrá-la em diferentes sabores nas confeitarias. A minha preferida é a "tropical", com sabor de laranja e maracujá, na foto acima mostro a que fiz no Natal do ano passado. Quer a história e a receita? Elas estão no "Conversas (virtuais) de cozinha".



Mudando de assunto

Gostaria de agradecer ao Eduardo pelo selo "Blog de Elite", que ele gentilmente nos ofereceu. Conhecendo seu excelente "Varal de Idéias", uma indicação dele é uma honra.



Perceberam que introduzi uma "caixinha" natalina ali no template? Como é a época, coloquei nela os presentes que ganhei durante o ano, sendo que os selos estão todos organizadinhos na "Galeria de Awards".




terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Vovô Noel



Aqui no leste da França, as tradições natalinas são meio diferentes das tradições brasileiras e mesmo das outras regiões francesas. Principalmente na Alsácia, elas são inspiradas principalmente nas tradições da vizinha Alemanha. Na Lorena, onde moro, uma das tradições mais importantes é a chegada de seu padroeiro São Nicolau, dia 6 de dezembro.

São Nicolau foi um bispo que viveu no século IV na Ásia Menor, e que perseguido pelo imperador romano Diocleciano. Conhecido por sua generosidade, ele ajudava os fracos e oprimidos, as viúvas, as crianças, e as vítimas de injustiças. Assim ele se tornou o santo padroeiro dos marujos, dos comerciantes, dos viajantes, dos padeiros, dos juristas, dos escolares, da Rússia e também da Lorena.



Sua história é cercada de varias lendas. Numa delas ele ressuscita três meninos que haviam sido mortos e salgados por um açougueiro. Em outra outra, ele salva da ruína uma família, jogando moedas de ouro pela chaminé...o que deu origem à tradição de deixar as meias perto da lareira na véspera do seu dia.

Desfile de São Nicolau pelas ruas de Nancy em 2007


Nesta data, nas escolas são distribuídos biscoitos e chocolates com a forma do santo, mandarinas e laranjas, que são frutas da época. Normalmente, ele chega nas cidades onde é festejado de helicóptero ou em uma carruagem, e percorre as ruas distribuindo doces para a garotada. Mas tem um detalhe importante : ele só oferece os doces às crianças comportadas! Ele é sempre acompanhado pelo Père Fouettard, um velhinho com um chicote que castiga as crianças malvadas...Ele recebe as chaves da cidade das mãos do prefeito e a festa em geral termina com uma grande queima de fogos.


Transformação de São Nicolau em Papai Noel

Quando houve a Reforma Protestante muitos países da Europa abandonaram a tradição da festa de São Nicolau. No entanto, ela foi levada para a América por colonos holandeses e deu origem...ao Papai Noel. Pois tudo é parecido entre eles : a barba branca, a roupa (a de papai Noel é menos "católica", os americanos são na maioria protestantes), as meias na lareira e até o bastão. Mudaram também o meio de transporte, São Nicolau tinha uma mula, e Papai Noel suas renas. Mas São Nicolau é certamente o ancestral de Papai Noel!




quinta-feira, 29 de novembro de 2007

França : Sinal Verde ?


Segundo seu presidente, a França deseja ocupar no mundo a liderança na luta contra o aquecimento global e pelo desenvolvimento sustentável. Para isto, durante três meses o poderoso Ministério do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Transportes promoveu a "Grenelle* do Meio Ambiente" reunindo representantes de ONGs, sindicatos, coletividades locais, empresas e políticos visando propor e discutir as medidas necessárias para atingir este objetivo. O público também foi consultado via Internet, respondendo a um questionário sobre quais medidas estaria disposto a aceitar.

O programa resultante é ambicioso e foi apresentado dia 25 de outubro último pelo presidente Nicolas Sarkozy em um discurso, na presença de Al Gore. Segundo ele, toda decisão governamental deverá ser analisada em relação ao impacto causado sobre o meio ambiente e a biodiversidade. Prevê também um investimento de 1 bilhão de euros em 4 anos na pesquisa e formação, sem aumento de impostos e sem sacrificar o crescimento do país. Considerando irreal que as pessoas aceitem se sacrificar nos nossos dias para assegurar as condições de vida das gerações futuras, estabelece que para cada mudança efetuada neste sentido, uma alternativa deve ser proposta, visando manter o conforto atual. Pois o programa toca em hábitos arraigados, como os modos de transporte, diminuindo o investimento nos transportes rodoviários e aéreos, e aumentando no ferroviário, fluvial e marítimo.


Um dos pontos críticos da discussão foi a questão energética. O governo fez pé firme para conservar a energia nuclear, responsável atualmente por 80% da energia elétrica produzida na França, logo o novo reator EPR será mantido...mas informou que não haverá construção de outros parques nucleares. E as medidas prevêem o investimento paralelo nas energias renováveis : para cada euro investido na energia nuclear, um euro será investido nas energias alternativas.

Algumas das propostas dizem respeito aos outros países, como por exemplo, "os produtos oriundos dos países que não respeitam o protocolo de Kyoto devem sofrer sobretaxas no mercado francês", ou "nas etiquetas dos produtos devem ser escrito quanto CO2 foi produzido para sua produção e seu transporte até o consumidor".

A França deseja difundir estas idéias na Europa e no mundo, e nisto tem o apoio de Al Gore que declarou que seria necessário um "Grenelle mundial".


Todas estas propostas passarão pelo Parlamento para serem votadas. Apesar do aval do mais eminente defensor francês do meio ambiente Nicolas Hulot, alguns temem que certos "lobbies" bloqueiem a aprovação das medidas. Mas se passarem, será a primeira vez que um país orienta suas decisões em função do impacto sobre o meio ambiente. Será que desta vez vai? A caixa de Pandora verde teria sido aberta? Saberemos em breve.



Foto acima : Al Gore com Jean-Louis Borloo (minsitro do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, energia e transportes da França)


Discurso de Nicolas Sarkozy com as conclusões do Grenelle - texto (francês, inglês, espanhol, alemão) e vídeo
Video da televisão francesa sobre o discurso acima
Site "Grenelle do Meio Ambiente"




*A palavra Grenelle faz referência aos acordos sociais de Grenelle que puseram fim às greves de 1968.


sábado, 6 de outubro de 2007

A Linha Azul dos Vosges



Foi no final de agosto e começo de setembro..este ano, o tempo já estava com ares de outono, ainda havia flores nos canteiros e nas janelas, mas já estava fazendo um friozinho e a luz do sol começava a mudar, ficar mais avermelhada.E como no verão inteiro o sol foi raríssimo, nos últimos dias deste aproveitamos quando ele se manifestou para dar um pulinho nas montanhas mais próximas, que fazem parte do Maciço dos Vosges.

Para isto, partimos na direção da Alsácia, região limite entre a França, a Alemanha e também a Suíça. Após atravessarmos a montanha pelo "Col de Bussang" (col = estrada de montanha), pegamos o caminho do "Balão da Alsácia", um parque natural que se encontra no extremo sul dos Vosges, no limite entre as regiões Alsácia, Lorena e o Território de Belfort. Seu ponto culminante é de 1247m e ele oferece um panorama sobre o resto do Vosges, das montanhas do Jura, da Floresta Negra na Alemanha e quando o tempo está limpo, avista-se também os Alpes Suíços.


A vantagem desta parte da montanha é que ela é bastante selvagem, pois as estradas que a cruzam são propositalmente rudimentares ,eles querem preservá-la do turismo de massa com os riscos que ele comporta. Então percorre-se longas distâncias sem cruzar ninguém e apreciando paisagens suntuosas. Assim alcançando o Ballon d'Alsace, nos lançamos nas estradas sinuosas do vale do rio Doller, e fizemos uma primeira parada no Lago de Alfeld.


Na verdade este lago não é natural, ele é formado por uma barragem, que tem como função fornecer água ao rio durante o verão para evitar que ele fique seco e no fim do inverno armazenar a água proveniente do degelo para limitar as inundações no vale. É muito bonito, cercado pela montanha coberta de pinheiros e devido à sua altitude, tem-se uma visão magnífica da região nos arredores.

Em seguida, paramos na cidade de Masevaux, uma das mais importantes da região, com seus 10000 habitantes (!). Como em toda a região da Alsácia as casas tem aqueles telhados altíssimos, onde antigamente se armazenava os grãos para o inverno, e muitas flores nas janelas, nos canteiros e em toda parte.

Resolvemos então ir almoçar em Thann, uma cidadezinha muito charmosa com uma igreja com a torre colorida, e cheia de ruelas com construções antigas. Comi uma Fleischschnacka (escargot de carne, i.e., carne moída, alho e cheiro verde enrolados numa massa de macarrão e cozidos num caldo). Aproveitamos também para comprar os ingredientes para fazer um chucrute, pois a Alsácia é a região francesa da qual este prato é uma especialidade.

Depois do almoço visitamos os arredores de Thann e pegamos a estrada de volta, já imaginando como seria aquela paisagem de montanha dentro de um mês com as cores do outono, e dentro de 3 meses, toda branquinha de neve, pululando de esquiadores.

VEJA MAIS FOTOS CLICANDO NA IMAGEM ABAIXO



UPDATE



Même : "O que seria da blogosfera sem o "By Oscar Luiz"?

Em comemoração ao primeiro ano do "By Oscar Luiz", Tânia propôs o même curtinho "O que seria da blogosfera sem o By Oscar Luiz?", que me foi passado pela Sam.

Eu diria que sem o "By Oscar Luiz" faltaria à blogosfera bom humor e descontração, marcas registradas deste blog, que nos faz passar bons momentos virtuais. E se o Oscar não blogasse, faltaria a exuberância, que explode em palavras de entusiasmo, incentivo e carinho em cada um de seus comentários, e também a energia que permite que ele concilie sua vida familiar com a Tânia e o Theo, sua vida profissional, que ele mantenha 2 blogs ativos alimentados diariamente e ainda possua a disponibilidade de tempo para visitar e deixar mensagens personalizadas para cada um de seus leitores! Oscar, parabéns, você precisa nos contar teu segredo, e um grande abraço.

Não passo o même nominalmente, mas os que desejarem adotá-lo me avisem, que colocarei o link aqui com todo prazer.



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terça-feira, 18 de setembro de 2007

A Noite do Patrimônio 2007



Na França inteira, no mês de setembro acontecem as Jornadas do Patrimônio durante um fim de semana. Neste dia, monumentos, parques, empresas, públicos e particulares, abrem suas portas gratuitamente ao público. Imaginem que em Paris o presidente Sarkozy em pessoa recebeu os primeiros visitantes do dia que foram conhecer o Palácio do Eliseu, sede da presidência da república. Aqui no interior, numa proporção mais modesta acontece a mesma coisa, todo mundo sai para conhecer lugares que abrem especialmente para este dia e os transportes públicos são gratuitos para facilitar o trânsito.

A parte mais interessante a meu ver é a "Noite do Patrimônio" no sábado. Trata-se de circuitos nas ruas de um bairro, nos quais há paradas e nestas conferencistas ou artistas explicam ou mostram algo relacionado com o lugar, pode ter uma relação com a história da família que mora ali, ou com a arquitetura, ou são artesãos mostrando como eles trabalham. Ao mesmo tempo artistas se apresentam, cantanto, ou contando piadas, ou fazendo números de circo. Cada ano um bairro diferente é selecionado, em geral a prefeitura dá velinhas para que os habitantes coloquem nas janelas, uma iluminação especial nos imóveis que vão ser destacados e guias para informar as pessoas sobre os eventos.

Muito xereta, sábado passado, lá fui eu, com minha amiga Aline, para mais uma "Noite do Patrimônio"...armada com minha máquina fotográfica e seu tripé, que é mais alto do que eu. O resultado foi surpreendente : diante da "imponência" do tripé todos pensavam que eu era uma repórter muito importante e quando eu me aproximava todos abriam espaço para me deixar passar. Me diverti muito neste aspecto, pois em relação ao acontecimento por ele mesmo achei esta noite menos interessante que a dos anos anteriores. O bairro selecionado foi o Centro, mais precisamente a principal artéria comercial da cidade. Logo, não havia habitantes para colocar as velinhas nas janelas, e isto quebrou um pouco o clima.

Começamos nosso périplo pelo mercado, que segundo o programa apresentava uma mesa redonda seguida de degustação sobre a cozinha na época da Renascença. O problema é que os "conferencistas" se instalaram no meio das bancas do mercado, não se escutava o que eles diziam e não vi nada de degustação...consegui assim mesmo algumas receitas da Renascença que eles estavam distribuindo. Havia também grupos de músicos e alguns comerciantes estavam fantasiados para a ocasião, o que me valeu algumas fotos.

Numa outra parada do circuito, eles explicavam como aconteceu o desenvolvimento da cidade que começou há dez séculos. Quais os bairros que se desenvolveram primeiro, quando e porquê. Também explicaram o plano de urbanismo atual da cidade, que deixou construir um prédio de escritórios horrível ao lado da estação de trens. E por falar em trens, eles disseram que devido à chegada do TGV, prevê-se que a população de Nancy vai passar de 150000 a 300000 habitantes nos próximos anos...acabou o sossego!

Em frente à loja de sapatos Bata, eles falaram do modelo social paternalista desta empresa, onde o patrão oferecia residência, escola e lazer para os empregados e suas famílias em cidades construídas em torno das fábricas para este fim. Por outro lado, o empregado gastava o que ganhava no comércio instalado ali pelo próprio patrão e tinha sua vida cotidiana misturada à vida na fábrica o tempo todo. Não sei se no Brasil houve exemplos deste modelo de indústria.

Num outro ponto do circuito, o assunto era um arquiteto quase desconhecido, que fez a transição da art nouveau para a art deco em Nancy. Isto se passava na frente de um banco, cujo prédio foi projetado por ele para ser na época hotel e cervejaria...Fomos andando e diante da Catedral, havia os artesões que trabalhavam com marionetes, a lutherie e a madeira. Nos atrasamos, mas mais adiante conseguimos ver o encerramento do desfile de modas proposto pelo programa. Voltando ainda conseguimos saber quem foi o personagem que dava nome a uma praça é ver a troupe do circo fazendo malabarismos, muito bonito e poético.

E assim depois de quase 4 h andando, pegamos o caminho de volta, com o bendito tripé (e as belas fotos que fiz graças a ele), cansadas, mas acho que valeu a pena.